quinta-feira, dezembro 25, 2008

III cont.)
A interpretação da Bíblia e da mitologia comparada, não resiste a uma confrontação com a história.

Flávio Josefo, Justo de Tiberíades, Filon de Alexandria, Tácito, Suetônio e Plínio, o Jovem, teriam feito em seus escritos, referências a Jesus Cristo. Todavia, tais escritos após serem submetidos a exames grafotécnicos, revelaram-se adulterados no todo ou em parte, para não se falar dos que foram totalmente destruídos. Além disso, as referências feitas a Crestus, Cristo ou Jesus, não são feitas exatamente a respeito do Cristo dos Cristãos. Seria mesmo difícil estabelecer qual o Cristo seguido pelos cristãos, visto que esse era um nome comum na Galiléia e Judéia.

Segundo Tácito, judeus e egípcios foram expulsos de Roma por formarem uma só e mística superstição cristã. As expulsões ocorreram duas vezes no tempo de Augusto e a terceira vez no governo de Tibério, no ano 19 desta era. Tais expulsões desmentem a existência de Jesus, porquanto, ocorreram quando ainda o nome de cristão aplicava-se a superstição judáico-egípcia, a qual se confundiu com o cristianismo.

Filon de Alexandria, apesar de ter contribuído poderosamente para a formação do cristianismo, seu testemunho é totalmente contrário a existência de Cristo. Filon havia escrito um tratado sobre o Bom Deus - Serapis - tratado este que foi destruído. Os evangelhos cristãos a ele muito se assemelham, e os falsificadores não hesitaram em atribuir as referências como sendo feitas a Cristo.

Os historiadores mostram que essa religião nasceu em Alexandria, e não em Roma ou Jerusalém. Fazem ver que ela nasceu das idéias de Filon que platonizando e helenizando o judaísmo, escreveu boa parte do Apocalipse. A mesma transformação que o cristianismo dera ao judaísmo ao introduzir-lhe o paganismo e a idolatria, Filon imprimira a essa crença, até então apenas terapeuta, dando-lhe feição grega, de cunho platônico.

Embora, tenha sido de certo modo o precursor do cristianismo, não deixou a menor prova de ter tomado conhecimento da existência de Jesus Cristo, o mago rabi, e isto é lógico porque o cristianismo só iria ser elaborado muito depois de sua morte.

Bastaria o silêncio de Filon para provar estarmos diante de uma nova criação mitológica, de cunho metafísico. Entretanto, escrevendo como cristão, os lançadores do cristianismo louvaram-se nas suas idéias e escritos. Tivesse Jesus realmente existido, jamais Filon deixaria de falar em seu nome, descreveria certamente sua vida miraculosa. Filon relata os principais acontecimentos de seu tempo, do judaísmo e de outras crenças, não mencionando, porém, nada sobre Jesus. Cita Pôncio Pilatos e sua atuação como Procurador da Judéia, mas, não se refere ao julgamento de Jesus a que ele teria presidido.

Fala igualmente dos essênios e de sua doutrina comuna dizendo tratar-se de uma seita judia, com mosteiro à margem do Jordão, perto de Jerusalém.

Quando no reinado de Calígula esteve em Roma defendendo os judeus, relata diversos acontecimentos da Palestina, mas não menciona nada a respeito de Jesus, seus feitos ou sua sorte e destino.

Filon que foi um dos judeus mais ilustres de seu tempo, e sempre esteve em dia com os acontecimentos jamais omitiria qualquer notícia acerca de Jesus, cuja existência se fosse verdadeira, teria abalado o mundo de então. Impossível admitir-se tal hipótese, portanto.

Por isso é que M. Dide fez ver que, diante do silêncio de homens extraordinários como Filon, os acontecimentos narrados pelos evangelistas não passam de pura fantasia religiosa. Seu silêncio é a sentença de morte da existência de Jesus.

O mesmo silêncio se estende aos apóstolos, assinala Emílio Bossi. Evidencia que tudo quanto está contido nos Evangelhos refere-se a personalidades irreais, ideais, sobrenaturais de inexistentes taumaturgos.

O silêncio de Filon e de outros se estende não apenas a Jesus, mas, também aos seus pretensos apóstolos, a José, a Maria, seus filhos e toda a sua família.

Flávio Josefo tendo nascido no ano 37 e escrevendo até 93 sobre judaísmo, cristianismo terapeuta, messias e Cristos, nada disse a respeito de Jesus Cristo.

Justo de Tiberíades, igualmente não fala em Jesus Cristo, conquanto houvesse escrito uma história dos judeus, indo de Moisés ao ano 50.

Ernest Renan em sua obra "Vie de Jesus" apesar de ter tentado biografar Jesus, reconhece o pesado silêncio que fizeram cair sobre o pretenso herói do cristianismo.

Os Gregos, os romanos e os indús dos séculos I e II, jamais ouviram falar na existência física de Jesus Cristo. Nenhum dos historiadores ou escritores, judeus ou romanos, os quais viveram ao tempo em que pretensamente teria vivido Jesus, ocupou-se dele expressamente. Nenhum dedicou-lhe atenção. Todos foram omissos quanto a qualquer movimento religioso ocorrido na Judéia, chefiado por Jesus.

A história não só contesta a tudo o que vem nos Evangelhos, como prova que os documentos em que a Igreja se baseou para formar o cristianismo foram todos inventados ou falsificados no todo ou parte, para esse fim.

