sábado, maio 05, 2007

A Inquisição Reformulada

«Quando a religião e o Estado limitam a nossa liberdade de expressão, inicia-se a matança da humanidade» - Salmon Rushdie

Oficialmente, a Inquisição espanhola é extinta na primeira metade do séc. XIX (1838), com um balanço de aproximadamente 8 milhões assassinatos. Há quem defenda que essa instituição abominável apenas reformulou os seus métodos e o seu nome, passando a agir mais discretamente com o nome de Congregação para a Defesa da Fé. Durante muitos anos (correspondentes à Guerra Fria), um dos seus principais mentores e líderes mais activos e implacáveis foi (e continua a ser) o Cardeal Joseph Ratzinger – recentemente eleito Papa, tendo adoptado o nome de Bento XVI. Como cão de fila favorito de João Paulo II, tornou-se num dos pesos pesados do ultraconservadorismo eclesiástico empenharam-se numa cruzada contra todas as ideias reformadoras do catolicismo, que pudessem aproximar a Igreja da mensagem de Cristo e, como tal, das necessidades dos mais pobres e oprimidos, sem se limitarem a paliar ligeiramente alguns dos sintomas que levam à miséria a maioria da população mundial. Os neoinquisidores do Santo Ofício (cuja cartilha é a única forma de casuística que admitem, embora a sua sinistra metodologia tenha mudado significativamente) tiveram como principal alvo o combate ao comunismo, e viam o movimento da Teologia da Libertação como um cancro "comunista" que era necessário arrancar do seio da Igreja. Muitos dos sacerdotes e freiras (principalmente os que trabalhavam em países latino-americanos sob ditaduras militares ao serviço do imperialismo norte-americano) que, por imperativos de consciência, decidiram desobedecer ao Vaticano a fim de tentarem defender os pobres que estavam a ser explorados e chacinados, foram silenciados pelos seus superiores hierárquicos, ou abandonados à sua sorte (isto significa que, retirada a confiança e a protecção do Vaticano, os militares e paramilitares de extrema direita poderiam assassinar os "soldados de Deus vermelhos" com total impunidade).

CIA e outras agências de espionagem e de terrorismo internacional ligadas a regimes fascistas tornaram-se os principais informantes do Vaticano.

Em 1993 e em 1996 o Cardeal Joseph Ratzinger marcou publicamente a sua convicção de que os actuais apelos ao pluralismo religioso (ou, pelo menos, o respeito por esse direito) representa uma ameaça ao Catolicismo Romano semelhante ao que foi a Teologia da Libertação na década de (19)80. (Gerald Renner, 2000)

Assim, a Congregação para a Doutrina da Fé continua com a sua cruzada para silenciar todos os clérigos e teólogos que pretendem discutir os seus dogmas monolíticos/ férreos, mas tornou-se mais eficiente e célere na sua repressão totalitária.

Uma das suas últimas vítimas foi o padre jesuíta Roger Haight que publicou um livro («Jesus, Symbol of God») no qual admite que Cristo, sendo indispensável, ou pelo menos incontornável, para os cristãos, não é a única via para a salvação da alma no que concerne ao todo da humanidade. Ou seja, a salvação espiritual pode ser conseguida através de outras religiões e até de outras divindades. E as suas afirmações polémicas de ficam por aqui.

Analisou as diferenças entre os evangelho sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) , que são coerentes na sua apresentação de Cristo, não como um ser divino/uma divindade, mas como um ser humano muito especial com uma ligação directa a Jeová e por Este glorificado.

Na cristologia dogmática do Vaticano prevalece a versão do apóstolo João (que Haight não contesta) , em que Cristo é enviado, desde o céu, por Jeová para o meio dos mortais, na qualidade de divindade encarnada. (David Toolan, 2000)

Ratzinger e os seus conselheiros foram expeditos em activar os mecanismos necessários para que a carreira académica do Sr. Haight, como docente na Western School of Teology (Cambridge, Reino Unido) chegasse a um beco sem saída - a não ser a rua… Outros 5 clérigos hereges que simpatizavam com as ideais do Haight (aliás, o seu livro, que tanta azia provocou ao Vaticano, foi aprovado pela maioria dos teólogos) foram impedidos de subir na carreira na mesma universidade.

O conceituado académico Jon Sobrino (que vivia em El Salvador nos anos mais sangrentos desse país, chegando até a ser consultor teológico do Arcebispo assassinado Óscar Romero) foi alvo da censura da Congregação para a Defesa da Fé por ter mostrado interesse e preocupação em colocar a Igreja ao serviço dos pobres e de todas as vítimas da injustiça dos poderosos – enfatizando que Cristo fez o mesmo, segundo os evangelhos -, do que viver em opulência e em conluio com as forças da opressão, enquanto propagandeia a encomioza divinização do Messias como uma estrela-títere do Vaticano. (Claro que Sobrino não usou uma linguagem tão forte, mas esta era a ideia que ele subscrevia).

«Disse-lhe Jesus: se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; vem e segue-me.» (Mateus 19:21)

A propósito do Arcebispo Romero, este era um clérigo muito conservador em sintonia com a política do Vatican – com destaque para a sua fobia anti comunista (que motivou essa instituição confessional a apoiar tacitamente o holocausto nazi e, ao ficar claro que a Alemanha de Hitler tinha a guerra perdida, criou redes de protecção e fuga para os nazis passarem o resto das suas vidas impunes e bronzeados sob o sol da América Latina, com destaque para a Argentina do general Perón; depois, com João Paulo II à cabeça, o Vaticano apoiou activamente todos os regimes de terror que Washington implementou na América Latina durante a Guerra Fria).

Romero parecia algo indiferente à exploração desumana e aos morticínios arbitrários dos elsalvadorenhos pobres, até que um padre seu amigo foi assassinado. A dor traumática dessa perda teve o mérito de abrir os olhos a Romero, tornando-se este num corajoso defensor da sua vitimada congregação. Até foi ao Vaticano para falar com João Paulo II sobre os problemas que dilaceravam o seu país, mas o Papa, nos breves segundos que lhe consedeu contrariado, apenas lhe retorquiu «cuidado com os comunista! Cuidado com os comunista!»…

Já sabemos como terminou a missão de Romero…

Entre as vítimas mais conhecidas da Congregação para a Defesa da Fé, estão Pierre Teilhard de Chardin (); Leonardo Boff ("ponta de lança" da Teologia da Libertação); Jaques Dupuis ( teólogo jesuíta de renome); Tissa Balasuriya (padre jesuíta do Sri Lanka)

Nas fogueiras "purificadoras" substituíram os corpos pelas ideias, tudo fazendo para proibir livros e debates progressistas nas editoras, livrarias, universidades e nos média controlados pela Igreja.

Agora que é Papa, Ratzinger continua a hostilizar outros credos e ideologias, fazendo recuar os esforços ecuménicos de muitos sacerdotes fartos de violência sectária.

A 11 de Agosto de 2004, na véspera das mais importantes eleições político-partidárias dos EUA, o Cardeal Ratzinger enviou uma missiva oficial aos bispos católicos radicados no coração do império, dando-lhes conta das suas directrizes no sentido de influenciarem na eleição dos candidatos que o Vaticano considerava mais convenientes ter em Washington. Assim, ficaram estabelecidas severas linhas de conduta no que toca às relações da Igreja com os políticos e os seus correlegionários que fossem apologistas do direito ao aborto (legalizado nos EUA, mas que as administrações republicanas têm tentado anular) e à eutanásia. Para Ratzinger estas práticas são imorais ao ponto dos "prevaricadores" compactuarem com o próprio Satanás!... Os sacerdotes ficaram, então, proibidos de comungar a santa eucaristia com esses "agentes do demónio".

Quanto a pronunciarem-se publicamente sobre assuntos que considerava de somenos importância (ex.: pena capital e guerra no Iraque), Ratzinger dava aos católicos o direito à liberdade de opinião…

(Curiosamente, apesar da administração Bush ser responsável pela morte de dezenas, ou mesmo centenas de milhar de pessoas no Médio oriente; praticar a tortura arbitrariamente; suprimir direitos civis essenciais até aos cidadãos estado-unidenses; entregar o país à ganância das corporações, cortando radicalmente as verbas estatais para os serviços públicos; recusar-se a assinar o protocolo de Quioto; etc…, conseguiu um aumento de 6% dos votos dos católicos na sua reeleição…)

Esta carta foi coassinada pelo Arcebispo Tarcisio Bertone e teve o aval de João Paulo II.

Simultaneamente, este trio de cabecilhas do Santo Ofício (que provavelmente acabarão todos canonizados…) preparava outra luctífera estratégia para os EUA: o encobrimento do escândalo relacionado com os padres pedófilos.

Furibundo porque alguns padres, ao não conseguirem conter a indignação pela promiscuidade da igreja com a política secular, divulgaram aos média as suas directrizes para o circo eleitoral, Ratzinger enviou aos membros do Clero norte americano uma carta tão secreta que ameaçava de excomunhão todos os que ousassem torná-la pública, bem como às informações relacionadas com os casos de pedofilia sacerdotal/eclesiástica. Não obstante, essa carta chegou às mãos de jornalistas afectos ao jornal «The Observer», que a consideraram "um pratinho cheio"… (Ver a sua edição de 25 de Abril de 2005) .

