quinta-feira, julho 24, 2008

domingo, julho 20, 2008



Como supostamente terá dito o J. Cristo ao provar a beberragem amarga (que talvez servisse para simular a sua morte…) nos seus últimos momentos na cruz : «está consumado».

As lagoas do nosso paul acabaram de ficar completamente tapadas pelo jacinto-d’água e pela erva-pinheirinha (duas plantas aquáticas exóticas e que se desenvolvem como pragas por cá). Isso significa que toda a vida (autóctone) que existia sob aquelas águas está morta ou falta muito pouco para isso. Uma miríade de cadáveres a apodrecer numa charca sufocada ao sol de Verão irão agravar as consequências deletérias das plantas invasoras…

Suponho que a autarquia e o dono do paul poderão enfim soltar foguetes pela sua incúria. E que se lixe o grave desastre ecológico, pois se o jacinto-d’água agora até está florido. Da mesma forma, quando a Gama-slides Nunes e o Rosa do Céu se ajeitam para ir posar para eventos culturais, o que interessa é como ficam bem nas fotografias, pouco importando a podridão de carácter sob as aparências de revistas cor-de-rosa , dos que abusam do poder político para enganar, roubar, auto-promoverem-se e perseguirem vilmente todas as vozes dissidentes… O ordenado de apenas um dos gorilas que foram contratados para passar o dia a dormir no carro ao lado do reizinho-maçon, daria para ter custeado os trabalhos de remoção do jacinto-d’água e da erva-pinheirinha nas lagoas do paul, evitando mais este desastre ambiental – que , como sempre, vai ficar em branco…

Ao que me constou, até há muito tempo que está celebrado um protocolo com esta autarquia, a fim de auferir dos serviços de uma máquina especializada em limpar os espelhos d’água das referidas pragas. Mas estas intervenções – fundamentais – não dão votos, todos os sabemos…

(pelos vistos, em Alpiarça há um maior interesse público em noticiar cada vez que um escuteiro sai à rua fardado, ou que um jogador de futebol tem uma unha encravada…)

Deixaram morrer o paul, mas qualquer dia vão colocar uns observatórios de vida selvagem (a que, entretanto, morreu ou teve que fugir dali…) para as criancinhas (nos dias comemorativos com os fotógrafos da sua máquina de propaganda política a tiracolo…) irem respirar os gases tóxicos onde está a lixeira mal aterrada e a maior concentração de poluentes dos lixiviados e dos despejos incontrolados da ETAR… E ainda há uns “iluminados do capitalismo” (serão apenas ingénuos na sua ganância, ou mesmo uns filhos-da-puta egoístas ?...) que querem agravar a situação com o abate do sobreiral circundante e despejando naquela água já poluidíssima uma concentração ingente de pesticidas e de adubos de síntese química a fim de manter verdejante um dos mais absurdos (tanto do ponto de vista ambiental como ate de “viabilidade” económica) projectos de campo de golfe que já ouvi falar!...

Há mais de 3 anos que o programa RIPIDURABLE paga tachos a gente de duvidosa competência, para além de viagens ao estrangeiro, mas ainda não conseguiram explicar aos contribuintes alpiarcenses o que é que esse programa e o respectivo derrame de fundos trouxe de tão beneficioso ao paul. Andando no terreno ficamos com a impressão de que a resposta é nada…

p.s.- Ai querem continuar a ver fotos de vida selvagem neste blog, sem terem a generosidade de adoptar um cachorro amoroso (que, ainda por cima, já foi completamente recuperado)? pois então, talvez seja melhor pedirem ao autor(a) das fotos que estão nos outdoors à entrada de Alpiarça (onde antes estavam fotos que uma harpia me roubou…). Qualquer forasteiro pode constatar ao passar por cá que ditas fotos só seriam adequadas num vomitório romano….


quinta-feira, julho 10, 2008


Quando os Maoris chegaram à Nova Zelândia, encontraram uma selva no seu clímax ecológico, cheia de animais que não temiam o homem. A sua impávida ingenuidade devia-se ao isolamento evolutivo destas ilhas; nunca antes tinham tido contacto com este novo superpredador. Aí existiam doze espécies de moas (provavelmente perfazendo umas 170 mil aves), destacando-se a moa gigante – a maior ave que jamais existiu na Terra. Os maoris desenvolveram uma predilecção gastronómica/pantagruélica pelos seus ovos e pela sua carne. Na desregrada caça às moas, chegaram a recorrer ao fogo, tendo, deste modo, destruído cerca de metade da floresta que outrora cobriu toda a ilha. Assim, antes que os colonos europeus aqui se instalassem com a sua indústria madeireira e a sua pecuária ###, já diversas tribos maoris competiam belicamente pelos emagrecidos recursos naturais. Entretanto, tinham extinto as moas.



###Actualmente grande parte do território neo-zelandês está convertido em pastagem para ovinos que há duas décadas eram um impressionante número de 70 milhões, mas actualmente foi reduzido para um terço devido à concorrência das fibras sintéticas que se apoderaram do mercado da lã.


Os seus bosques continuam ameaçados por outros animais introduzidos pelo homem, a saber: os opossuns (que devem ser uns 70 milhões de indivíduos), os veados e os javalis).




Certamente que os maoris conheciam bastante bem a natureza em que se imiscuíram e evoluíram, incorporando à sua mitologia os elementos do mundo natural. Isso não impediu que desenvolvessem superstições infundadas que tornavam proscritos certos animais, como, por exemplo, os originais morcegos do solo (considerados arautos do mal, anunciadores da morte) e as tuataras (apelidados de “Bunca ”, ou seja, “o pai de todas as coisas feias”) que são verdadeiros fósseis vivos; répteis cuja linhagem é pregressa à dos dinossauros, estimando-se a sua origem há 220 milhões de anos.*



A vantagem das comunidades locais (quando não podem explorar os recursos alheios/longínquos, como acontece connosco, ocidentais) é que têm uma melhor percepção dos seus erros (não podendo fugir às suas consequências mais óbvias imediatas) e podem agir (nem sempre com a prontidão necessária) no local vítima da degradação ambiental, unindo esforços para colmatar o que ameaça a sua sobrevivência.