A Igreja sempre dispôs de uma equipe de falsários, os quais dedicaram-se afanosamente a adulterar e falsificar os documentos antigos com o fim de pô-los de acordo com os seus cânones.

O piedoso e culto bispo de Cesaréia, Eusébio, como muitos outros tonsurados, receberam ordens papais para realizar modificações em Importantes papéis da época, adulterando-os e emendando-os segundo suas conveniências.

Graças a esses criminosos arranjos, a Igreja terminaria autenticando impunemente, sua novela religiosa sobre Jesus Cristo, sua família, seus discípulos e o seu tempo.

Conan Doyle imortalizou o seu personagem, Sherlock Holmes, assim como Goethe ao seu Werther. Deram-lhes vida e movimento como se fossem pessoas reais, de carne e ossos. Muitos outros escritores, imortalizaram-se também através de suas obras, contudo, sempre ficou patente serem elas pura ficção, sem qualquer elo que as ligue com a vida real. Produzem um trabalho honesto e honrado aqueles que assim procedem, ao contrário daqueles que deturpam os trabalhos assinados por eminentes escritores, com o objetivo premeditado de iludir a boa fé do próximo. E procedimento que além de criminoso, revela a incapacidade intelectual daqueles que precisam de se valer de tais meios, para alcançar seus escusos objetivos.

Berson, citado por Jean Guitton em "Jesus", disse que a inigualável humildade de Jesus dispensaria a historicidade; entretanto, erigiu os Evangelhos como documento indiscutível como prova, o que a ciência histórica de hoje rejeita. Só depois de muito entrado em anos é que se tornaria indiferente para com a pirracenta crença religiosa dos seus antepassados, como aconteceu com mentes excepcionalmente cultas, tornadas ilustres pelo saber e pelo conhecimento e não apenas pelo dinheiro.

Diante da história, do conhecimento racional e científico que presidem aos atos da vida humana, muitos já se convenceram da primária e irreal origem do cristianismo, o qual nada mais é do que uma síntese do judaísmo com o paganismo e a idolatria greco-romana do século I.

Graças ao trabalho de notáveis mestre de Filosofia e Teologia da Escola de Tubíngen, na Alemanha, ficou provado que os Evangelhos e mesmo toda a Bíblia, não possuem valor histórico, pondo-se em dúvida consequentemente, tudo quanto a Igreja impôs como verdade sobre Jesus Cristo. Tudo o que consta dos Evangelhos e do Novo Testamento, São apenas arranjos, adaptações e ficções, como o próprio Jesus Cristo o foi.

Através da pesquisa histórica e de exames grafotécnicos ficou evidenciado que os escritos acima referidos são apócrifos. De sorte que não servindo como documentos autênticos devem ser rejeitados pela ciência.

Jean Guitton diz que o problema de Jesus. varia e acordo com o ângulo sob o qual seja examinado: histórico, filosófico ou teológico.

A história exige provas reais, segundo as quais se evidenciem os movimentos da pessoa ou do herói no palco da vida humana, praticando todos os atos a ela concernentes, em todos os seus altos e baixos.

Pierre Couchoud, igualmente citado por Guitton, sendo médico e filósofo, considerou Jesus como tendo sido "a maior existência que já houve, o maior habitante da terra", entretanto. acrescentou: "não existiu no sentido histórico da palavra: não nasceu. não sofreu sob Pôncio Pilatos, sendo tudo uma fabulação mítica".

A passagem de Jesus pela terra, seria o milagre dos milagres: "o continente, embora fosse o menor, contivera o conteúdo, que era o maior!"

A Filosofia quer fatos para examinar e explicar à luz da razão, generalízando-o. No que se refere à existência de Jesus, é patente a impossibilidade de generalização, porquanto, na qualidade de mito, como os milhares que o antecederam, sua personalidade é apenas fictícia, por conseguinte, nenhum material pode oferecer à Filosofia para ser sistematizado, aprofundado ou explicado.

No tocante à Teologia cabe-lhe apenas a parte doutrinária acerca das coisas divinas A ela, interessa apenas incutir nas mentes os seus princípios, sem contudo, procurar neles o que possa existir de concreto, o que inclusive seria contrário aos interesses materiais, daqueles aos quais aproveita a religião.

Os Enciclopedistas mostraram como eram tolos e irracionais os dogmas da Igreja, lembrando ainda que ela era um dos mais fortes pilares do feudalismo escravocrata.

Voltaire mostrou as coincidências entre o Evangelho de João e os escritos de Filon, lembrando ter sido ele um filósofo grego de ascendência judia, cujo pai, um outro judeu culto, teria sido contemporâneo de Jesus, se ele tivesse realmente existido. A filosofia religiosa de Filon era a mesma do cristianismo, tanto que inicialmente foi cogitada sua inclusão entre os fundadores da nova crença. Contudo, após exame rigoroso de sua obra, foram encontradas idéias opostas aos interesses materiais dos lideres cristãos da época.

Devemos aos Enciclopedistas, bem como a Voltaire, o incentivo para que muitos pensadores futuros, pudessem desenvolver um trabalho livre, na pesquisa da verdade. As convicções de Voltaire, são o fruto de profundo estudo das obras de Filon.

Os racionalistas, posteriormente, servindo-se de seus escritos, concluíram que a Igreja criou seus dogmas de acordo com a lenda e o mito, impondo-os a ferro e fogo.