Reclamando o «direito ao segredo pontífice» (o que denuncia estar a actuar em total cumplicidade com João Paulo II), Ratzinger decretou a obrigatoriedade da Igreja obstruir a justiça (laica), a fim de conduzir os seus próprios inquéritos internos. Segundo ele, as informações obtidas desta forma deveriam ser «mantida confidenciais até 10 anos após as vítimas terem atingido a maioridade» (sic). O que é o mesmo que esperar até que os processos prescrevam na justiça civil. Por serem potencialmente desastrosos para a credibilidade da Igreja, esta instituição queria-os manter longe dos investigadores policiais e dos magistrados que não representassem o poder temporal. Dentro da jurisdição eclesiástica, Ratzinger ficou encarregue de instituir tribunais específicos. (Jamie Doward, «The Observer», Abril de 2005) Como líder da Congregação para a Doutrina da Fé, foi ainda designado pelo Vaticano como o "ponta de lança" – com licença para excomungar - contra os padres acusados de abusos sexuais. Não foi tornado público quais os seus nomes e que tipo de punição que a Igreja lhes impôs, mas sabemos que alguns sacerdotes pedófilos (sobretudo os relacionados com escândalos nos EUA), não apenas encontraram refúgio no Vaticano, como ainda mantêm altos cargos eclesiásticos…

Há ainda o caso paradigmático do frade mexicano Juan Vaca que, juntamente com outros 8 antigos membros dos Legionários de Cristo (segundo Saul Landau, esta é uma organização católica «ultra conservadora fundada no México, em 1941, por frei Marcial Maciel»), há anos que clama por justiça (secular e temporal) devido aos abusos sexuais perpetrados pelo frei Maciel. Devido à sua condição de pobres entregues (em regime de internato) aos "cuidados" da Igreja, nas décadas de 40, 50 e 60, muitos jovens membros dos Legionários de Cristo viram as suas vidas transformadas num inferno quotidiano às mãos do pedófilo frei Maciel. Já desde o tempo do papa Benedito XVI que os mais altos dignitários do Vaticano ignoram estas queixas. Bento XVI segue a mesma política. Acresce que frei Maciel era amigo pessoal de João Paulo II, para além de há muito contar com a protecção das autoridades mexicanas (que muito lhe agradecem a ajuda prestada na luta genocida contra os "rebeldes vermelhos" e os progressistas…) . Isso torna-o praticamente intocável. (Algo de semelhante passa-se na Índia com o guru charlatão e pedófilo Sai Baba…)

O habitualmente infenso e abespinhado Tarcisio Bertone, treinou a sua hipocrisia mais "perplexa" para declarar aos média que « não vejo qualquer razão para um sacerdote denunciar à policia colegas tidos como abusadores sexuais» (Saul Landau, «Weekend Edition», 7 de Maio de 2005)

Os advogados das vítimas de abusos sexuais por parte dos membros do Clero nos EUA intimaram a prestar declarações em tribunal o padre e docente universitário John Beal. Este, apesar de arriscar a ser excomungado, confirmou, sob juramento, há muito ter conhecimento desses rumores e acusações que pesam sobre membros do Clero com os quais ocasionalmente priva.

Recentemente o Vaticano excomungou (latae sententiae) vários clérigos (liderados pelo ex-arcebispo zambiano Emanuel Milingo, fundador da «Organização Padres Casados Já») por defenderem o direito a exercerem o sacerdócio legítimo enquanto estão casados. (Milingo teve a suprema ousadia de ordenar alguns padres e até bispos estado-unidenses que têm esposas!)

A ordenação de mulheres é outro assunto tabu para o Vaticano, assim como não querem ouvir falar de direitos igualitários para os homossexuais.

PB

quinta-feira, maio 03, 2007

Os Protocolos dos Sábios do Sião

Uma nefasta farsa intitulada «Os Protocolos dos Sábios do Sião» (adiante designados por PSS) desempenhou um papel determinante na consolidação do anti-semitismo na era Industrial, já que deu “legitimidade” ideológica a muitos carrascos xenófobos para definirem os Pogroms e as campanhas de aniquilamento de judeus que culminaram no holocausto nazi.

Os PSS foram forjados pela Okhrana (a polícia secreta da Rússia czarista) e referem-se a uma alegada (e completamente fictícia) reunião clandestina de líderes judeus em Basileia (Suiça) no ano de 1897, pretendendo reproduzir as respectivas actas que constituem 24 discursos correspondentes a outros tantos passos na sua sinistra estratégia para dominarem o mundo, em que, vestindo a pele de cordeiros, fomentam a desordem, o descrédito das instituições que representam o poder ligadas aos cristianismo, até que um déspota semita assumisse as rédeas da política, da economia e da religião global.

Os seus falsificadores pretenderam imprimir alguma credibilidade a este pseudo documento acrescentando-lhe nomes verdadeiros de figuras públicas e eventos mediáticos a que estas estiveram associadas. Assim, convenientemente, a Okhrana atribuiu a autoria dos protocolos ao Concelho de Sábios do Sião liderados por Theodor Herzl, fazendo coincidir a data dos falsos documentos com o Congresso de Basileia. Aí, efectivamente, reuniram-se 204 delegados judeus de várias nacionalidades, com o propósito de fortalecer o movimento político sionista, como um poderoso lóbi que deveria garantir ao seu povo um regresso maciço à “terra prometida” na Palestina.

Ao contrário do que os difamadores anti-semitas querem fazer crer, essa reunião nada teve de secreta, sendo aberta ao público interessado e a imprensa foi convidada a assistir.

Os PSS foram editados pela primeira vez de forma clandestina e apócrifa em 1897, sendo redigidos em francês, o que reforça as suspeitas de que o texto foi adaptado, adulterado e divulgado por Piotr Ivanovich Rachkovskii, o chefe da delegação francesa (sedeada em Paris) da Okhrana, que era useiro e vezeiro na publicação de folhetos intriguistas a par da sua perseguição implacável aos emigrantes russos em solo francês. São conhecidos outros oprobiosos folhetos e opúsculos que, recorrendo à mesma fórmula que seria empregue nos PSS, Rachkovskii tinha posto os seus homens a distribuir aos incautos populares.(Há, por exemplo, um de 1892 que pretende denunciar os perigos da anarquia e do niilismo.)

Em 1903 os PSS foram publicados no jornal de S. Petesburgo, cujo director (um fascista anti-semita) “abalizou” a sua “autenticidade”.

(Logo em 1898 um russo, cuja identidade se presume ser Mathieu Golovinski, tentou, sem grande sucesso, usar os PSS, como parte da sua estratégia para destilar ódio por toda a sociedade russa contra os judeus, K. Marx, C. Darwin, F. Nietzche…)

A sua versão integral compilada em forma de livro (integrados num tomo intitulado « O Grandioso dentro do Pequeno») surgiu em 1905, da autoria do professor Segei Nilus que era um cristão ortodoxo muito próximo do czar Nicolau II, e temia a laicização da sociedade preconizada pela ameaça bolchevique e pelo guru do ateísmo político, Karl Marx, tanto quanto temia a influência do carismático Rasputin junto da família imperial russa. Além disso, o pio e tacanho Nilus sofria dificuldades financeiras e culpava os judeus por isso.

Através da influência de Nilus, a Igreja Ortodoxa de Moscovo exigiu que os PSS passassem a ser lidos nas suas igrejas, como se se tratassem da continuação do Livro das Revelações/Apocalipse.

Os ultrareaccionários da «União da Nação Russa» que apoiavam a Dinastia Romanov, opondo-se à revolução, à instituição da Constituição e da Duma, necessitavam de angariar e unir simpatizantes da sua causa em torno de um inimigo fácil que, historicamente, deixasse um rasto de escândalos escabrosos que a maioria acreditava sem questionar a sua veracidade.

Os judeus encarnam na perfeição o papel de bodes expiatórios pelo menos desde que os gentios cristãos se afastaram, em fatal litigio, da ortodoxia judaica. Os últimos evangelhos canónicos a serem escritos reflectem bem essas divergências. Por ex., no Evangelho Segundo (ES) João, os escribas (talvez esquecendo-se de que o seu messias também era judeu…) colocam na boca de Cristo a afirmação de que os judeus são filhos do diabo e apenas fazem a vontade deste último na Terra. O ES Marcos mostra-nos uma versão de Cristo pouco pacifista, misericordiosa, tolerante e conciliatória, chegando ao ponto de ordenar aos seus seguidores para que trouxessem á sua presença os seus opositores (judeus) e que, ali mesmo, os matassem!...O Novo Testamento atribui aos judeus a principal responsabilidade pela crucificação de Cristo.~~~

~~ Aquele que é provavelmente o actor mais poderosos de Hollywood e um dos católicos (fundamentalista) mais famosos do mundo, Mel Gibson, defendeu-se das críticas de anti-semitismo evidentes no seu filme «A Paixão de Cristo», asseverando que apenas tentou reproduzir o que está escritos nos evangelhos canónicos, com a supervisão de especialistas independentes. Em 2006 o verniz estalou num escândalo esclarecedor… Um polícia de trânsito apanhou Mel Gibson embriagado enquanto conduzia um automóvel em via pública. Enquanto o oficial da Lei lhe pedia os documentos, a “mega estrela”, com arrogante azedume, perguntou-lhe «então mas você é judeu?! Os judeus foram os responsáveis por todas as guerras conhecidas!» Depois tentou intimidar o polícia dizendo que seria melhor não se meter com ele, pois era o dono de [quase] toda Malibú …

Desde o imperador (romano) Nero e por toda a Idade Média, cada vez que a Europa sofria graves crises (ex.: peste negra) os judeus eram sempre culpabilizados e perseguidos.