Os maoris aprenderam a lição certa e a sua mitologia adaptou-se às novas circunstâncias, compelindo-os a um novo comportamento das comunidades envolvidas. Deste modo, os guias espirituais (ou “homens santos”) selaram a floresta aos caçadores de grandes aves e foram banidos os incêndios florestais propositados. Parte da floresta pode recuperar com estas medidas drásticas.


Como se sabe, os intrusos europeus não obedeceram a estas regras (de sobrevivência) por não estarem suficientemente ligados à natureza da região, nem a uma mitologia conservacionista.



Os polinésios também colonizaram o Havai (a partir do séc. IV da Era Cristã). Por tentativa e erro, foram aprendendo a avaliar a sua pegada ecológica de acordo com a sua acumulação de conhecimentos sobre o meio ambiente. perceberam as diferenças entre as zonas que mal tinham tocado, e onde a actividade humana tinha provocado os maiores desequilíbrios ecológicos. Acima de tudo, ficaram preocupados com a diminuição (tanto em terra como na água) dalgumas das espécies que mais costumavam predar. Tal consciência permitiu-lhes criar um sistema de exploração sustentável , visando aquilo que denominavam locahii (ou seja, harmonia).


Então, estabeleceram interdições conservacionistas (a que chamavam capú), inluindo espécies protegidas, épocas de defeso e santuários naturais (no sentido mais profundo desta expressão que tem pouco sentido para os ocidentais). As punições para quem se atrevesse a violar o que determinavam/consideravam um tabu ecológico, eram severamente punidas, podendo chegar à execução sumária/pena capital.


Para que este sistema funcionasse, elegeram um grupo de guardiães da natureza, cujas funções tinham o equivalente moderno da a súmula das seguintes profissões: biólogos, vigilantes, gestores e juízes.


Por vezes os povos indígenas são incapazes de resolver da melhor maneira estes conflitos com a mãe-Terra. A célebre ilha de Páscoa conheceu um desfecho muito diferente do que seria de esperar a povos tribais – ainda por cima ilhados (apesar de que os problemas associados à consanguinidade poderão ter conspirado para a decadência deste povo) . Os polinésios atingiram aquelas remotas paragens por volta do ano 400 da nossa Era. Também aqui o solo se encontrava coberto por uma floresta virgem. Em menos de mil anos, a comunidade humana “autóctone” destruiu inteiramente os recursos naturais que os sustentavam, tendo, obviamente, acompanhado a sua ruína. (O golpe final na cultura Rapa Nui foi desferido pelos esclavagistas chilenos, que capturaram os poucos sobreviventes.)



À semelhança do que aconteceu na Nova Zelândia, também na Ilha de Páscoa a evanescente/decadente cultura Rapa Nui encontrou na espiritualidade a única forma de se aproximar do desiderato essencial que era o apaziguamento das divergências políticas. Através da religião poderiam ter unido os clãs beligerantes, arrojando alguma ordem cooperativa ao caótico estado de todos contra todos e salve-se quem puder. O medo e a fome fez com que muitas pessoas se tivessem refugiado em cavernas. O roubo e o saque sem escrúpulos tornaram-se recorrentes estratégias de sobrevivência. Pensa-se que poderão ter recorrido ao canibalismo…


A guerra generalizada arrastava-se há muitas décadas; as terras esgotadas e erodidas falhavam em alimentar uma população excessiva; o abate total das florestas acabou por limitar drasticamente até a actividade pesqueira (pois não havia como construir novos barcos e reparar devidamente os velhos), inviabilizando igualmente o ensejo de partirem em busca de um lar mais promissor para além do seu horizonte insular.


Entre a cratera de um vulcão e um alcantilado vertiginosos, construíram a aldeia cerimonial de Orongo. Esta era o ponto nevrálgico do culto do «homem pássaro» sobretudo aquando da respectiva cerimónia-prova anual, em que participavam os melhores atletas de cada clã. O que vencesse o extraordinário desafio físico (que combinava o montanhismo e a natação mais extenuante, a fim de trazer de volta um ovo de andorinha-negra-do-mar roubado num ilhéu ao largo), conseguia para o seu clã a honra máxima que validava o poder inquestionável do seu chefe sobre toda a sociedade Rapa Nui. Os rivais teriam que acatar essa autoridade - legitimada e agraciada por uma religião comum – e esperar por melhor sorte no ano seguinte, quando as aves sagradas chegassem para criar na vizinhança pouco acessível. Ao se respeitarem os privilégios que consideravam de origem divina, os que detinham esse poder efémero tinham obrigação de ser minimamente justos na redistribuição dos bens essenciais.


Desafortunadamente, estes esforços conciliatórios foram implementados demasiado tarde, quando as suicidárias agressões à natureza já eram irreversíveis. Após um milénio de permanência na ilha (que fora colonizada por polinésios), entre os séculos XV e XVI, a cultura Rapa Nui praticamente desapareceu simbolizando actualmente uns dos grandes paradigmas do desenvolvimento insustentável.