Bauer, aplicando os princípios hegelianos na Universidade de Tubingen. concluiu que os Evangelhos haviam sido escritos sob a influência judia, de acordo com seu gosto. Posteriormente, interesses materiais e políticos motivaram alterações nos mesmos. Em vista de tais interesses é que Pedro, o pregador do cristianismo nascente, que era pró judeu, teve de ser substituído por Paulo, favorável aos romanos. E Marcião teria sido o autor dos escritos atribuídos ao inexistente Paulo.

O mérito da Escola de Tubingen, consiste em haver provado que os Evangelhos são apócrifos, e assim não servem como documento aceitável pela história. Levando ao conhecimento do mundo livre que os fundamentos do cristianismo são mistificações pura, os mestres da referida Escola abalaram os alicerces de uma empresa, que há séculos explora a humanidade crente, vendendo o nome de Deus a grosso e a varejo.

Tudo nos leva a crer que no futuro, o conhecimento científico exigirá bases sólidas para todas as coisas, quando então as religiões não mais prevalecerão, porquanto, não poderão contribuir para a ciência ou para a história, com qualquer argumento sólido e fiel.

Ademais, não nos parece lógico que o homem atual, o qual já atingiu um tão elevado nível de desenvolvimento, o que se verifica em todos os setores do conhecimento, tais como científico, tecnológico e filosófico, permaneça preso a crenças em deuses inexistentes, em mitos e tabus.
II cont.)
Folheando as páginas da história humana, e não encontrando aí qualquer referência à passagem de Jesus pela terra, nós, os estudiosos do assunto, convencer-nos-emos de que ele nada mais é do que um mito bíblico.

Pesquisando os Evangelhos na esperança de encontrar algo de positivo, deparamo-nos mais uma vez com o simbolismo e a mitologia. A história que o envolve desde o nascimento até a morte, é a mesma do surgimento de inúmeros deuses solares ou redentores.

E de se notar o cuidado que tiveram os compiladores dos Evangelhos, para não permitir que Jesus praticasse senão o que estava estabelecido pelas profecias do judaísmo.

Assim, a vida de Jesus nada mais é do que as profecias postas em prática. O cristianismo e os Evangelhos são um modo de reavivamento da chamada do judaísmo, ante a destruição do templo de Jerusalém. É uma transformação do judaísmo, de modo a existir dentro dos muros de Roma, de onde posteriormente, ultrapassou os limites, alcançando boa parte do mundo.

O sofrimento que o judaísmo infligiu ao povo pobre, deveria ser o suficiente para que se acabasse definitivamente. Acreditamos que a ambição de Constantino, é que deu lugar ao alastramento do cristianismo, ou melhor dizendo, do judaísmo sob novas roupagens e novo enredo. Não fosse isso, a falta de cumprimento das pretensas promessas de Abraão de Moisés e do próprio Jesus Cristo, já teria feito com que o judaísmo e o cristianismo fossem varridos da memória do homem. De há muito, o homem estaria convencido da falsidade que é a base da religião.

Idealizaram o cristianismo que, baseado no primarismo da maioria, deu novo alento ao judaísmo, criando assim, o capitalismo e a espoliação internacional. O liberalismo que surgiu graças ao monumental trabalho dos enciclopedistas, é que possibilitou ao homem uma nova perspectiva de vida.

A partir do enciclopedismo, os judeus e o judaísmo deixaram de ser perseguidos por algum tempo, e com isto, quase perdeu sua razão de ser.

Ao surgir Hitler e seu irracional nazismo, encontrou quase a totalidade dos judeus alemães integrada de corpo e alma na pátria alemã. O Führer deu então um novo alento ao judaísmo, ao persegui-lo de modo desumano. Graças à perseguição de que foram vítimas os judeus de toda a Europa, durante a guerra de 1940, surgiu a justificativa internacional para que se criasse o Estado de Israel. Talvez o Estado de Israel, revivendo sua velha megalomania racial, invalide em sangue a tendência natural para a socialização do mundo e universalização do conhecimento. A socialização do mundo, acabaria com a irracional e absurda idéia de ser o judeu um bi-pátrida. Nasça onde nascer, não se integra no meio em que nasce e vive. Daí, a perseguição.

Os judeus ricos de todo o mundo, carreiam para Israel todo o seu dinheiro e com ele, a tecnologia e o conhecimento alugado. Graças a isto, poderá embasar ali os seus mísseis e teleguiados, tudo quanto houver de mais avançado na química, física e eletrônica. Assim, terão meios de garantir a manutenção da sócio-economia estruturada no capitalismo. Esta é uma situação realmente grave, a qual poderá tornar-se dramática no porvir. O poder econômico concentrado em poucas mãos, é uma ameaça contra o homem e sua liberdade.

Apesar de o cristianismo liderar o movimento que faz do homem e do seu destino, o centro das preocupações das altas lideranças sociais, a grande maioria dos homens está marginalizada, porque o poder econômico do mundo acumula-se em poucas mãos. E se permanecemos crendo em tudo quanto criaram os judeus de dois milênios atrás, é sinal que não evoluímos o bastante para justificar o decurso de tanto tempo. Se o progresso científico e a tecnologia avançada, não conseguirem libertar-nos dos mitos, estará patente mais uma vez, o estado pueril em que ainda se encontra o desenvolvimento mental do homem. O homem não será de todo livre, enquanto permanecer preso às convenções religiosas, as quais possuem como único fundamento o mito e a lenda.


Se assim falamos, não é que estejamos sendo movidos por um anti-semitismo ou um anti-clericalismo doentio; de modo algum isto é verdadeiro. O que nos motiva tomar em pauta o assunto, é o desejo de ver um crescente número de pessoas, partilhar conosco do conhecimento da verdade.