Pouco mais de um século antes de os PSS serem forjados, a revolta francesa contribuiu de sobremaneira para a divulgação de teorias da conspiração anti-semita consolidadas em prolixa literatura que se tornou muito popular no velho continente.

Em 1797 o jesuíta francês Abbe Barruel publicou um texto em que garante ter sido a Revolução Francesa obra de uma conspiração franco-maçónica. Em 1806 essa teoria foi adaptada a fim de que os “maus da fita” na destruição da monarquia passassem a ser os judeus.

Em 1882 a União Banqueira Católica enfrentava a bancarrota, deixando muitas famílias francesas de classe média sem o seu esforçado e vital pecúlio, enquanto que os bancos judeus prosperavam.

A facção de extrema direita da Okhrana utilizou os PSS com o objectivo principal de manipular o frouxo Nicolau II, instigando-o a se insurgir e tomar medidas musculadas/draconianas contra os que pretendiam uma mudança de regime, afastando igualmente alguns dos seus principais conselheiros que eram judeus. Vivia-se um período muito conturbado, estando prestes a rebentar a Revolução Bolchevique.

Em 1905 Nilus afirmou que os PSS eram fruto de um congresso sionista. Mas em 1906 George Butmi diz que, afinal, resultam de uma reunião maçónica…

A fósmea paranóica e xenófoba que foi construindo os PSS acabou por misturar judeus, com marxistas/comunistas e com franco-maçons, o que demonstra que a má fé dos que abraçavam essas teorias se baseava em pura ignorância. (ex.: nos séculos XVIII e XIX numerosas lojas maçónicas recusavam a admissão de judeus por estes não aceitarem Cristo como o seu Messias.)

O facto de Karl Marx ter identificado/reafirmado os judeus como símbolos da burguesia decadente, liderando o movimento capitalista global, contribuiu igualmente para a tragédia etnocida anunciada.

Entre 1919 e 1921 calcula-se que uns 60 mil judeus foram massacrados pelo Exército Branco, e os PSS foram uma das principais fontes ideológicas que inspiraram essa tragédia.

Nicolau II chegou a receber do seu Ministro do Interior, Piotr Stolypin, um relatório em que expunha a fraude dos PSS, o que deixou o Czar desapontado e Nilus numa posição muito precária junto da corte. Mesmo vendo o seu mundo desmoronar-se, Nicolau III teve a dignidade de se retractar em relação ao apoio entusiasta que inicialmente dera à divulgação dos PSS, chegando, em contrição, a afirmar que «não podemos defender causas puras com métodos sujos». Não obstante, tudo indica que Nicolau III continuou a servir-se dos PSS, para instilar o ódio como táctica contra-revolucionária, pois nessa altura chamou para junto de si Rachkovskii, dando-lhe carta branca para a divulgação do vil texto.

A revolução russa consuma-se em 1917. No ano seguinte toda a família imperial russa é executada sumariamente.

Os mais reaccionários apoiantes do regime czarista que conservaram dinheiro suficiente para procurar a continuidade de uma vida de privilégios noutras paragens, fugiram para ocidente, espalhando-se por toda a Europa e levando com eles o germe infeccioso dos PSS, que “atestavam” a sua odiosa convicção de que os judeus tinham arquitectado a revolução russa. (Creio que foi então que surgiu o mito de que os comunistas comem criancinhas, não passando de uma adaptação de outro absurdo calunioso que dizia que os judeus utilizavam um bebé cristão como o principal ingrediente da ágape ritualizada Matzah.)

Em 1919, Alfred Rosenberg, que era um dos principais propagandistas do Partido Nacional Socialista germânico, encarregou-se de divulgar amplamente os PSS. (Nos primeiros 2 anos em que foram publicados na Alemanha, os PSS tiveram 5 edições…) Para os alemães, este texto dava continuidade aos populares «Escritos Alemães», em que o seu autor, Paul Botticher, culpabilizava os judeus por todos os males desta civilização.

Mais tarde, Joseph Goebbels, o Ministro da Propaganda do governo de Hitler, serviu-se exaustivamente dos PSS, nomeadamente para produzir um pseudo documentário que se tornou o seu trabalho difamatório anti-semita mais conhecido, que se intitulava « O judeu Errante».

Em 1920, Lucien Wolf (do Concelho de Deputados Judeus) mobilizou todos os meios ao seu alcance para denunciar a falsidade dos PSS.

No ano seguinte, um correspondente do «The Times» em Constantinopla chamado Philip Graves, numa série de 3 artigos (publicados a 16,17 e 18 de Agosto), prova à Europa mais esclarecida e liberal que os PSS não passam de um plágio de uma obra satírica – que não contém referências especificamente anti-semitas – intitulada «Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu» (1884), cujo autor, um advogado parisiense chamado Maurice Joly, pretendia criticar, de forma mais ou menos velada, a política imperialista e despótica de Napoleão III. (O plano de acção concebido no inferno e defendido pela personagem que representa Maquiavel corresponde ao do líder de França à época.) A metáfora foi suficientemente clara para o imperador, e Joly foi mandado uns anitos para a cadeia.

Philip Graves deixou pouco espaço para dúvidas sobre a autoria dos PSS ser imputada a Rachkovskii, ao ter encontrado uma caixa de livros que pertencia ao referido oficial da Okhrana, onde estava o referido livro de Maurice Joly ao qual tinham sido arrancadas as primeiras páginas, começando a leitura (truncada) exactamente no ponto em que começa a ser plagiado para a elaboração dos PSS.

Antes da Okhrana plagiar e perverter a referida obra, o autor alemão Hermann Goedsche (que era secretário dos correios e espião da polícia secreta prussiana), sob o pseudónimo de Sir John Rectliffe, serviu-se igualmente dela para construir a sua série de novelas anti-semitas agremiadas sob o título «Biarritz» (1868), que relata uma hidra talmúdica (cujos lideres se reuniam, a cada 100 anos, no cemitério de Praga) que conspira para conquistar a dominância global, explorando e destruindo as outras etnias e culturas. No rescaldo da I Guerra Mundial, a profundamente humilhada Alemanha foi terreno fértil para estas absurdas teorias da conspiração que “incriminavam” os judeus, pois apresentavam uma explicação convenientemente simples e maniqueísta, com um demonizado inimigo culturalmente alóctone que era visto como a raiz do próprio mal; concomitantemente, desresponsabilizava todos os demais factores socio-económicos e oferecia um conforto psicológico aos alemães que preferiam aconchegar-se no papel de vítimas. Como agravante, os germânicos já tinham adoptado entusiasticamente o racismo académico de Gobineau, bem como a perversa e forçada interpretação da Teoria da Evolução de Darwin, a que chamavam “darwinismo social”. De recordar que, em 1879, no seguimento do popular livro de Wilhelm Marr intitulado «A Vitória do Judaísmo sobre o germanismo», criou-se a Liga Anti-semita…

Nos EUA, em 1935, Herman Bernstein também publicou uma elucidativa obra («A Verdade Sobre os PSS: a sua exposição integral»)em que desmascara os PSS, mas pouco pôde contra o clima de má fé anti-semita que estava mais propício a libar a peçonha ideológica de Henry Ford e de Adolf Hitler (o próprio Winston Churchil os defendeu, até que ficou provada a falsidade dos mesmos…).

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Ainda hoje este documento comprovadamente falso continua a disseminar a sua infecção ideológica anti-semita, sendo muito popular nos países árabes.

Na Rússia, só em 1993 é que um tribunal declarou «os Protocolos» como uma fraude, algo que estava provado desde a II Guerra mundial.

PB

quarta-feira, maio 02, 2007

«Para o capital, um bosque não tem valor até que seja destruído e convertido em madeira, do mesmo modo que as pessoas que cultivam a sua própria comida e se esforçam por satisfazerem as outras necessidades básicas fora dos mercados dominantes, são considerados uma perda económica.»- David Watson

Assim, cultivar uma horta e assegurar a perenidade dos bosques é um acto político maior!

Na verdade, a nossa civilização tecno-industrial, tal como a conhecemos, necessita continuar a destruir (de forma irracionalmente insaciável) a natureza para prolongar a sua existência – essencialmente ecocída. É essa a fatal premissa do crescimento económico em que se baseia o actual sistema industrial multinacional.

Marxismo nunca foi, nem em teoria, uma verdadeira alternativa e este sistema de exploração suicidária. Trata-se apenas de uma outra visão filosófica do capitalismo, o reverso da mesma moeda, já que advoga a continuação da intensificação da industrialização. A principal diferença social entre o capitalismo (neoliberal) e o marxismo é que este último defende que os meios de produção estejam sob o controlo do proletariado, levando a uma distribuição mais equitativa das riquezas pecuniárias. Os dois sistemas políticos exigem a total ausência de espiritualidade telúrica, a fim de que na demanda do controlo e exploração total da natureza, esta seja vista como um amontoado de recursos naturais que precisam de ser consumidos até à sua exaustão pelo homem industrial que deposita toda a sua fé na tecnologia. O marxismo é impulsionado pela mesma voracidade rapace no seu projecto de totalitarismo tecno-industrial; tal como o capitalismo ocidental, mostra um desrespeito desumanizante pelos grupos resistentes à economia de mercado (global, estatal e corporativo), que desenvolveram estruturas sócio-económicas idiossincráticas e sustentáveis na sua harmonia libertária com a Terra (ex.: povos tribais). Capitalismo e marxismo, inequivocamente, deixam um rasto de destruição ambiental insustentável num mundo superpovoado, mas tecnologicamente desumanizado, escravizado; vazio de espiritualidade telúrica.