Na selva amazónica, mais concretamente, na área abrangida pelo parque de Manu (no Peru) existe uma espécie de garça-negra que possui um método de pesca surpreendentemente engenhoso: unta as patas com uma resina muito tóxica e depois submerge-as nas poças, intoxicando numerosos peixes de reduzidas dimensões. Os indígenas que conhecem esta estratégia consideram a ave em causa como a personificação do mal porque mata mais presas do que as que consegue ingerir…


Existem numerosos exemplos admiráveis de “conservação da natureza” e de solidariedade social dentro da nossa civilização (sempre que é possível as comunidades locais conjugarem esforços para um objectivo comum, com ou sem ajuda externa), com frequência recorrendo à ciência e à tecnologia que têm sido os principais instrumentos de destruição – tal qual a “árvore da ciência do Bem e do Mal” referida no Antigo Testamento.



O equilíbrio com a natureza é sempre precário e relativo; em última instância, depende da nossa vontade; quando os instintos de auto-preservação e o bom senso se manifestam de forma comunitária, e não de forma egocêntrica.


«A fim de resolvermos a dicotomia entre o (que é) civilizado e o (que é) selvagem, primeiro temos que resolver sermos integrais.»


(…)« Falar de vida selvagem é falar de totalidade. Os seres humanos saíram da totalidade, e considerar a possibilidade de reactivar a membrasia na Assembleia de Todos os Seres não é, de forma nenhuma, uma atitude regressiva.»- Gary Snyder

terça-feira, julho 08, 2008

Jeová, para além de ser um tirano sanguinário e sádico com um grotesco sentido de teatralidade, também é estúpido! Considerando que o publicitam como uma entidade metafísica com super-poderes, que supostamente até criou o universo – e continua a controlá-lo -, asseverando tudo saber, logo no início a bíblia diz que o sol gira em volta da Terra e que os morcegos são aves!...

http://www.youtube.com/watch?v=IwVXxPQBvgM&feature=related

é preciso muito humor para resistir a tamanha parvoíce!!!

http://www.youtube.com/watch?v=dAVfsS3b100&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=N2-KJABK_8Y&feature=related

esta é genial!!!

http://www.youtube.com/watch?v=BbM-05K8uTY

segunda-feira, julho 07, 2008

Determinismo ambiental

Muito por causa do geógrafo Ellsworth Huntington (que, em 1915, publicou uma obra académica centrada no determinismo ambiental como a principal influência da cultura humana), nas salas de aulas persiste um cauteloso preconceito em relação a esta temática.

O fervor com que Huntington defendia a sua teoria mono-casual era equivalente à obsessão pan-sexual de Sigmund Freud (provavelmente mais adequada aos bonobos do que aos humanos). Mas não foi por isso que gerou tanta celeuma – que se transformou num estigma científico a seguir à Segunda Guerra Mundial. A teoria de Huntington era profundamente racista… Ele defendia que o calor dos trópicos e a respectiva abundância de alimentos fáceis de obter, torna as pessoas preguiçosas, lascivas e néscias; e tais características tendem a agravar-se através das gerações, até se tornarem irremediavelmente inatas. (Fanáticos religiosos ingleses refrearem as suas intenções de colonizar as ilhas Barbados devido a esse medo - o da nossa animalidade intrínseca e da fragilidade dos artifícios da civilização que pode assilvestrar facilmente, o que colocaria em causa o autoproclamado estatuto de criaturas favoritas de Jeová; podendo deixar de entronizar a Sua criação, para sermos reduzidos a um admirável, mas pouco significativo, acidente cósmico. Não, tudo o que é pretérito ao homem não deveria passar de preparativos para a nossa chegada! Tudo tem que ser regido por um princípio antrópico transcendente que nos preserve da influência da harmonia com a natureza não domada! Cruz credo!…)

Enfim, mesmo que tal fosse verdade, o que me parece realmente estúpido é os naturais de biorregiões que, durante todo o ano, são especialmente generosas para a nossa espécie sentissem a obrigação moral (acima dos imperativos de sobrevivência balançados com um hedonismo saudável e sustentável) de empregarem o seu tempo demonstrando serem industriosos como, por ex., os habitantes dos Alpes de há uns mil anos durante o Estio, numa corrida contra o tempo a fim de acumularem alimentos e madeira que lhes permitisse sobreviver ao duro Inverno…

Basta olharmos para a constituição física poderosa dos povos tribais habitantes dos trópicos (mas, acima de tudo, deveremos atentar nos vastos conhecimentos que possuem das suas biorregiões e como interagem com estas), e facilmente concluiremos que a selecção natural apurou os indivíduos mais capazes de enfrentar uma vida que nada tem que ver com passar a maior parte do tempo deitados/prostrados, vivendo apenas para o hedonismo sensual.

Mas o determinismo ambiental é uma teoria que já estava há muito enraizada quando Huntington lhe tentou dar uma credibilidade científica. O investigador Wiliam Palmer deixou claro que tão na Idade Média como na Renascença o clima e a geografia eram considerados factores determinantes no moldar das culturas e até nas capacidades psicofísicas dos povos; desde a alegada superioridade intelectual dos gregos, à ferocidade e bravura dos povos bárbaros que habitavam as florestas a norte do Danúbio.

A própria paleontologia dos seguidores de Darwin até muito recentemente foi orientada por princípios racistas (enfatizados pela antropologia) inspirados no determinismo ambiental (mesmo que essa designação ainda estivesse por inventar). Entre muitos exemplos possíveis desta teoria preconceituosa, ainda em 1962 o académico insigne Charleton Coon publicou um livro intitulado «A Origem das Raças», no qual organizava a espécie humana em 5 raças principais, defendendo que estas tiveram evoluções paralelas bem distintas. Contrariando a hipótese avançada por Charles Darwin, muitos evolucionistas procuravam justificar o seu racismo negando a origem biogeográfica da humanidade em África, atribuindo aos caucasianos origem “mais digna” algures na Ásia. (Esta teoria é também um encómio à arregimentação da sociedade fortemente hierarquizadas pelo trabalho que é a base das civilizações imperialistas. (Até a doutrina dos clérigos determinaria que o trabalho imposto tinha uma forte componente de legitimidade espiritual. O Papa João Paulo II defendia isso abertamente.)