Temos dito repetidas vezes que tudo aquilo em que se fundamenta o cristanismo, é apenas uma compilação de velhas lendas dos deuses adorados por diversos povos.

Strauss diz que saiu do Velho Testamento, a pretensão de que Jesus encarnar-se-ia em Maria, através do Espírito Santo.

Em números, 24-17, estava previsto que uma estrela guiaria os reis magos.

Cantu lembra que, se juntando os livros do Velho Testamento com os do Novo, teremos 72 livros, o mesmo número de anciãos, teria Moisés escolhido para subir com ele ao Monte Sinai. O Velho Testamento previa que o povo seguiria a Jesus, mesmo sem conhecê-lo. Seriam os peixes retirados da água pelos apóstolos, e os mesmos da pescaria de São Jerônimo. Moisés teria feito da pedra o símbolo da força de Jeová, por isto, Jesus devia dar a Pedro as chaves do céu.

Oséias, 11-1 e Jeremias, 31-15,16, 4, 10, 28, profetizam que o Messias seria chamado por Jeová, do Egito, ligado ao pranto de Raquel pelo assassinato dos filhos. Então arranjaram a terrível matança dos inocentes, a qual consta apenas em dois evangelhos, sendo silenciado o assunto pelos outros dois e pelos relatos enviados a Roma.

Strauss lembra também, que a discussão de Jesus com doutores do templo, assim como a passagem de Ana e Semeão, bem como a circuncisão, estava tudo previsto no Velho Testamento.

Diz ainda que teria ido para Nazaré, apôs o regresso do Egito apenas para que os Evangelhos pudessem atribuir-lhe a alcunha de nazareno. Entretanto, Nazaré não existia, pelo menos naquela época; era uma cidade fantasma, só passando a existir nas páginas dos Evangelhos. Assim Jesus foi nazareno, não por ter nascido em Nazaré, visto que não poderia nascer em dois lugares, como também não poderia nascer em uma cidade que não existia. Ele foi nazareno por ter sido, um comunista essênio. A anunciação e o nascimento de João Batista foram copiados do Talmud.

As tentações de Jesus pelo demônio, no deserto, segundo Emilio Bossi, foram copiadas das Escrituras. Os quarenta dias passados no deserto, são oriundos do cabalismo de Roma, e da crença dos babilônios, os quais atribuíam a esse número força cabalística. Por isso, tal número repete-se várias vezes no decorrer das dissertações bíblicas: o dilúvio descrito na Bíblia, durou quarenta dias; Moisés esteve quarenta anos na corte do Faraó; passou quarenta anos no deserto, e os ninivitas jejuaram quarenta dias.

Ezequiel teria sido conduzido por um espírito de um lugar para outro, através do espaço. Abraão teria sido tentado pelo demônio; os mesmos episódios passaram ao Novo Testamento, tendo Jesus como protagonista. Perguntamos nós: porque tais coisas não mais se repetem? A resposta só pode ser esta: elas jamais aconteceram. Tudo isto não passa de lendas ou sonhos, os quis foram impostos como fatos reais.

O Talmud diz; "Então se abrirão os olhos aos cegos e os ouvidos aos surdos". Jesus teria de dizer: "Então o coxo pulará como o cervo e a língua dos mudos se soltará".

Em Lucas 4-27, Jesus cura Naamã, reproduzindo uma cura efetuada por Eliseu, de um outro leproso. Elias e Eliseu ressuscitaram mortos, por seu lado, Jesus ressuscitaria a Lázaro. Os discípulos de Jesus, não sabendo como curar os endemoniados, recorrem ao Mestre. Passagem semelhante está em Eliseu, cujo servo teria recorrido a ele para curar o filho da sunamita. A multiplicação dos pães e dos peixes, é a repetição de Moisés no deserto, fazendo cair maná e cordonizes. Moisés transformou as águas do rio em sangue e Jesus transforma a água em vinho.

Em Jeremias 7-11 e Isaías 56-7 está escrito que o templo não deve se converter em um covil de ladrões, o que leva os evangelistas a dizerem que Jesus expulsou os mercadores do templo.

A transfiguração de Jesus é a mesma coisa que aconteceu a Moisés, ao subir ao Monte Sinai, quando encontrou com Jeová. Aliás, Moisés havia prometido que viria um profeta semelhante a ele. A traição de Judas, repete o mesmo acontecimento em relação a Crestus.

A prisão de Jesus foi descrita de modo igual no Talmud. A fuga dos apóstolos estava prevista por Isaías. Jesus foi crucificado na Páscoa, representando o cordeiro pascal.

Essas comparações patenteiam a existência do cristianismo, muito antes de Filon. Donde se deduz que Jesus foi inventado de acordo com as Escrituras, sem esquecer de anexar as idéias de Filon ao relato de sua pretensa vida. Fócio demonstrou que os Evangelhos foram copiados de Filon. São Clemente e Orígenes, embora fossem padres da Igreja, orientaram-se por Filon e não pelo bispo de Roma.

Estas citações seriam suficientes para se provar que Jesus jamais existiu. É apenas um produto da mente clerical, a qual o compôs baseada em mitos e lendas.


Como tudo o mais que se refere à existência de Jesus na terra também a sua ascendêcia é objeto de controvérsias.