«O mercado institui a escassez de uma forma sem precedentes e num grau nunca antes atingido. Na realidade, a condenação aos trabalhos forçados perpétuos foi apenas sobre nós que recaiu. A escassez é a sentença decretada pela nossa economia, constituindo também o axioma da nossa economia política: a aplicação de meios escassos para a realização de objectivos seleccionados com vista a obter, em tais circunstâncias, a maior satisfação possível. E é precisamente do alto desta inquietante superioridade que encaramos os povos tribais: se o homem moderno, aparelhado com todas as suas superioridades técnicas, continua a não dispor do estritamente necessário, como poderia então o selvagem nu, com os seus simples arcos e flechas? A questão é resolvida da seguinte forma: atribuindo ao caçador motivações burguesas e instrumentos paleolíticos, decretamos de antemão que a sua situação é desesperada.» - Marshall Sahlins

Aceras antropophorum



(…) A man must be ready for death

Always, as sound must always be ready

For silence. There are of course contrary yearnings,

Called information and music, but call it

Laughter or call it

Beatitude, a good joke is the most you can ask.

- Robert Bringhurst

(Tradução)

Um homem tem sempre que estar pronto

Para a morte, tal como o som precisa de estar pronto

Para o silêncio. Obviamente, há anseios contrários,

Chamados informação e música, mas chames-lhe

Riso ou chames-lhe

Beatitude, não podes pedir mais que um bom gracejo.

domingo, abril 15, 2007

1,8 milhões de crianças no mundo são vítimas de abusos sexuais Sónia Correia dos Santos

A organização humanitária Save The Children revela que 1,8 milhões de crianças no mundo são vítimas de abusos como prostituição, pornografia ou turismo sexual. A denúncia é feita no documento intitulado "As pequenas mãos da escravatura".
A organização apresenta ainda, no relatório divulgado domingo, dados sobre a situação mundial de milhões de crianças nas oito formas mais relevantes de escravatura: tráfico de crianças, exploração sexual, trabalho infantil como pagamento de dívidas, trabalho forçado em minas e na agricultura, crianças soldados, casamentos forçados e escravatura doméstica.
Segundo a directora da organização, Jasmine Whitebread, a "escravatura infantil é uma dura realidade para milhões de crianças e os governos não fazem o suficiente para responder a este problema". "Os líderes mundiais têm de actuar urgentemente para acabar com a escravatura infantil e aplicar leis e recursos necessários para erradicar estas práticas terríveis", frisa.
São mais de 50 países de África, Ásia e América do Sul em que estas situações são flagrantes.
De acordo com o documento da Save The Children, 1,2 milhões de crianças são anualmente vítimas de tráfico, um negócio identificado como de "baixo risco e altos lucros", que rende 24 mil milhões de euros.
O relatório revela que, só na Índia, 15 milhões de crianças são forçados a trabalhar para pagar dívidas, enquanto um milhão, em todo o mundo, arrisca a vida em minas. 132 milhões de crianças com menos de 15 anos são forçados a trabalhar na agricultura sem hipótese de fuga, expostas a pesticidas, maquinaria pesada e ferramentas perigosas. A organização internacional reconhece também que mais de 300 mil menores de 15 anos são usados como soldados. O caso mais flagrante foi identificado na República Democrática do Congo, onde estão detidas 11 mil crianças por grupos de combatentes. Mas Angola, Afeganistão, Serra Leoa e Sri Lanka também fazem parte da lista.
O casamento forçado é outra das formas de escravatura. Em todo mundo são obrigadas a casar mais de cem milhões de meninas antes dos 18 anos, algumas deles têm apenas quatro anos. Em todo o mundo há ainda milhões de crianças que trabalham quase 15 horas por dia no serviço doméstico, sem qualquer possibilidade de irem à escola.
Sónia Santos

sábado, abril 14, 2007


«Quando as crianças se portam mal temos que bater-lhes no rabo três vezes: uma pelo Pai, outra pelo Filho, e a última pelo Espírito Santo… É melhor para elas.» (Anónima. Mãe russa de São Petesburgo)

quinta-feira, abril 12, 2007

Henry Ford, conhecendo bem a perversidade do sistema industrial-capitalista que ajudara a implementar, disse que: «há 2 maneiras de levar as pessoas a trabalhar: a apetência pelo salário e o medo de o perder.»

Entretanto, sem suscitar a atenção dos jornalistas (que, nos EUA, maioritariamente estavam empregados por amigos seus), este magnata apoiou intensamente a ascensão política de Hitler e do seu partido nazi-fascista, fazendo com que as maiores corporações estado-unidenses beneficiassem de trabalho escravo proveniente de campos de concentração. Mesmo na “terra das oportunidades”, Henry Ford contratou um bando de “gorilas” (a maioria dos quais ex-presidiários) para intimidarem e espancarem todos os trabalhadores que estivessem ligados a actividades sindicais, ou simplesmente para manter o ritmo de produção elevadíssimo.

Até Isaac Newton, cujo nome ficou para a posteridade emoldurado no título de «benfeitor da humanidade», inventou um sistema de choques eléctricos para espevitar os seus empregados e colegas (assim reduzidos a híbridos de reses e de autómatos da produção capitalista) no posto de trabalho. Durante o curto período que durou esta experiência, mereceu aplausos por parte da elite. Agora basta-lhes condescenderem em reconhecer a encenação formal do bem policiado direito à greve, ou então, concentram as suas unidades de produção em Zonas de Produção Especial, que são infernos sociais e ambientais, ligados a governos corruptos e repressivos…

O grande desenvolvimento económico que se verificou na ex-URSS no início da Guerra Fria, deveu-se à mão d’obra escrava concentrada nos gulags de Estaline (que fizeram mais vítimas do que os campos de concentração nazis, mas sem suscitar a mesmo interesse moralista, compaixão e indignação do resto do chamado “mundo livre”).

Nem é preciso ir tão longe. Aqui ao lado, em Espanha, Franco negociou o trabalho de dezenas de milhar de prisioneiros políticos com empresas nacionais que assim reconstruíram a Espanha reduzida a escombros (devido à guerra civil), enriquecendo e tornando forte a economia do país mesmo antes da adesão à União Europeia.

Perto de 500 mil espanhóis passaram por mais de 100 campos de concentração. A “magnanimidade” do caudilho perante os republicanos, liberais e progressistas - que pretendeu erradicar da face da terra (com a bênção, ou seja, a cumplicidade activa, da Igreja Católica, que legitimou esse projecto genocida ao declará-lo uma «cruzada») – mostrou-se com a oferta da redução de 2 dias da pena de cárcere por cada dia de trabalho para o Estado e para as empresas em conluio. (Os que trabalharam no faraónico mausoléu chamado «Vale dos caídos», chegaram a ver essa redução de pena numa relação de 1 para 6 dias.) Da miséria que os prisioneiros recebiam das empresas, 76% era rapinado pelo Estado. Tal rendeu ao Estado o equivalente hodierno a 610 milhões de euros (e isto são números obviamente modestos porque foram fornecidos pelos militares).

Tal como nas unidades fabris de Auschwitz se podia ler o slogan monstruosamente sarcástico «o trabalho liberta-nos», Franco justificava publicamente o referido programa de “reabilitação” nos seguintes termos:«[é necessário] redimi-los da sua existência de párias através do trabalho.» (…) «Os que eram os despojos de Espanha, tornaram-se pessoas úteis.»

Muitos milhares foram assim mortos pelo trabalho forçado. Os sobreviventes continuam vítimas de um pacto de silêncio entre as forças políticas que emergiram e ascenderam ao poder após a morte de Franco; unanimemente, concordaram que esse seria um preço pequeno a pagar pela estabilidade dos militares com os dedos nervosos nos gatilhos…

Ironicamente, foi a “democracia” que condenou os sobreviventes dos campos de concentração espanhóis a tornarem-se párias históricos… Estes prisioneiros (incluído mulheres e crianças) que, em muitos casos, chegaram a conquistar a admiração dos seus algozes, devido às demonstrações de dignidade estóica e de integridade idealista, deixando florescer a solidariedade e até o sentido de humor, onde parecia só haver espaço para a dor, o desespero e a amargura, actualmente vivem com o seu terrível passado obliterado para que as “consciências democráticas” possam continuar mergulhadas no “sono dos justos”… A juventude nem sequer acredita nas estórias destes velhotes sem direito a reivindicarem uma memória colectiva feita de horrores que deveriam servir, não para vinganças, mas, pelo menos, para alertar aqueles que acham que a democracia é um dado adquirido inalienável.

Existem mais escravos hoje em dia do que em qualquer outro período da história. Estima-se que o seu número se situe entre 40 a 80 milhões. As suas vidas são menos valorizadas do que as dos africanos capturados e comercializados pelos esclavagistas europeus há quatro ou cinco séculos, porque são muito mais facilmente substituíveis;

As corporações têm um poder que humilharia qualquer ditador, pois não há um único recanto do planeta que esteja a salvo da sua ganância rapace; os seus saques são legitimados pela Organização Mundial do Comércio (com a ajuda do banco Mundial e do FMI, além das forças armadas que obedecem a governos corruptos), colocando-se acima das legislações de cada país e do direito à auto determinação dos povos – começando pela sua independência económica e redistribuição equitativa da riqueza.

PB

segunda-feira, abril 09, 2007

A origem do anti-semitismo

Nos seus primórdios, o cristianismo era basicamente o
judaísmo.

Transcorreram várias décadas após a alegada morte de Cristo até que os evangelhos começassem a ser escritos.