Os negros teriam, então, ficado a apurar/marinar a sua alegada aversão ao trabalho, a sua líbido exacerbada e a sua estupidez sob um sol coruscante, o que não lhes teria permitido evoluir tanto a partir do Homo erectus, ficando assim “ilibadas” da sua “inferioridade rácica”, obra do determinismo ambiental.

Como realçou o genial paleontólogo Stephen Jay Gould, o principal móbil para muitos paleontólogos pós Darwin foi tentarem fazer nome com a descoberta na eurásia de fósseis humanos (sobretudo crânios) que atestassem uma pretensa superioridade evolutiva em relação aos espécimes africanos. Por isso, o embuste do «homem de Piltdown» foi tão bem sucedido. (Ao procurarem um volume cerebral maior, tiveram bastante dificuldade em engolir o facto de os Neandertais – então retratados como meros brutamontes simiescos – terem caixas cranianas consideravelmente maiores do que as nossas…)

Os homens que dominavam a ciência de então estavam obcecados com as medições meticulosas que pretendiam levar ao limite a quantificação científica, dando a impressão de total imparcialidade. Publicavam trabalhos eivados de expressões prolixamente fátuas, fingindo uma objectividade asséptica mas incapaz de disfarçar a podridão ideológica subjacente. Tanto a condução das suas experiências como principalmente a interpretação dos respectivos resultados eram orientados por preconceitos profundamente enraizados, dos quais se destaca, o racismo e o sexismo/machismo.

O modo como a maioria da comunidade científica vitoriana usou a bombástica teoria da evolução Darwiniana aproximou-a das religiões dominantes no ocidente, duvidando da humanidade dos povos tribais e legitimando a continuidade da exploração colonialista acelerada pela máquina a vapor , dispondo de um inigualável arsenal para destruir a natureza silvestre e as vozes dissidentes dos que não tinham a aparência de caucasianos ocidentais, classificando-os como sub-humanos e metidos no mesmo “saco” sociopolítico que os europeus que sofriam de profundas deficiências físicas e/ou mentais. Não à toa, concomitantemente, tornaram-se muito populares as feiras de aberrações, onde eram exibidos humanos com um aspecto considerado grotesco, quer se tratassem de más formações em caucasianos ou de indígenas de locais exóticos.

Uma das maiores atracções dessas feiras ambulantes foi uma mulher pertencente à etnia Khoi-san (bosquímana) que ficou conhecida como «a Vénus hotentote». (Nem me vou dar ao trabalho de aqui colocar o seu nome branco oficial, pois este foi-lhe atribuído por colonos holandeses na África do Sul que a exploraram e nada tinha que ver com o seu nome tribal, o verdadeiro.)

No início do séc. XIX, as sofisticadas audiências europeias acudiram aos magotes para a ver, fascinados com as sugestões de sexualidade “animalesca” que a peculiar anatomia da pobre jovem incendiava nas mentes pudicas dos vitorianos cuja sexualidade era reprimida e entediada, ou secretamente consumadas as suas fantasias em antros cujos respeitados frequentadores não se cansavam de os condenar publicamente… Outros dedicavam-se a escrever estórias fantásticas sobre monstros sedutores (como, põe ex., o conde Drácula) que, de forma sofrivelmente dissimulada, encarnavam o misto de sexo e violência que é tão excitante às elites das sociedades decadentes.

Antes que a jovem em causa pudesse desfrutar dos ganhos pecuniários da sua exploração indigna, morreu com uma infecção pulmonar numa terra estrangeira que não estava preparada para a respeitar.

O anatomista francês George Cuvier (outra estrela do meio científico) correu para a dissecar,ficando a sua atenção obsessiva nos principais atractivos sexuais da Vénus hotentote, pois, para além de nádegas extremamente volumosas e empinadas, ela pertencia a uma das poucas etnias em que as mulheres têm os lábios “menores” alongam-se ao ponto de penderem até uns 10 cm abaixo da vagina. (Esta peculiar prega vaginal em latim chama-se sinus pudoris; e em francês, tablier.)

Ao invés de se concentrarem no que é fundamental, os cientistas (homens caucasianos), na sua zelosa documentação de minudências que apenas serviam para realçar pormenores praticamente irrelevantes de meras aparências baseados em juízos morais e estéticos duvidosos, abalizavam os preconceitos que, estupidamente, separam as pessoas.

Olhavam com inconfessada inveja para o tamanho dos pénis dos africanos, enquanto que a zona pélvica das mulheres como a Vénus hotentote, mais do que “confirmar” que as “raças inferiores” tinham apetência muito maior para o sexo descontrolado do que para as actividades cognitivas, exortavam os velhos temores da sexualidade feminina fora do controlo dos homens, bem como da sexualidade libertária e feliz vivida pelos povos tribais. Não nos devemos esquecer que nesse tempo a Santa Inquisição ainda era bastante poderosa e pouco antes tinha lançado para a figueira milhares de mulheres acusadas de bruxaria, bastando para tal que tivessem um clítoris maior do que a média ou que tivessem um comportamento sexual apontado como promíscuo…

Com um apurado sentido para a sátira, Stephen Jay Gould frisou que, se insistirmos na falácia ridícula de medir o grau de humanidade pelo tamanho da genitália, considerando o facto de os homens serem os primatas com os genitais maiores (em relação às dimensões totais dos nossos corpos), então teremos que concluir que quanto maior for o tamanho médio dos genitais entre certos grupos étnicos, estarão geneticamente mais afastados dos símios e, portanto, são humanos mais evoluídos…

PB

domingo, julho 06, 2008

«(…) Os últimos 10 mil anos de sociedade humana representam 1% da nossa presença sobre a Terra. Os 99% restantes viveram-se em sociedades pequenas, sem Estado, sem propriedade, igualitárias e visionárias (…). Talvez apenas 2 centésimas partes viveram-se na experiência do industrialismo urbano. A civilização poderia descrever-se razoavelmente como uma aberração.”