Segundo Mateus e Lucas, Jesus descendo ao mesmo tempo de David e do Espírito Santo. Entretanto como filho do Espírito Santo, não poderá descender de José, consequentemente deixa de ser descendente de David e o Messias esperado pelos judeus. Assim, Jesus ficará sendo apenas Filho de Deus, ou Deus, visto ser uma das três pessoas da trindade divina.

Em ambos os evangelhos acima citados, há referências quanto a data de nascimento de Jesus, mas tais referências são contraditórias o Jesus descrito por Mateus teria onze anos quando nasceu o de Lucas. Mateus diz que José e Maria fugiram apressadamente de Belém, sem passar por Jerusalém, indo direto para o Egito, após a adoração dos Reis Magos. Herodes iria mandar matar as ciancinhas. Todavia, Lucas diz que o casal estivera em Jerusalém e acrescenta a narração da cena de que participaram Ana e Semeão. De modo que um evangelista desmente o outro. Lucas não alude à matança das criancinhas, nem à fuga para o Egito.

Por outro lado, Marcos e João não se reportam à infância de Jesus, passando a narrar os acontecimentos de sua vida, a partir do seu batismo por João Batista.

Mateus que conta o regresso de Jesus, vindo do Egito e indo para Nazaré, deixa-o no esquecimento, voltando a ocupar-se dele somente depois dos seus trinta anos, quando ele procura João Batista. Diz ainda que João já o conhecia e, por isto, não o queria batizar, por ser um espírito superior ao seu.

Lucas narra a discussão de Jesus com os doutores da lei, aos doze anos de idade. Sendo perguntado pela mãe sobre o que estava ali fazendo, teria respondido que se ocupava com os assuntos do pai.

Emilio Bossi referindo-se a esta passagem, estranha a atividade da mãe. Se o filho nascera milagrosamente, e ela não o ignora, só poderia esperar dele uma seqüência de atos milagrosos. Mesmo a sua presença no templo, entre os doutores, não deveria causar preocupação à sua mãe, visto saber ela que o filho não era uma criança qualquer, e sim, um Deus.

Lucas diz que os samaritanos não deram boa acolhida a Jesus, o que muito irritara a João. Contudo, João, o Evangelista, diz que os samaritanos deram-lhe ótima acolhida e inclusive, chamaram-no de salvador do mundo.

Os evangelistas divergem também, quanto ao relato da instituição da eucaristia. Três deles afirmam que Jesus instituiu-a no dia da Páscoa, enquanto isto, João afirma que foi antes. Enquanto os três descrevem como aconteceu, João silencia.

Na última noite, Jesus estava muito triste, como aliás, permaneceria até a morte. Pondo o rosto em terra, orou durante muito tempo. Segundo os evangelistas, ele estava de tal modo triste e conturbado que teria suado sangue, coisa aliás muito estranha, nunca verificada cientificamente.

Enquanto isto, seus companheiros dormiam despreocupadamente, não se incomodando com os sofrimentos do Mestre. Entretanto João não fala sobre esse estado de alma do Mestre. Pelo contrário, diz que Jesus passara a noite conversando, quando se mostrava entusiasta de sua causa e completamente tranqüilo. Lucas, Mateus e Marcos afirmam que o beijo de Judas, denunciara-o aos que vieram prendê-lo. Todavia, João diz que foi o próprio Jesus quem se dirigiu aos soldados dizendo-lhes tranqüilamente: "Sou eu".

Lucas é o único que fala no episódio da ida de Jesus, de Pilatos para Herodes Antipas. Os outros, caem em contradição quanto à hora do julgamento pelo Conselho dos Sacerdotes em presença do povo. João não fala a respeito do depoimento de Cireneu, nem na beberagem que teriam dado a Jesus. Omite-se ainda quanto á discussão dos dois ladrões, crucificados com Jesus, e quanto á inscrição posta sobre a cruz.

De forma que, seu relato é bastante diferente daquilo que os outros contaram. E as divergências continuam ainda no que concerne ao quebramento das pernas, ao embalsamamento, à natureza do sepulcro e ao tempo exato em que ele esteve enterrado. Quanto ao embalsamamento, por exemplo, há muita coisa que não foi dita. Teriam retirado seu cérebro e intestinos como se procede normalmente nesses casos? Se a resposta for positiva, como explicar o fato de Jesus, após a ressurreição, pedir comida? Como se vê, as verdades bíblicas são além de controvertidas, incompreensíveis.

Lucas diz que Jesus referiu-se aos que sofrem de fome sede, enquanto Mateus, diz que ele se referia aos que têm fome e sede de justiça, aos pobres de espírito. Uns afirmam que Jesus tratara os publicanos com desprezo e ódio, outros dizem que ele se mostrou amigável em relação a eles. Para uns, Jesus teria dito que publicassem as boas obras, para outros que nada dissessem a respeito. Uma hora Jesus aconselha o uso da força física e da resistência, mandando até que comprassem espada; outra, ameaça os que pretendem usar a força

Marcos, Mateus e Lucas dizem que Jesus recomendara o sacrifício. Entretanto, não tomou parte em nenhum deles.

Mateus diz que Jesus afirmou não Ter vindo para abolir a lei nem os profetas, enquanto Lucas diz que ele afirmara que isso já estava no passado, já tivera o seu tempo. Os três afirmam ainda que Jesus apenas pregara na Galiléia, tendo ido raramente a Jerusalém, onde era praticamente desconhecido. Todavia, João diz que ele ia constantemente a Jerusalém, onde realizara os principais atos de sua vida. As coisas ficam de modo, que não se sabe quem disse a verdade, ou, melhor dizendo, não sabemos quem mais mentiu. Ora, se Jesus tivesse realmente praticado os principais atos de sua vida em Jerusalém, seria conhecido suficientemente, e então, não teriam que pagar a Judas 30 dinheiros para entregar o Mestre.