Presumivelmente, o primeiro foi o de Marcos, na década de 60 (do 1º século), pouco antes, ou no início da grande revolta judaica (66-70). O último foi o de João, lá pelo ano 90 d.C.. Mateus e Lucas empenharam-se em melhorar o texto atribuído a Marcos.

Vivia-se o paroxismo da perseguição romana contra os cristãos, e a própria comunidade judaico-cristã, que tentava reorganizar-se para sobreviver, estava a sofrer um cisma devido a irreconciliáveis conflitos internos de cariz teológico. O principal pomo de discórdia derivava da dúvida de se Jesus Cristo era, ou não, o Messias.
Como é costume, a versão que ficou para a posteridade é unilateral e não poupa esforços para denegrir os seus adversários.

A elaboração dos evangelhos reflecte o agudizar desses conflitos. Os seus autores afastaram-se gradualmente dos líderes judaicos. Os episódios e os diálogos que foram acrescentando reflectem bem/com clareza esse antagonismo azedo – que, no caso do relato da
crucificação de Cristo, acabou por originar um anti semitismo secular, pois culpabiliza todo um povo (os judeus) pela morte de Cristo, enquanto que os romanos, e particularmente o seu representante Pilatos, foram
praticamente ilibados.
(Mateus 27: 15-26 ; Marcos 15: 6-15 ; Lucas 23: 13-25 ; João 19: 1-16)

Os membros da Igreja (cristã) primitiva procuraram demarcar-se publicamente dos judeus também para não sofrerem mais represálias das autoridades romanas furiosas com a revolta na Judeia.

No evangelho de Marcos, Judas não é apresentado como um vilão traidor. Mas em Mateus (escrito 10 a 12 anos depois) Judas faz a sua aparição como o discípulo que entregou o Messias às autoridades com um beijo infame. (Não obstante, ao saber que Jesus Cristo, ao invés de, como tinha planeado, não se tinha limitado a responder perante as autoridades religiosas lideradas por Caiafás, sendo entregue aos romanos, judas apercebeu-se da gravidade da situação e, consumido por remorsos, enforcou-se.)

No evangelho de João (divulgado quando os gentios já tinham consumado a apostasia com os judeus, e os gentios já dominavam o novo culto), Judas é a encarnação do mal.

Outros escribas do Novo Testamento (ex.; Paulo e João de Ptamos) mediam as palavras e falavam metaforicamente para se referirem à opressão de Roma, mas não tiveram o mesmo pudor medroso em atacar os judeus.

Os judeus (tradicionalmente retratados com uma aparência grotesca, pelo menos a partir do séc. X) simbolizavam todos os heréticos que duvidavam da ressurreição de Cristo, renegando-o. Como tal, foram apodados de agentes de Lúcifer.

O proeminente teólogo Hipólito (170-236 d.C.) estipulou oficialmente que o Anticristo será de origem judaica, enfatizando o preconceito anti semita que frequentemente culminou em massacres gratuitos.

Hipólito era discípulo de Irineu, que, por sua vez, foi doutrinado por Policarpo, e este último pelo apóstolo João. Portanto, pertencia à linha avançada de teológos fundamentalistas que se especializaram em escatologia e na luta contra todas as formas de heresia – em especial o nascimento do gnosticismo, que perseguiram com a mesma ferocidade que dedicavam ao judaísmo e aos islamismo.

No séc. IV, o bispo Augustino destilou todo o seu ódio anti-semita enfatizando a já popular correlação entre Judas e o arquétipo dos «malditos judeus que traíram e mataram Jesus Cristo», que era facilitada até pela aproximação fonética entre as palavras judeus e Judas tanto em hebraico como em grego.

No séc. XIII, o Papa Gregório IX, O Grande, inflamou o ódio anti-semita declarando que o Talmude é de inspiração demoníaca. De seguida, organizou uma grande queima pública (em Paris) de talmudes apreendidos em quantidade tamanha que encheram 24 carroças.

(REP) Só em 1964 é que o Vaticano realizou um concílio com o propósito de ilibar os judeus pela morte de Cristo, considerando que o filho de Jeová sujeitou-se de livre vontade à sua paixão e sacrifício fatal «para nos salvar» (?!).

No livro dos Actos dos Apóstolos Pedro contraria a versão (evangélica) de Mateus quanto ao destino de Judas após a sua traição a Cristo. Assim, ao invés de Judas se ter arrependido profundamente; devolvendo o dinheiro que os sacerdotes lhe deram em troca de Cristo; suicidou-se logo a seguir, enforcando-se numa figueira; Pedro afirma que Judas usou o ignominioso pecúlio para comprar um terreno e nele viria a morrer devido a um acidente. (Pedro 1:18)

É inconcebível que Judas pudesse viver tranquilamente na comunidade hebraica após ter entregue um dos seus às forças opressoras. Certamente que, para além de ser considerado de imediato um pária, não tardaria muito a ser executado pela justiça popular devido a ter cometido o pior dos crimes para os judeus.

Para Lucas e João, Judas estava possuído pelo demónio, sem que essa apreciação tivesse qualquer intenção de o desresponsabilizar pela traição ao Messias e aos seus fiéis seguidores. Pelo contrário. Fez vingar a ideia de que os da laia de Judas (ou seja, os judeus) são mais propensos a compactuar com as forças do mal.

A biblioteca Nag Hammadi é constituída por mais de 30 documentos encontrados no sul do Egipto em 1945. Esses papiros datam dos séculos III e IV. Tratam-se de cópias em língua copta (provavelmente adaptadas do grego). As datas dos respectivos originais são impossíveis de determinar pelo simples facto de que se encontram perdidos.

Dos 114 ditos atribuídos a Jesus Cristo que podem ser encontrados nos manuscritos Nag Hammadi, 70 têm correspondência com os evangelhos canónicos.

O evangelho de Judas (que, na última década de 90, fez furor no mundo científico, mais até do que entre os teólogos) provém da mesma região, partilhando ainda a linguagem e os conceitos gnósticos.

Testes com recursos à técnica do radiocarbono apuraram que se trata de um documento original do séc. III.

O início da cristandade foi marcado por uma expansão fragmentada do culto, com numerosas seitas e grupos de oração mais ou menos heréticos a reivindicarem a exclusividade do acesso directo a Cristo e a Jeová. Os evangelhos pelos quais se guiavam ultrapassavam as 3 dezenas de versões.

No ano 180 (d.C.) o bispo Irineu destacou-se de entre a linha dura dos líderes cristãos ortodoxos (não estou a falar da que seria a Igreja do Oriente) ao ter a última palavra na escolha dos evangelhos que conhecemos no Novo Testamento. Não se sabe ao certo que critérios foram determinantes para justificar a rejeição de muitos evangelhos, escolhendo apenas 4. (a propósito, os argumentos que Irineu nos legou são idióticos e vagos, já que se limitou às premissas de que «se existem apenas 4 cantos da Terra; 4 pontos cardeais da Rosa dos Ventos e 4 ventos principais; então também só deveria haver 4 evangelhos…)

Os evangelhos então eleitos são os que apresentam uma maior clareza na exposição das ideias e que, consistentemente, obedecem a uma estrutura narrativa clássica, contando a vida de Cristo desde o seu nascimento à sua morte.

Irineu era particularmente avesso ao evangelho de Judas, quase ficando à beira de um ataque apopléctico pelo facto do homem que acreditava ter traído (de morte) Cristo ter um evangelho escrito em seu nome e que, não apenas o ilibava da traição mas, transformava-o num herói redentor que possibilitou ao Messias a libertação do seu espírito superior, deixando morrer a prisão corporal, impura pela sua humanidade. Judas é ainda retratado como o discípulo que melhor compreendia os obscuros desígnios de Cristo. Por isso, esse evangelho foi proscrito e esteve desaparecido durante 17 séculos.

Paul dos Patudos
Invulgar encontro de gerações

quinta-feira, abril 05, 2007


Num folheto referente a um concurso de fotografia e de poesia (integrado nos XVI Jogos Florais da Junta de Freguesia da Ameixoeira, 2004) , e subordinado ao tema «As Florestas”, podia ler-se que um dos «serviços ambientais»(sic) que as florestas prestam ao homem é a «retenção de lixos»(sic). Será que queriam dizer que a floresta desempenha um papel fundamental ao manter sob controlo a acção dos elementos erosivos, e que a retenção de inertes assegura a fertilidade dos solos, evitando simultaneamente que os cursos de água fiquem completamente assoreados? Chamar lixo precisamente à parte fértil dos solos é um erro imperdoável. A manta morta não deve ser confundida com uma mortalha de lixo.

Esta é quase tão boa como a hipocrisia descarada dos que conceberam o site da CM de Alpiarça, quando se referem à importância de preservarmos a água e o meio ambiente em geral, escolhendo para ilustrar a cartilha de lugares-comuns "politicamente correctos" e vazios, precisamente imagens de espelhos d'água que estão por demais degradados devido à incúria criminosa da autarquia!...

quarta-feira, abril 04, 2007


10 anos após a generalização das agroculturas geneticamente modificadas (GM), o Centro de Ciência e Política Ambiental reportou um aumento no uso dos agroquímicos (que no caso do milho corresponde a mais 30 por cento por acre).