«(…) Devemos falar (…) de como um império sem precedentes, megatécnico e com a sua correspondente constelação de culturas, pode converter-se num tipo de sociedade qualitativamente diferente; de como uma rede alternativa pode converter-se num tecido orgânico de sociedades diversas, igualitárias e comunais; e de como um ser humano atomizado e massificado pode converter-se numa pessoa completa integrada numa comunidade. Nenhuma geração enfrentou-se com estas perspectivas.»

«Muitos dos guardiães dos impérios que colapsaram provavelmente possuíam uma memória da comunidade tribal e das capacidades convivênciais a partir das quais sobreviver. De facto, as maiores revoluções da história foram protagonizadas por povos com ligações directas com as sociedades arcanas comunais. Nós, pelo contrário, enfrentamos a maior crise de destribalização e de decomposição social desde o nascimento do Estado. Tentar que a sociedade de massas tenha sentido é, em sentido prático e parafraseando um lítote chinês, como pescar em águas revoltas.» - David Watson

«(…)Todas as revoluções na história europeia serviram para reforçar as tendências e as capacidades da Europa para exportar a destruição para outros povos, outras culturas e para o próprio meio ambiente.» - Russel Means

Visão pan-europeia, enaltecendo o imperialismo sangrento. Ainda hoje vivemos à sombra de mitos glorificantes que remontam à “Época dos Descobrimentos”. Sob essa rutila superfície, nem um comentário (de contrição, espera-se) ao holocausto que portugueses e espanhóis perpetraram contra ameríndios e africanos.

A única referência aos povos tribais de que me recordo ter ouvido quando (nos finais dos anos 80) frequentava o ensino secundário, proveio de uma professora de história quando abordou muito superficialmente a colonização do Brasil. As suas palavras (acompanhadas de um indisfarçável esgar de desprezo que quase lhe descompunha a empáfia académica com laivos de paternalismo condescendente) ficaram bem gravadas na minha memória: «os índios brasileiros eram, por natureza, tão indolentes que preferiam morrer de fome, ou sujeitar-se a severos castigos físicos, do que trabalhar»(sic). E continuou lamentando-se do incómodo que isso provocou aos portugueses, obrigados a ir a África buscar africanos para trabalharem na produção de açúcar…

Foi doloroso ver que aquela professora quarentona ainda se guiava pela cartilha de Samuel George Morton+++++++++++++ e quejandos.

+++++++++++Samuel G. Morton foi um proeminente cientista estadunidense que se tornou num dos principais ideólogos da escravatura e do imperialismo colonialista do séc. XIX. O seu racismo mascarava-se de uma “credibilidade científica” reivindicada pelo movimento poligenista, que reivindicava para os caucasianos a descendência exclusiva do casal primevo Adão e Eva. Quanto às restantes “raças”, Jeová tê-las-ia criado separadamente para servirem os donos do mundo. A maioria dos clérigos regozijava-se com esta “confirmação”

Em 1939, Morton escreveu o seguinte: «os espíritos mais benevolentes podem lamentar a inépcia dos índios para a vida civilizada (…) A estrutura da sua mente parece diferir consideravelmente do homem branco (…) Eles não são apenas adversos ao domínio da educação, mas, na sua maioria, igualmente incapazes de um constante processo de raciocínio sobre objectos abstratos.»

Se fosse uma professora de história minimamente competente, poderia ter invocado, como um erudito artifício de hipocrisia, o plano do Marquês de

Pombal (séc. XVIII), denominado "Plano dos Sete Fortes de Fronteira",

destinado a proteger a Amazónia dos espanhóis mauzões (sim, porque sempre que são apontadas as atrocidades que os portugueses cometeram em terras de Vera Cruz, desculpamo-nos comparando-nos aos piores). O célebre estadista de "sangue azul" chegou até a conceder alguns direitos aos índios que parecem avançados para a época. Ter-lhe-ia (à professora) ficado bem

acrescentar umas citações dos sermões anti-imperialistas e anti-esclavagistas do padre António Vieira.

Ao ouvir tamanho desaforo, o meu queixo (para não dizer outra coisa…) caiu. E a consternação que então se apoderou de mim naquele momento, cresceu com revoltada acrimónia quando, falando com outros estudantes e com professores de diversos estabelecimentos de ensino, percebi que esse racismo intolerável era a ideia dominante nas aulas de história. Entretanto, conversando com muitos brasileiros, muitas vezes ouvi a mesma ladainha racista. Alguns acrescentaram estar convencidos de que os índios brasileiros possuem uma desídia inata supostamente superior à dos outros grupos étnicos, e, os que não foram “civilizados”, passam o dia todo estendidos nas suas redes a fumar alucinógenos…

As escolas têm que se esforçar por ultrapassar estes estereótipos racistas. Os povos indígenas não são meras curiosidades etnográficas e turísticas cheias de pitoresco exótico; culturas anacrónicas e estagnadas; Uns desgraçados que perderam o comboio do progresso e que agora, de mãos dadas com uns fundamentalistas "verdes", se deitam nos carris, constituindo um embaraço para os que vivem obcecados pela pressa de chegar ao futuro profetizado por Huxley e publicitado de forma recorrente por Hollywood.