João, que teria sido o precursor do Messias, não se fez cristão, não seguiu a Jesus, pregando apenas o judaismo no aspecto próprio. Entretanto, depois de preso, enviou um mensageiro a Jesus, indagando-lhe: "És tu que hás de vir, ou teremos de esperar um outro?", ao que Jesus teria respondido: "Você é o profeta Elias". Talvez houvesse esquecido que o próprio João, antes já declarara isso mesmo. Contam os Evangelhos, que desde a hora sexta até Jesus exalar o último suspiro, a terra cobriu-se de trevas. Contudo, nenhum escritor do época, comenta tal acontecimento.

Marcos, 25-25, diz que Jesus foi sacrificado às 9 horas. João diz que ao meio dia, ele ainda não havia sido condenado à morte, e acrescenta que a esta hora, Pilatos tê-lo-ia apresentado ao povo
exclamando: "Eis aqui o vosso rei"!

Emilio Bossi assinala detalhadamente todas estas contradições, e as que se deram após a pretensa ressurreição, dizendo que nada do que vem nos Evangelhos, deve ser levado a sério. O sobrenatural é o clima em que se encontra a Bíblia, e esta é apenas o resultado da combinação de crenças e superstições religiosas dos judeus, com as de outros povos com os quais conviveram.
A Igreja serviu-se de farta documentação, conforme já mencionamos anteriormente, com Intenção de provar a existência de Cristo. No entanto, a história ignora-o completamente.

Quanto aos autores profanos que pretensamente teriam escrito a seu respeito, foram nesta parte falsificados. Por outro lado, documentos históricos demonstram sua inexistência. As provas históricas merecem nosso crédito, porque pertencem à categoria dos fatos certos e positivos, e constituem testemunhos concretos e válidos de escritores de determinadas escolas.
I)


Assim como a história não tomou conhecimento da existência de Jesus, os Evangelhos igualmente desconhecem-no como homem, introduzindo-o apenas como um deus.

Maurice Vernés mostrou com rara mestria que o Velho Testamento não passa de um livro profético de origem apenas sacerdotal, fazendo ver que tudo que ai está contido não é histórico, sendo apenas simbólico e teológico. O mesmo acontece com o Novo Testamento e os Evangelhos. Tudo na Bíblia é duvidoso, incerto e sobrenatural.

Tratando dos Evangelhos, mostra que sua origem foi mantida anônima, talvez de propósito, não se podendo saber realmente quem os escreveu. Por isso, eles começam com a palavra "segundo" Evangelho segundo Mateus; segundo Marcos. Daí se deduz que não foram eles os autores desses Evangelhos, foram no máximo, os divulgadores.

Igualmente deixaram em dúvida a época em que foram escritos. A referência mais antiga aos Evangelhos é a de Papias, bispo de Yerápoles, o qual foi martirizado por Marco Aurélio entre 161 e 180. Seu livro faz parte da biblioteca do Vaticano. Irineu e Eusébio foram os primeiros a atribuírem a Marcos e a Mateus a autoria dos Evangelhos, mas, ambos permanecem desconhecidos da história, como o próprio Jesus Cristo. Destarte, pouco ou nenhum valor têm os Evangelhos como testemunha dos acontecimentos. Se só foram compostos no século III ou IV, ninguém pode garantir se os originais teriam realmente existido.

Os primitivos cristãos quase não escreveram, e os raros escritos desapareceram. Por outro lado, no Concílio de Nicéia foram destruídos todos os Evangelhos. Esse Concílio foi convocado por Constantino, que era pagão. Daí, devem ter sido compostos outros Evangelhos para serem aprovados por ele ou pelo Concílio. Com isto, perderam sua autenticidade, deixando de serem impostos pela fé para serem-no pela espada.

Celso no século II, combateu o cristianismo argumentando somente com as incoerências dos Evangelhos.

Irineu diz que foram escolhidos os quatro Evangelhos, não porque fossem os melhores ou verdadeiros, mas, apenas porque esses provieram de fontes defendidas por forças políticas muito poderosas da época. Os bispos que os apoiaram tinham muito poder político. Informam ainda que antes do Concílio de Nicéia, os bispos serviam-se indiferentemente de todos os Evangelhos então existentes, os quais alcançaram o número de 315. Até então eles se eqüivaliam para os arranjos da Igreja. Mesmo assim, os quatro Evangelhos adotados, conservaram muitas das lendas contidas nos demais que foram recusados. De qualquer forma, era e continuam sendo todos anônimos, inseguros e inautênticos. Os adotados, foram sorteados e não escolhidos de acordo com fatores valorativos. Mesmo estes adotados desde o Concílio de Nicéia, sofreram a ação dos falsificadores que neles introduziram o que mais convinha à época, ou apenas a sua opinião pessoal.

Esta é a história dos Evangelhos que através dos tempos, vêm sofrendo a ação das conveniências políticas e econômicas.

Embora a Igreja houvesse se tornado a senhora da Europa, nem por isso preocupou-se em tornar os Evangelhos menos incoerentes. Sentiu-se tão firme que julgou que sua firmeza seria eterna.