Num estudo recente que abrangeu 18 mil campos de cultivo nos E.U.A., chegou-se à conclusão que, em média, a produtividade das culturas transgénicas é menor que as convencionais (em menos 4%, mas nalguns casos em menos 10%). Complementarmente, o Dr. Charles Benbrook, do North West Science and Environment Policy Center of Sanpoint, demonstrou que a cultura da soja transgénica comercializada pela Monsanto utiliza mais 11,4% de herbicida (da mesma empresa) do que a soja convencional, pois “ervas daninhas” têm desenvolvido uma maior resistência a esse agroquímico.

Outras multinacionais optam por, na fonte, impregnar as “sementes castradas” com quantidades ingentes dos seus pesticidas e de bactérias geneticamente modificadas (ex.: Bacillus subtilis). Quando não conseguem escoar toda a produção (visto que a validade das sementes expira com rapidez), despejam esses resíduos tóxicos perigosos no chamado “3º Mundo”. De entre muitos exemplos possíveis, cito o caso da empresa norte americana Delta & Pine Land Co. Que em 1998 depositou o seu lixo tóxico na pacata e desprotegida povoação de Rincon-í, no Paraguai, tendo provocado intoxicações letais nos desavisados habitantes locais, além do inquinamento de terras e dos lençóis freáticos. Este caso não difere substancialmente do ocorrido após a primeira Guerra do Golfo (promovida por Bush pai), quando o exército norte-americanos foi despejar o seu arsenal químico (que não chegou a ser utilizado contra os iraquianos) extremamente tóxico numa baía no norte da Filipinas. Desde a Segunda Guerra Mundial que os EUA mantêm bases militares nas Filipinas. Os estaleiros dos seus barcos e aviões de guerra sempre produziram uma enorme quantidade de resíduos tóxicos (ex.: amianto, mercúrio, chumbo, PCB, FBT, dioxinas, etc…) que, mais cedo ou mais tarde, acabariam na baia de Subic. (Pergunto-me o que terão estes tipos arrojado ao mar dos Açores durante todos estes anos que têm ocupado a Base das Lajes…)A saúde dos filipinos que consumiam essas águas inquinadas deteriorou-se de tal forma que o caso atraiu a atenção da comunidade internacional. Carolina, a princesa de Hanover, encabeçou uma forte campanha de solidariedade a estas vítimas – que não têm recursos suficientes para custearem os tratamentos. (www.amademondiale.org/)

O exército yankee foi chamado a prestar contar, ou melhor, a pronunciar-se sobre este atentado ecológico. A resposta é que não satisfez ninguém. Os responsáveis pela superpotência militar afirmam que nos contratos que assinaram (sob coação) com o governo das Filipinas, não existe nenhuma clausula que os obrigue a limpar a sua porcaria letal. O Congresso (dos EUA) produziu (em 1992) um documento a esse respeito um relatório que concluiu que “os custos da remoção e limpeza desses resíduos tóxicos são demasiado elevados.” (sic)

Igualmente esquecidas estão dezenas de toneladas de armas de armas químicas abandonadas pelas tropas estado-unidenses e britânicas no Panamá, em relação ás quais o governo NA afirma que não vê justificação para mobilizar meios destinados a limpar esse seu lixo tóxico «em terras não aptas ao desenvolvimento urbanístico, residencial ou comercial» (sic). Isto apenas significa que não se trata de uma área (florestal) onde os yankees tenham esse género de investimentos, mas não deixa de ser o lar de muitos panamenses que vivem na aflição de que os seus filhos sejam vítimas de bombas de gás mostarda que pululam pelas matas em redor das suas casas.

Os média, em vez de se preocuparem tanto com a liça futebolística, deveriam mostrar os horrores de que estão a padecer estas populações vítimas inocentes do imperialismo inimputável inerente a esta globalização corporativista…

É deveras intrigante que a conhecida multinacional Bayer ( que produz e comercializa produtos farmacêuticos, agroquímicos e OGMs) tenha escolhido, de entre os seus funcionários-modelo, para proferir o discurso de abertura das comemorações dos seus 50 anos de vida (desde que foi reestruturada em 1951), um dos cientistas responsáveis pela criação, durante a II Guerra Mundial, do gás Ziklon-B. Este gás (que é um pesticida) foi encomendado por oficiais nazis de propósito para executarem judeus, negros, ciganos e outras minorias étnicas e religiosas, homossexuais e vários outros indesejáveis ao 3º Reich, nas hediondas câmaras de gás. Finda a guerra, provou-se em tribunal que o referido cientista tinha conhecimento de uso pretendido para a sua sinistra invenção. Por isso passou sete anos na cadeia. Agora é um dos “excelsos crânios” que inventa a comida que vamos buscar ao supermercado...

Mais alguns exemplos dos crimes corporativos da Bayer:

- No final do séc. XIX, início do séc.XX, a Bayer comercializou heroína;

- em 1925 a Bayer fazia parte de um cartel corporativo que viria a fundir-se com o nome de IG Farben. Esta, durante a II Guerra Mundial, utilizou mão de obra escrava fornecida pelos nazis (a partir dos campos de concentração) e foi responsável pela criação e comercialização do gás Zyklon B, para além de ter usado esses prisioneiros como cobaias, injectando-lhes germes drogas que seriam utilizados numa possível guerra química e/ou biológica. Não só os seus cientistas trabalhavam nos campos de concentração fazendo dos prisioneiros cobaias, como também essa empresa subsidiou as experiências horríficas do Dr. Mengela, mais conhecido como “o anjo da morte”.

A IG Farben tinha acesso facilitado/privilegiado a matérias primas e a empréstimos durante o regime nazi devido a que os quadros administrativos da empresa ocupavam também altos cargos no partido nazi. E como controlavam ainda o monopólio da borracha sintética e, em conluio com a empresa NA Standard Oil, asseguravam parte do fornecimento ao exército dos combustíveis sintéticos, foi enorme a sua responsabilidade nos esforços de guerra dos alemães.

No Tribunal de Nuremberga (1947) os executivos e cientistas da Farben foram condenados por crimes de guerra, mas, estranhamente, o Tribunal Americano ilibou-os dessas acusações…Na caça ao cientista em que se empenharam as potencias aliadas após a guerra, o governo NA chegou oferecer emprego a alguns destes facínoras…

Essas práticas não foram, de todo, banidas pela Bayer até aos nossos dias. A Bayer não tem poupado esforços em, manobras de bastidores para que a administração Bush (mais concretamente através da Agências de protecção Ambiental – EPA) levante a moratória aos estudos sobre a toxicidade em que, deliberadamente, submetem humanos aos efeitos dos pesticidas. A emprega germânica alega que esses testes são necessários e que todos os que se submeteram ao contacto com os tóxicos eram “voluntários”. Pois, quando se é pobre, a troco de umas somas ridículas, as pessoas “volutearam-se” a qualquer coisa. Do mesmo modo que chamamos voluntários – e não mercenários – aos que se alistam no exército com o único propósito de escapar à pobreza e ao desemprego. É de admirar que o Bush e Blair não tenham autorizado essas experiências nos seus prisioneiros considerados “combatentes inimigos”…

As provas mais recentes de que a Bayer tem utilizado humanos como cobaias em experiências com pesticidas remontam a 1998, num estudo (realizado na Escócia) para determinar os efeitos fisiológicos do insecticida baseado em metilo de azimfos (???) (um químico derivado de um organofosfato originalmente desenvolvido e utilizado como um gás com capacidade para destruir o sistema nervosos central durante a II Guerra Mundial).

Tais práticas violam leis federais (dos EUA), o Código de Nuremberga, a Declaração de Helsinkia; vão contra as deliberações do painel de aconselhamento científico da EPA e são consideradas aberrantes de acordo com as legislações e a ética científica e a moralidade de qualquer nação dita civilizada.

A Bayer não é única empresa a testas (na “segurança” dos laboratórios) pesticidas em humanos. Junto da EPA foram entregues mais 10 estudos que recorrem a esta metodologia abjecta provenientes de diferentes entidades. Se a EPA ceder às pressões da Bayer, abrirá um precedente extremamente perigoso.

Em 1988, durante a administração de Bush sénior, o então Director da EPA proibiu a agência de utilizar dados referentes a experiências semelhantes conduzidas pelos nazis.

A política que estão agora a submeter os consumidores (vítimas dos seus pesticidas e dos seus OGM), no essencial, não difere muito das suas práticas durante o regime de Hitler. E nem o seu departamento de farmacologia foge à regra. Eis um exemplo disso: em 1989 a Bayer tinha em seu poder estudos que demonstravam claramente a ineficácia do seu antibiótico comercializado com o nome Ciprox; quando este entrava em contacto com outras drogas, perdia muita da sua capacidade bactericida. Mas a empresa estava (e está!) mais interessada nos lucros comerciais imediatos, do que em proteger a saúde pública, deixou que, pelo menos, 650 pessoas arriscassem as suas vidas no bloco operatório sem que os médicos fossem informados das deficiências do Ciprox.

Nos Andes peruanos, uma comunidade de campesinos foi recentemente abalada pela morte de 24 crianças, além de outras 18 terem ficado gravemente lesionadas, em consequência de um envenenamento colectivo causado por um pesticida da Bayer. As vítimas desta tragédia julgaram tratar-se de leite em pó. O seu erra (fatal) justifica-se pelo facto de que o pesticida em causa (comercializado com o nome “Folidol” e cujo principal agente químico activo é o químico metilo paratião) foi vendido a agricultores analfabetos e que só falavam quechua em embalagens semelhantes às do leite em pó e com indicações em espanhol – sem elementos gráficos que o identificassem como tóxico.