Tampouco estão apenas perdidos nas selvas virgens, isolados nos gelos boreais, ou confinados em reservas terceiro-mundistas acessíveis a turistas. Tratam-se de mais de 300 milhões de pessoas divididas por 5 mil grupos étnicos com uma diversidade cultural surpreendente. Nas ilhas da Indonésia podemos encontrar 700 línguas; ainda se falam quase 6 mil línguas no mundo 95 % destas estão em perigo de extinção. (As previsões mais optimistas apontam para que metade das línguas desapareça até ao final deste século.) Só na Índia podemos encontrar 400 tribos, que perfazem um total de 70 milhões de pessoas

(embora muitas delas já não possam viver de forma tradicional).

A Amazónia, a Rússia e o Canadá têm uma população indígena que, toda junta, perfaz 50 milhões. Na Guatemala estão mesmo em maioria: 60% da população pertence a 22 etnias ameríndias (são obrigados a viver na miséria e apenas possuem 10% da terra arável do país…).

Guatemala – na década de (19)80 o exército roubou pela força imensas terras aos indígenas. Na década seguinte recrudesceu a violência, tendo o exército efectuado numerosos massacres contra os indígenas, o que levou a um levantamento popular armado de defesa popular contra os opressores militares.

Nesse país 40 mil pessoas continuam consideradas “desaparecidas” e 100 mil assassinatos confirmados continuam impunes.

Mais de 450 tribos foram extintas na Ásia.

Só em 1967 é que os australianos descendentes de europeus reconheceram
legalmente que os aborígenes eram mais do que « parte da fauna e da flora»
(sic), reconhecendo-lhes o direito ao voto, como qualquer cidadão australiano.

Até aos anos (19)70, governo australiano mantinha a sua política de rapto de crianças aborígenes, para que fossem criadas/educadas por famílias caucasianas que seguissem a ideologia política e a religião dominante. À chamada “geração perdida” foi-lhe oculta as suas origens; a aculturação roubou-lhes a memória espiritual com consequências sociais gravíssimas.

Até 1930 era frequente os boers sul-africanos caçarem bosquímanos por desporto (que eles consideravam o equivalente africano as orangotangos indonésios).
Há até relatos fidedignos desses europeus racistas terem feito uns churrascos
com as suas presas humanas... Se alguém lhes tivesse dito que tal era um acto
de canibalismo certamente que eles, não só não acreditariam, como
considerariam essa observação como uma heresia inadmissível.

Na América Central os ameríndios são dominados por uma minoria que, mesmo com evidentes traços miscigenados, faz alarde da sua descendência europeia e renega as suas origens indígenas e toda a rica herança cultural pré-hispânica. em El Salvador vão ao ponto de negarem a existência da população indígena – que conta com umas 300 mil pessoas pertencentes a 5 grupos étnicos . Não faz sentido reconhecer direitos a quem não existe…(Nenhum governo foi tão eficiente com esta política de negação como o australiano, em relação aos aborígenes da Tasmânia.) A “limpeza étnica” levada a cabo pelos lideres politico-militares (como, por exemplo, o massacre, a mando do general Maximiliano Hernadez , de 30 mil ameríndios) de El Salvador, não consumou o genocídio total das suas comunidades mais vulneráveis, mas a aculturação e os projectos de “desenvolvimento” prometem acabar com eles de vez.

É assim tão difícil compreender que se estes “atrasadinhos” tivessem a possibilidade de adoptar todos os nossos valores (ou a falta deles) e padrões de comportamento, a espécie humana já se teria extinto?! É admirável a consciência que têm da importância dos seus legados
culturais; os conhecimentos que todos possuem sobre o meio ambiente e sobre o
impacto que as suas actividades têm nas biorregiões. Esses povos zelam pelo
património das futuras gerações como nenhum de nós o faz.

Se observarmos como estas comunidades tratam as suas crianças, idosos e deficientes, imediatamente nos indagaremos quais de nós é que vivemos na barbárie…

Hugo Chavez, o primeiro Presidente venezuelano de origem indígena, disse que os indígenas são a reserva moral da humanidade. Amén!

PB

sábado, julho 05, 2008

Em meados de Junho de 2008...



em meados de Abril de 2008...



em 2006...

Estas imagens atestam bem a rapidez com que as pragas da erva-pinheirinha e do jacinto-d'água se têm alastrado no Paul dos Patudos. Há várias espécies de aves que nos deveriam orgulhar pela sua presença (como, por ex., os escassos colhereiros, límicolas, etc…) que já deixaram de utilizar aquelas paragens devido a este problema.

Provavelmente até ao final deste ano, as 2 lagoas do nosso paul vão ficar completamente sufocadas pela erva-pinheirinha, matando toda a vida aquática! Esta situação gravíssima não se consumou por falta de avisos... mas, quem se importa? Agora deveremos ultrapassar os lutos futebolísticos com os sonhos dos carros de luxo e a preparação para o circo eleitoral… e se o o Euromilhões não nos calha, sempre nos vamos rindo com o descaramento hipócrita exposto em entrevistas do Rosa do Céu, em que afirma que «é preciso resistir ao egoísmo» (sic)… Ou seja, combater o egoísmo dos que não deixam o egoísmo deste executivo camarário e do governo expandir-se sem oposição… quem não aceitar prestar-lhes vassalagem arrisca-se a todo o tipo de perseguições – incluindo de gorilas a soldo! …E isto se a quadrilha dos compassos & aventais da Maçonaria não atacar na penumbra dos círculos de poder que aspira o Céu…