Os argumentos mais poderosos contra a autenticidade dos Evangelhos, residem em suas contradições, incoerências, discordâncias e erros quanto à datas e lugares, e na imoralidade de pretender dar cunho de verdade a velhos e pueris arranjados dos profetas judeus. Essa puerilidade avoluma-se a medida em que a crítica verifica o esforço evangélico, em tornar realidade os sonhos infantis de uma população ignorante. Para justificar sua ignorância, se dizem inspirados pelo Espírito Santo, o qual também é uma ficção religiosa, resultante da velha lenda judia segundo a qual o mundo era dominado por dois espíritos opositores entre si: o espírito do bem e o do mal. Adquiriram essa crença no convívio com os persas, os egípcios e os indus.

Os egípcios tiveram também Os seus sacerdotes, os quais escreveram os livros religiosos como o "Livro dos Mortos", sob a inspiração do deus Anubis. Hamurabi impôs suas leis como tendo sido oriundas do deus Schamash. Moisés descendo do Monte Sinai, trouxe as tábuas da lei como tendo sido ditadas a ele por Jeová. Maomé igualmente, foi ouvir do anjo Gabriel, em um morro perto de Meca, boa parte do Alcorão. Allah teria mandado suas ordens por Gabriel.

O conhecimento mostra que as religiões para se firmarem, têm-se valido muito mais da força física do que da fé. Quanto à verdade, esta não existe em suas proposições básicas. De modo que, Anubis, Schamash, Allah e Jeová nada mais são do que o Espírito Santo sob outros nomes.

Stefanoni demonstrou que todos esses escritos, não representam o Espírito Santo, mas, o espírito dominante em cada época ou lugar. Assim surgiram os Evangelhos, os quais como Jesus Cristo, foram inventados para atender a certos fins materiais, nem sempre confessáveis.

"Não creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado pela autoridade da Igreja". São palavras de Sto. Agostinho. Com sua cultura e inteligência, poderia hoje estar no rol dos que não crêem.

No que diz respeito a Jesus Cristo, a teologia toma em consideração, sobretudo, o aspecto sobrenatural e os seus milagres. João Evangelista foi trazido para a cena, afim de criar o Logos, o Jesus metafísico, destruindo assim, o Jesus-Homem.

As contradição surgidas em torno de um Jesus saído da mente de pessoas primárias e incultas, tornaram-no muito vulnerável à crítica dos melhores dotados de conhecimentos. Então, vem João e substitui o humano pelo divino, por ser o mais seguro. O mesmo iria fazer a Igreja no século XV, quando para abafara grita contra os que haviam queimado miseravelmente uma heroína nacional dos franceses, tiraram o uniforme do corpo carbonizado de Joana D'Aro e vestiram-lhe a túnica dos santos. O mesmo aconteceu com Jesus: teve de deixar queimar a pele humana que lhe haviam dado, para revestir-se com a pele divina.

A Igreja na impossibilidade de provar a existência de Jesus-Homem, inventou o Jesus-Deus. Assim atende melhor à ignorância pública e fecha a boca dos incrédulos.

Do que relatamos, conclui-se que, no caso de Joana D'Arc, a igreja obteve os resultados esperados. Contudo, continua com as mesmas dificuldades para provar que Jesus Crlsto, como homem ou como deus, tenha vivido fisicamente. E não é só. Ela não tem conseguido provar nada do que tem ensinado e imposto como verdade. Falta-lhe argumentos sérios e convincentes, para confrontar com o conhecimento científico e com a história sem que sejam refutados.

A Igreja tudo fez para tornar Jesus Cristo a base e a razão de ser do cristianismo. E isto, satisfez plenamente a seus interesses materiais neste dois milênios de vida.

Da mesma forma, os portugueses, os espanhóis e os ingleses, de Bíblia na mão e cruz no peito, foram à longínqua África para arrastar o negro como escravo, para garantir a infra-estrutura econômica do continente americano. Jamais se preocuparam em saber, se o pobre coitado queria separar-se de seus entes queridos, nem o que estes iriam sofrer com a separação.

A Igreja está realmente atravessando uma crise. Acontece que os processos tecnológicos e científicos, descortinam para o homem novos horizontes, e então ele percebe que foi iludido miseravelmente. Sua fé, sua crença e seu deus morrem porque não têm mais razão de ser.

Jesus Cristo foi inicialmente um deus tribal, que teria vindo ao mundo por causa das desgraças dos judeus. Eles sonhavam ser donos do mundo, mas mesmo assim, foram expulsos até mesmo de sua própria terra. Contudo, o cristianismo ganhou a Europa, com a adesão dos reis e imperadores.

Renan, não conseguindo encontrar o Jesus-Divino, tentou ressuscitar o Jesus-Homem. Mas, o que conseguiu foi apenas descrever uma esquisita tragédia humana, cujo epílogo ocorreu no céu. Jesus teria sido um altruísta mandado à terra, para que se tornasse uma chave capaz de abrir o céu. Teria sido o homem ideal com que o religioso sonha desde seus promórdios. Existindo o homem ideal, cuja idealidade ficasse comprovada, o histórico seria dispensável. Mas, ao tentar evidenciar um desses dois aspectos, Renan perdeu a ambos. Mostrou então que, para provar o lado divino de Jesus, compuseram os Evangelhos. Seu objetivo: relatar exclusivamente a vida de um homem milagroso e não de um homem natural.

Elaborando os Evangelhos, cometeram tantos erros e contradições, que acabaram por destruir, de vez, a Jesus.

A exegese da vida de Jesus, baseada no conhecimento e na lógica, separando-se o ideal do real, eles destroem-se mutuamente. Quem descreve o Jesus real, não poderá tocar o ideal, e vice-versa, porque um desmente o outro.