Claro que nem todos os cientistas da biotecnologia agem de má fé; alguns são mesmo movidos por ideais nobres. Mas não é paliando os sintomas dos problemas (ainda por cima brincando aos aprendizes de feiticeiro) que vamos solucionar as desigualdades sociais e a degradação dos recursos naturais. Todo esse esforço intelectual, técnico e financeiro deveria estar canalizado para encontrarmos soluções realmente sustentáveis para a agricultura mundial, em vez de forçarmos a abertura da “caixa de Pandora”, que, no mínimo, nos afasta das soluções sustentáveis.

PB

terça-feira, abril 03, 2007

Era uma vez um puto burrinho e inculto de meter dó. Assim o confirmam os seus antigos colegas e professores aqui do Ribatejo. Os outros jovens que com ele conviviam asseveram que não tinha jeito para nada, nem cultivava valores sociais dignos desse nome. E adiantam que ele só conseguía passar nos testes com recurso a carradas de cábulas e até costumava ir bêbado para os treinos de andebol.

Bem, o idiota mimado em questão era um principezinho. Cumprindo o seu “destino”, lá foi para a universidade. Claro que no “país dos doutores” qualquer imbecil pode tirar um curso “superior”, bastando para tal ter um mínimo de memória (apenas para papaguear de forma acrítica as informações impingidas), capacidade de bajulação e algum dinheiro. Deste modo, passam a pertencer a uma casta superior, capazes de ocupar qualquer cargo de chefia e com licença para explorar os “intocáveis”. *

* Esta polémica acerca do canudo do José Sócrates é mesmo típica do “país dos doutores”, onde reina a ignorância pedante. Em primeiro lugar, algumas das mentes mais brilhantes do mundo, assim com renomados políticos, enveredaram por caminhos que não incluíam títulos académicos. Depois, mesmo que o nosso Primeiro Ministro tenha tirado uma licenciatura sem irregularidades (o que é duvidoso…), o treino académico que recebeu nada tem que ver com as suas competências no governo. Por último, mesmo que se viesse a provar que José Sócrates obteve um diploma de forma fraudulenta, até parece que seria a primeira vez que ele mente aos portugueses e de formas que nos afectam muito mais, mas que não geram tanta celeuma. Abram os olhos, carago!!!

O curso que escolheu é dos favoritos para os que almejam o poder. Mas, no seu (medíocre) desempenho académico houve algum indício de que poderia ter uma ascensão meteórica na futura carreira profissional? Não, mas tampouco necessitava de se preocupar em mostrar talento e diligência, pois o seu pai era um reizinho da Merdaleja, com alguma habilidade e muita experiência em negociatas, golpadas, caciquismo e conluios políticos. Ainda por cima, usava as mesmas cores heráldicas do governo que, para “variar”, vivia de costas voltadas para as necessidades reais do povo. Assim, o ditador corrupto das “partes baixas” deste “jardim à beira mar plantado” mexeu os cordelinhos junto dos seus aliados político-corporativos (o que inclui alguns membros da maçonaria) a fim de lançar o seu filho na carreira política, quando ainda tinha a tinta do canudo universitário a cheirar a fresco. E começou bem pelo alto, como assessor de um secretário de Estado qualquer.

O nosso príncipe da Merdaleja (segundo se pode apurar na Internet) nem se preocupava em comparecer a entrevistas (para as quais até estava convocado) de emprego para cargos (ex.: gerente de uma Loja do Cidadão) que qualquer um com as suas habilitações lutaria com unhas e dentes para conseguir.

A não ser que faça jus à sua linhagem, revelando-se um sacana corrupto, hábil em jogos de bastidores e nos mais estratégicos conchavos na escalada da hierarquia do poder central , creio que a sua incompetência profissional não tardará a revelar-se um embaraço demasiado grande como para ser sustentado pelas cunhas do pai. Não há problema. Ainda existem muitas empresas públicas com tachos principescos que estão praticamente imunes aos escrutínio público.

Claro que estes escroques estão-se a cagar para as centenas de milhar de desempregados que este país tem. Até lhes dá um jeitão, pois os tubarões corporativos (aos quais os políticos baixam as calças, recebendo em troca muito dinheiro e cargos de elevado poder para chularem os pobres) querem que as pessoas estejam de tal modo desesperadas que aceitem as mais precárias condições de trabalho.

Assim não admira que haja tanto abandono escolar em Portugal. A maioria, por mais que se esforce, se não tiver chunhas fortes, não vingará por mérito próprio.

Meritocracia, os tomates!! Nem sequer vivemos numa democracia, meus amigos!


Segredos e conluios da carneirada que julga ter os cornos acima da carneirada…

Se colocássemos câmaras ocultas (e respectivos microfones) em muitas câmaras municipais de maioria PS, certamente que, no segredo da intimidade que se deseja inviolável, com frequência registar-se-iam diálogos do género:

«Querido, o que eu mais gostaria era que arranjasses para nós um lugar na Assembleia da República, ou mesmo como gestores da EPUL. Assim, poderíamos deixar para trás a Merdaleja (longe da plebe malcheirosa que insiste em lixar-nos as negociatas) e instalar-nos confortavelmente na Corte de Lisboa. Se esse sonho se realizasse, podíamos até mandar à merda os nossos esponsais e arranjar para os nossos filhos uns tachos como assessores de secretários de Estado, ou em milionárias empresas públicas de gestão duvidosa. Quando a nossa cor política passar para a “oposição”, provavelmente já estaríamos no Parlamento Europeu.

Ah, se algum dia aqui regressássemos para passar uns dias com a família, certamente que seríamos recebidos como heróis por esta cambada de ignorantes graxistas.»

quinta-feira, março 29, 2007

A cartilha do sexo reprodutivo

É curioso que, para além da adoração monoteísta, a coisa que claramente os distingue dos outros povos que desprezam é a seu comportamento sexual [diferente]; o único aprovado por Jeová, mas de moralidade muito dúbia, ou não estivesse a bíblia cheia de casos de incesto e violência sexual por parte dos protegidos de Jeová.

Vejamos a narrativa bíblica de Loth (sobrinho de Abraão). Este, a fim de proteger da curiosidade hostil por parte dos homens de Sodoma os dois anjos que o visitaram, tenta aclamar os ânimos entregando à turba as sua filhas virgens: « eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram varão; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for a vossos olhos; somente nada façais a estes varões(…)»(Génesis 19:8)

Mais tarde, habitava Loth uma caverna nas colinas que partilhava com as suas filhas, e chegou a ser pai-avô! (Génesis 19: 30-38) Esta violação incestuosa constitui um embaraço espinhoso que a Igreja tenta sacudir com explicações demasiado forçadas e indulgentes.

Coerente com a sua misoginia, a bíblia atribui (mas sem se deter em juízos de valor) a exclusiva responsabilidade deste bizarro episódio às filhas de Loth. Como é que um idoso demasiado bêbado para ter consciência dos seus actos consegue ter relações sexuais e engravidar as duas jovens numa noite?! O relato indica-nos ele conseguiu esta proeza sem a ajuda de Jeová. Estes patriarcas bíblicos têm porras!...

Para os não crentes nestas baboseiras, se as raparigas engravidaram durante a sua convivência com o seu pai num ermo, o mais provável é que tenham sido violadas com frequência pelo velhote…

Segundo os seguidores das religiões abraâmicas, toda a humanidade provém de
relações incestuosas (com quem teriam então acasalado Caín e Abel, senão
com as suas irmãs, assim como os seus descendentes mais próximos?).

E onde é que está essa diferença em termos de comportamento sexual? Por mais que leia a bíblia e a história das religiões judaicas, cristãs e muçulmanas (que têm uma origem comum) só encontro um dominador comum que justifique essa diferença de comportamentos sexuais: o repúdio ao desperdício de esperma (começando pelo episódio de Onan & Tamar logo no livro do Génesis).

O Velho Testamento tolera a violência sexual, os incestos e a prostituição, mas não as práticas sexuais que não conduzem à fecundação. Isto parece-me típico de uma minoria étnica ameaçada que, para além da conversão, procura na demografia a sua sobrevivência e a conquista dos seus opressores. (A hierarquia patriarcal rígida e a imposição da obediência sem pensamento crítico são igualmente características de um povo envolvido em conflitos bélicos de longo termo.)

Os maiores heróis do Velho Testamento são varões que tiveram carradas de filhos. Logo no Génesis (15:5), Jeová promete a Abraão que a descendência do principal patriarca seria numerosa como as estrelas do céu.

A infertilidade é considerada uma maldição de Deus (tal como podemos verificar no caso de Raquel, a esposa favorita de Jacob).
Para os devotos a Jeová, sempre que o sexo se consuma em relações em que a fecundação resulta impossível, adquire um carácter pecaminoso. Quando tal envolve homens (ou seja, desperdício de sémen), “a semente da vida” torna-se na maior das imundices, sendo colocado no mesmo “saco” tanto a homossexualidade como o bestialismo. Por exemplo, se um homem tiver sexo com um animal (irracional), as antigas leis judaicas determinam que deverão morrer os dois, pois os animais assim conspurcados (e quiçá até viciados, valha-nos deus!...) não poderão ser consumidos e menos ainda oferecidos em holocausto em honra de Jeová. Mas o mesmo estava reservado para as mulheres que fossem apanhadas a cometer esse pecado contra natura. (Levítico 20:15,16)

De forma coerente, o Levítico (15:19 e 18:19) também proíbe o coito com as mulheres que estão menstruadas.

Para os judeus ortodoxos (que mantêm a proibição homofóbica) o sexo é “ Cosh”, ou seja, uma bênção pelo seu poder de trazer uma nova alma ao mundo. Mas, para ser sinónimo de beleza e de virtude, deve ser uma prática discreta e frugal.