Já o Eça de Queiroz dizia que tanto os políticos como as fraldas necessitam de ser mudados com frequência – pela mesma razão…

sexta-feira, junho 27, 2008


«I bow my head in reverence to our ancestors for their sense of the beautiful in nature and for their foresight in investing beautiful manifestations of Nature with a religious significance.»
- Mahatma Gandhi (1869-1948)
«Não acreditem em nada só porque lhes foi dito. Não acreditem na tradiçãoapenas porque foi passada de geração em geração. Não acreditem em nada sóporque está escrito nos seus livros sagrados. Não acreditem em nada apenas porrespeito à autoridade de seus mestres. Mas qualquer coisa que, depois do devidoexame e análise, vocês achem que leva ao bem, ao benefício e ao bem-estar detodos os seres - nesta doutrina creiam e aferrem-se a ela e a tomem como guia.» - Siddhartha Gautama, o Buda

quarta-feira, junho 25, 2008


PB

Há muito tempo que não existem verdadeiros caçadores na Europa; apenas espingardeiros e matadores. Qualquer cretino consegue puxar um gatilho e espalhar uma nuvem de chumbo letal que, eventualmente, acabará por colidir com um animal indefeso – que muitas vezes é criado como qualquer animal doméstico! (Chamam a isto divertimento e desporto!...) Mas tirar uma boa foto de animais selvagens (sobretudo em Portugal, onde a bicharada vive permanentemente aterrorizada do homem) sem os perturbar, isso sim exige qualidades inestimáveis e contribui para o nosso crescimento pessoal e até para o desenvolvimento de uma espiritualidade telúrica de respeito pela teia da vida.

EU TB TENHO DIREITO À PARVOICE DAS CITAÇÕES BÍBLICAS? ENTÃO CÁ VAI UMA ATRIBUÍDA AO PRÓPRIO J. CRISTO:
«Quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os diante de mim.» ( Lucas 19:27)
Mais um exemplo dessa intolerância sanguinolenta bem explícita na bíblia; esta é suposto ter sido dita por Jeová, o tal “deus único” :
«aniquilai todos os povos que o Senhor vosso Deus coloque no vosso caminho; vossos olhos não devem mostrar piedade para com eles(...)». (Deuteronómio 7:16)

terça-feira, junho 24, 2008


Discordo da maioria dos pedagogos que consideram ser Educação Ambiental (EA) parte integrante da Educação Cívica e ponto final. A EA não se pode confinar a mandamentos (do género «não deitem o lixo para o chão», «abstenham-se de fumar junto de não fumadores» e «dêem prioridade aos peões nas passadeiras») que, acima de tudo, são noções básicas de higiene e civilidade. A EA é inalienável da EC, partilhando dos seus desideratos, mas transcende os seus limites, necessitando ir muito mais fundo e longe [do que isso], abrangendo todos os aspectos de convivência e tendo um papel preponderante na formação holística dos indivíduos – que inclui as orientações filosóficas, políticas e espirituais, baseadas no amor e no respeito pelo planeta como um organismo vivo que nos sustenta.
O principal problema que afecta a humanidade é de ordem espiritual; todos os outros, por maior que sejam, derivam deste. Teremos que reaprender a considerar sagradas todas as formas de vida.

segunda-feira, junho 23, 2008


Quando falamos na necessidade de nos sentirmos ligados a algo (um poder transcendente) maior do que nós (o que muitas chamam “divino”, e eu natureza), os antigos gregos e os romanos davam-lhe um nome: para os primeiros, era Aretê; quanto aos segundos, era virtus (daí as virtudes…)

quinta-feira, junho 19, 2008

Got Dirt? Beyond Nature-Deficit Disorder

“In South Carolina, a truckload of dirt is the same price as a video game!" reports Norman McGee, a father in that state who bought a small pickup-load of dirt for his daughter and friends.

McGee is turning consciousness into action. So is Liz Baird, who keeps a "wonder bowl" available for her children.

When Baird was a little girl she would fill her pockets with natural wonders--acorns, rocks, mushrooms. "My Mom got tired of washing clothes and finding these treasures in the bottom of the washer or disintegrated through the dryer," Liz recalls. "So she came up with 'Liz's Wonder Bowl,' and the idea was that I could empty my pockets into the bowl. I could still enjoy my treasures, and try to find out what things were, and not cause trouble with the laundry."

McGee and Baird are among the thousands of parents who have joined - and are leading - an international children and nature movement. Sometimes known as Leave No Child Inside, the effort is bringing together people from all walks of life, who are creating grassroots regional campaigns, state and national legislation, and changes in their own families to help children become happier, healthier and smarter.

An emerging body of scientific knowledge links nature time to longer attention spans, better cognitive functioning, reduction of stress, and strengthened family bonds. What better way to enhance parent-child attachment than to walk in the woods together, disengaging from distracting electronics, advertising, and peer pressure?

Howard Frumkin, director of the National Center for Environmental Health at Centers for Disease Control, recently describes the clear benefits of nature experiences to healthy child development, and to adult well-being.

"In the same way that protecting water and protecting air are strategies for promoting public health, protecting natural landscapes can be seen as a powerful form of preventive medicine," he says. He believes that future research about the positive health effects of nature should be conducted in collaboration with architects, urban planners, park designers, and landscape architects. "Of course, there is still much we need to learn, such as what kinds of nature contact are most beneficial to health, how much contact is needed and how to measure that, and what groups of people benefit most. But we know enough to act."

If you're a parent who missed out on nature as a child, now's your chance. Indeed, all the gifts of nature that come to children also come to the good adult who introduces a child to nature.

Young people are acting, too, by becoming natural leaders in the movement. For example, a seven-year-old girl in Virginia rounded up her friends and enrolled them in her own Girls Gone Wild in Nature Club. Together they organize backyard camp-outs and bug hunts.