Em suma, os Evangelhos não satisfazem aos estudiosos da verdade livre de preconceitos, destruindo o material e o ideal postos na personalidade mítica de Jesus. A fabulação tanto recobre o humano como o divino.

Verificamos então, estarmos em presença de mais um deus redentor ou solar. Jesus, através dos Evangelhos, pode ser Brama, Buda, Krishna, Mitra, Horus, Júpiter, Serapis, Apolo ou Zeus. Apenas deram-lhe novas roupas. O Cristo descrito por João Evangelista, aproxima-se mais desses deuses redentores do que o dos outros evangelistas. É um novo deus oriental, lutando para prevalecer no ocidente como antes tinha lutado para impor-se no oriente. É um novo sub-produto do dogmatismo religioso dos orientais, em sua irracional e absurda metafísica. Por isso, criaram um Jesus divino, não por causa dos seus pretensos milagres, mas por ser o Logos, o Verbo feito carne. Essa essência divina é que possibilitou os milagres. É um deus antropomorfizado, feito conforme o multimilenar figurino idealizado pelo clero oriental. Jesus não fez milagres, ele é o próprio milagre. Nasceu de um milagre, viveu de milagres e foi para o céu milagrosamente, de corpo e alma, realizando assim mais uma das velhas pretensões dos criadores de religiões: a imortalidade da alma humana.

Sendo Jesus essencialmente o milagre, não poderá ser histórico, visto não ter sido um homem normal, comum, passando pela vida sem se prender às necessidades básicas da vida humana. Jesus foi idealizado, exclusivamente para dar cumprimento às profecias do judaísmo, é o que verificamos através dos Evangelhos. Tudo quanto ele fez já estava predito, muito antes do seu nascimento.

Jesus surgiu no cenário do mundo, não como autor do seu romance, mas tão somente como ator para representar a peça escrita, não se sabe bem aonde, em Roma ou talvez, Alexandria. O judaísmo forneceu o enredo, o Vaticano ficou com a bilheteria. E para garantir o êxito total da peça, a Igreja estabeleceu um rigoroso policiamento da platéia, através da confissão auricular. Nem o marido escapava à delação da esposa ou do próprio filho. O pensamento livre foi transformado em crime de morte. Os direitos da pessoa humana, calcados aos pés. Nunca a mentira foi imposta tão selvagemente, como aconteceu durante séculos com as mentiras elaboradas pelo cristianismo. À menor suspeita, a polícia tonsurada invadia o recinto, e arrastava o petulante para um escuro e nauseabundo calabouço onde as mais infames torturas eram infligidas ao acusado. Depois, arrastavam-no à praça pública para ser queimado vivo, o que decerto, causava muito prazer ao populacho cristão.

Desse modo, a Igreja tornou-se um verdugo desumano, exercendo o seu poder de modo impiedoso e implacável, ao mesmo tempo em que escrevia uma das mais terríveis páginas da história da humanidade.

Durante muito tempo, o sentimento de humanidade esteve ausente da Europa, e a mentira triunfava sobre a verdade. Milhares de infelizes foram sacrificados porque ousaram dizer a verdade. O poder público apoiava a farsa religiosa, e era praticamente controlado pela Igreja. Aquele que ousasse apontar as inverdades, as incoerências e o irracionalismo básicos do catolicismo, seria eliminado. Tudo foi feito para evitar que o cristianismo fracassasse, devido a fragilidade de seus fundamentos. O que a Igreja jura de mãos postas ser a verdade, é desmentido pelo conhecimento, pela ciência e pela razão.

- La Sagesse

quarta-feira, dezembro 24, 2008

“A cordialidade é um talento indígena. Durante os muitos anos em que vivi entre os índios nunca vi um recorrer à violência [ física] contra outro da sua comunidade.” – Darcy Ribeiro

terça-feira, dezembro 23, 2008

Que filho-da-puta mais intolerante e violento me saiu este J. Cristo! foda-se prò mito!
Mateus 10: 1-10 e 10:34 (” Não pensem que eu vim trazer paz ao mundo. Não vim trazer a paz, mas a espada.”);

Lucas 19: 27 (“E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim.”);

Ainda em Lucas 22:36-38 , Jesus manda aos seus seguidores que vendam o que for preciso e comprem espadas.

Marcos 9;42 ("E qualquer um que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar.")

Até a suposta mensagem que Cristo teria nos legado está cheia de contradições inadmissíveis.
“Eu tenho um zeloso orgulho na minha ancestralidade simiesca. Gosto de pensar que um dia fui um tipo magnífico e cabeludo, vivendo nas árvores; e a minha linhagem atravessou tempos geológicos via alforrecas & vermes & anfíbios, peixes, dinossauros e macacos. Quem trocaria este rico passado pelo insosso casal no jardim do Éden? “ – W.P. Barbellon

quarta-feira, dezembro 17, 2008


Hey Kurik, I'm still waiting for that slide show of yours!
Merry Xmas folks!



O que falta em qualidade artística a estas fotos sobra-lhe em interesse como registo de história natural
PB





depois de um par de semanas de tentativas, aqui está a foto que eu queria ;-)
é, como dizem os brasileiros, rapadura é doce, mas não é mole, não!
Tómané,
obrigado pelas palavras amáveis.
esta sequência de anhingas em voo é para ti.
Distribui abraços aí pela família.
Feliz solstício de Inverno!
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