O sexo que não é condenado pelas religiões abraâmicas restringe-se ao que é legitimado por estas no matrimónio, cuja finalidade exclusiva é a procriação.

Se o lascivo Rei Salomão não tivesse escrito (?) o «Cântico dos Cânticos», e se este poema erótico não tivesse sido aprovado pelos autores e/ou compiladores das escrituras sagradas, duvidaríamos que a tradição judaico-cristã apreciasse o sexo como uma celebração prazerosa e mutuamente desejada e consentida entre os casais .

Essa mentalidade judaico-cristã realizou todo o seu potencial nefasto na Europa medieval.
«A violência constituía o ingrediente essencial daquele mundo. A nobreza feudal tinha dois objectivos prioritários: ser uma forte máquina de guerra e gerar uma batelada de filhos.» - Alan Woods (2003)
como o primogénito (varão) herdava quase tudo, muitas dezenas de jovens nobres sentiam necessidade de conquistar e espoliar novos territórios – as cruzadas pareceram-lhes uma oportunidade de ouro para
conseguirem esses objectivos.

(…)
Originalmente chamava-se Saulo, mas, para condizer melhor com o seu estatuto de novo cristão romanizado, adoptou o nome Paulo.

Este homem durante muito tempo divertiu-se a perseguir os cristãos, até que, devido ao "milagre da estrada de Damasco" (onde um raio de luz cegante o atirou do cavalo abaixo, a fim de lhe mostrar o verdadeiro caminho espiritual), se tornou num converso iluminado e andarilho pregador.

Paulo mostra-se um ser angustiado que enaltece as sublimes virtudes da continência, considerando que a espiritualidade é incompatível com a sensualidade e vice versa.*-+ Não indo tão longe quanto S. Agostinho, Paulo também defendia a submissão e a mortificação (chegou, inclusive, a descrever o seu próprio corpo como um execrável presídio da sua alma), aconselhando aos homens que abraçassem Cristo para que prescindissem
do sexo. (Quanto ao casamento, este andarilho pregador, considerava-o um mal menor, apropriado para os homens fracos de espírito que não conseguíam resistir às tentações da carne.)

A sua influência cresceu até se tornar o teólogo mais influente no Novo Testamento [autoridade eclesiástica], marcando o divórcio fatídico entre o corpo e a alma, entre a natureza e a religião. Este divórcio veio a tornar-se a própria essência da fé.

(Aos Romanos 6:6-13; 7:8-25; 8:12-13; 12: 1,2. Aos Gálatas 5:16,17; 5: 24; 6:8. Aos Filipenses 3:3. Aos Coríntios 15: 36-47)

«Porque a carne cobiça contra o Espírito,e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quiserdes.» (Paulo – aos Gálatas 5:17)

«E os que são de Cristo, crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.» (Paulo – aos Gálatas 5:24)

«Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas, o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.» (Paulo – aos Gálatas 6:8)


Em sua defesa, devemos ter em conta que Paulo (obcecado com a importância do seu papel, o que o levou a reclamar insistentemente, mas em vão, o estatuto de apóstolo, apesar de nunca ter conhecido Cristo pessoalmente) julgava que o fim do mundo se aproximava a passos largos (com a 2ª vinda de Cristo, precedida do reinado do Anticristo), e daí que fosse indispensável aos homens consagrarem-se ao desenvolvimento dos valores espirituais.


*-+ Diverte-me imenso imaginar a perplexidade, o choque horripilante e a frustração exasperada de Paulo quando este foi pregar para a ilha
grega de Corintos - que, basicamente, era o maior bordel da antiga
Grécia, e onde a licenciosidade/liberdade sexual e a religião estavam
profundamente ligados. A deusa dos coríntios, como seria de esperar,
era Afrodite. A felicidade dos seus
devotos, que viviam para o prazer carnal, tornava infrutíferos os
esforços de Paulo que, durante 18 meses, tentou converte-los ao
cristianismo, incutindo-lhes o medo e a culpa. Paulo, num tom
imperativo (repetindo o apelo apaixonado do seu Messias) dizia-lhes:
«segue-me!», mas enfrentava uma competição impossível de vencer, pois
as cortesãs escreviam nas solas dos seus sapatos exactamente o mesmo
convite, que ficava impresso nas pegadas seguidas pelos
fogosos/arrebatados mancebos...


«A fim de ser preservada a castidade, é indispensável manter o estômago vazio e roncando e os pulmões febris.» (São Jerónimo, 340?-420)


S. Agostinho (nascido em 364) estendeu e consolidou a misoginia e a fobia à natureza silvestre de que padecia S. Paulo, deixando um pesado
legado à cristandade que ainda hoje faz misérias. S. Agostinho (que até teve uma vida marital aparentemente feliz, chegando até a gozar os prazeres de ser pai) acabou por renegar e condenar a sexualidade,
torturado pela sua intelectualidade e espiritualidade em conflito permanente com os seus instintos animais. Esta infeliz dicotomia/dualidade é mais consentânea com as filosofias de tradição clássica que então vigoravam no decadente/moribundo império greco-romano, do que com a tradição hebraica. O helenismo, e não tanto o Antigo testamento, defende a separação (irreconciliável) entre o mundo da matéria (que incluía a natureza e, inevitavelmente, a sexualidade), cheio de imperfeições e impurezas, e o mundo espiritual, considerado como a única via para a sublimação dos humanos e um
privilégio exclusivo da nossa espécie. O clérigo Agostinho adaptou esta filosofia e especulou sobre a origem da "impureza carnal" na sua religião, tendo-a encontrado no "pecado original" de Adão e Eva. Para Agostinho, o pecado original era de cariz sexual e temia a vida
sensual e beleza - fatalmente "demoníaca"! - das mulheres, defendendo-se das tentações da carne através da meditação solitária e da auto flagelação.

Para Agostinho o sexo era a confirmação da imperfeição humana, e apenas se justificava (desde que abençoado pelo santo matrimónio, está claro) devido à necessidade de procriação. Assim, opunha-se tanto à homossexualidade como até ao sexo entre idosos (ou seja, a menopausa tornou-se mais um estigma para as mulheres).



Antes de se converter (com a idade de 42 anos) ao cristianismo, Agostinho andou apaixonado com a filosofia (carregando para todo o lado livros de Cícero e de
Hortesius), juntou-se aos maniqueístas (que afirmavam haver na alma humana uma dualidade interdependente entre o bem e o mal) e até simpatizava com a heresia
e a astrologia. Uma vez "cristão, tornou-se intolerante e perseguidor em relação às filosofias que tinha seguido até então. Provavelmente as maiores controvérsias em que se envolveu e que necessitaram o empenho máximo das suas notáveis capacidades intelectuais e do conhecimento aprofundado que possuía da bíblia, foi rebater os argumentos dos donastistas e dos pelagianistas. Os donastistas advogavam uma total integridade entre as crenças e a disciplina litúrgica defendidas pelos bispos católicos, mas respeitadas por poucos deles. Se a Igreja tinha um carácter intrinsecamente sacrossanto, os sacerdotes do Clero tinham que agir em conformidade em todos os seus actos quotidianos, caso contrário estaria apenas e debitar hipocrisias destituídas de valor e de sentido. Para Agostinho o divino sacramento não podia ser posto em causa e transcendia a conduta dos homens de Deus.
A Agostinho deve-se também o dogma absurdo (que o Vaticano manteve até ao início do séc. XXI) de que os homens nascem impuros devido ao legado pecaminoso de Adão.

Pelágio (350-425) e os seus
seguidores defendiam a ideia (bem mais sensata) de que a pureza é inata e que só a partir dos 7 anos (idade que consideravam estarem as crianças aptas a fazer julgamentos e opções de consciência) é que perdíamos essa pureza (sendo o mal transmitido por influência dos adultos) e, como ela, a vida eterna, tal como Adão perdeu o direito à eternidade por ter pecado. Agostinho não podia concordar com estas ideias porque elas desacreditavam o poder regenerador do baptismo e a influência da graça divina na salvação dos eleitos, sendo os homens os únicos responsáveis pela sua salvação através dos seus actos. As pessoas poderiam redimir os seus pecados cumprindo a lei de Deus, o que não tornava indispensável a intermediação da Igreja (os pelagianos tinham a ousadia de afirmar:«a Igreja somos nós!»)


Para os pelagianistas o livre arbítrio seria mais uma habilidade
moral concedida por Deus a fim de que os homens pudessem evitar o
pecado (que para Agostinho era impossível) e, se estes obedecessem às
escrituras sagradas e sobretudo à mensagem de Cristo, tornar-se-iam
independentes e auto-suficientes espiritualmente, deixando a Igreja
de ser uma intermediária indispensável para os que pretendiam alcançar
a salvação (pós Armagedom). O corajoso monge bretão que foi para Roma
envolver-se em aguerridas batalhas morais e teológicas, pretendia uma
renovação moral da Igreja para que esta se tornasse de acordo com a
bíblia e com o que predicavam os sacerdotes, acreditando ainda que a
justiça divina não nos imporia preceitos fora do nosso alcance moral,
pois isso conduzir-nos-ia a uma condenação e a um sofrimento
inevitável e inútil.
Pelágio sentia-se tão longe da decadência moral e espiritual da
Igreja que sucumbiu à tentação da vaidade, vangloriando-se das suas
virtudes que, a seu ver, o tornaram num homem cheio de pureza
beatífica.

PB