In Mississippi, teenager Josh Morrison founded Geeks in the Woods for his friends and fellow geeks everywhere. He defines "geek" as a "gaming environmentally educated kid," and says he and his friends -- "tired of being labeled" tech addicts -- can have their PlayStations and their outdoor time too: "We could be the generation that makes a U-turn back to...a balance between virtual reality and what sustains all life...nature."

Five Actions You Can Take Today

1. Go for a family walk when the moon is full. There's a whole new set of animals, sights and sounds out there. Listen to animals calling. Owls and bats are looking for prey. Watch for things glowing, like worms and fungus on trees. And look up at the stars.

2. Help your child discover a hidden universe. Find a scrap board and place it on bare dirt. Come back in a day or two, lift the board, and see how many species have found shelter there. Identify them with the help of a field guide. Return to this universe once a month, lift the board and discover who's new.

3. Tell your children stories about your special childhood places in nature. Then help them find their own: leaves beneath a backyard willow, the bend of a creek, the meadow in the woods. Let it become their intimate connection with the natural world.

4. Revive old traditions. Collect lightning bugs at dusk, release them at dawn. Make a leaf collection. Keep a terrarium or aquarium. Go crawdadding--tie a piece of liver or bacon to a string, drop it into a creek or pond, wait until a crawdad tugs.

5. Invent your own nature game. One mother's suggestion: "We help our kids pay attention during longer hikes by playing 'find ten critters'--mammals, birds, insects, reptiles, snails, and other creatures. Finding a critter can also mean discovering footprints, mole holes, and other signs that an animal has passed by or lives there."

Adapted from «LAST CHILD IN THE WOODS» by Richard Louv, © 2008. Reprinted by permission of Algonquin Books of Chapel Hill.

In our families and our communities, it's time to take action. That's why the new, expanded 2008 edition of "Last Child in the Woods" contains a "Field Guide" with 100 Actions that families and communities can take, along with discussion questions, a report on the movement, and other resources for parents, educators, conservationists, business people and community leaders.

For more information on the Second Edition of "Last Child in the Woods: Saving Our Children from Nature-Deficit Disorder," go to www.lastchildinthewoods.com. To help build the movement, please join the Children & Nature Network at www.childrenandnature.org

Richard Louv, recipient of the 2008 Audubon Medal, is the author of seven books. The chairman of the Children & Nature Network (www.cnaturenet.org), he is also honorary co-chair of the National Forum on Children and Nature.


quarta-feira, junho 18, 2008

Quando o Rosa do Céu nos chulou um BMW, murmurou para os seus botões: «até que enfim tenho à disposição um carro digno de um presidente como eu!»


Entre os vários imperadores romanos que perseguiram os cristão, nenhum o fez com maior vilania e violência do que Nero. Para ele os cristãos foram um óptimo bode expiatório pelo incêndio de Roma. De início o seu plano funcionou. O forte descontentamento popular devido aos disparates governativos de Nero foi desviado contra os demonizados cristãos. Mas não tardou a que a maioria dos romanos (pagãos) se indignasse com a crueldade sádica do seu imperador, considerando que tinham sido ultrapassados todos os limites do aceitável – mesmo considerando que se tratava de uma sociedade habituada a ver e a desfrutar entusiasticamente da violência extrema como um espectáculo de entretenimento das massas e de afirmação do poder imperial. (Nero chegou a mandar untar com petróleo os cristão para os queimar vivos! Essas macabras tochas humanas foram utilizadas para iluminar a arena do circo de Roma – enquanto feras devoravam outros seguidores de Cristo -, a colina do Vaticano e até uma festa privada do Imperador…)
Como derradeiro teste de fé, os soldados tinham ordens para darem aos prisioneiros cristãos a opção de abjurarem publicamente a sua religião em troca das suas vidas. Anulando os instintos de sobrevivência, os cristãos mantiveram-se fiéis às suas convicções. Então, os romanos começaram a admirar, com emotivo respeito, a bravura estóica, a fidelidade às suas ideologias e a solidariedade entre os irmãos de fé frente ao martírio. De forma imprevisível, as autoridades repressivas do Estado aperceberam-se que o exemplo dos cristãos estava a levar à conversão de muitos romanos desejosos de comungar com Cristo, com a sua mensagem e com a impavidez beatífica dos seus seguidores.

A credibilidade de Nero como estadista dificilmente poderia ser pior: não passava de um garoto depravado e sádico que desprezava o exército e o Senado; o seu hedonismo insaciável levava-o a entregar-se a actividades indignas para alguém da sua posição social, quebrando as mais basilares regras do protocolo imperial (ex.: tornava público a sua vida sexual desregrada e perseguiu uma carreira como actor e como condutor de quadrigas de competição).
Nem os seus familiares estavam a salvo do seu sadismo homicida: assassinou um meio irmão, a mãe (Agripina), e duas esposas (uma das quais, chamada Popaia, foi por ele pontapeada na barriga quando estava grávida, com resultados fatais)…

A reconstrução de Roma arrastou-se por mais tempo do que o povo estava disposto a tolerar. Para agravar a situação, Nero desperdiçou o erário público na edificação de um palácio cujas dimensões e luxo não tinham par na história do império romano, enquanto que a fome insinuava-se no quotidiano dos seus patrícios até há pouco habituados a uma prosperidade cheia de possibilidades de diversão.
Consta que, ao ver o seu palácio pronto, Nero terá declarado: «finalmente posso viver numa casa digna de um ser humano» …
Mas esse esplendor obscenamente luxuoso e as respectivas comodidades sofisticadas nunca chegaram a ser plenamente usufruídas… Nero suscitava tamanho ódio que, logo após ter sido oficializada a sua morte, os romanos, desejosos de apagar da memória o tirano facínora, destruíram e saquearam o magnífico palácio.
Os abusos de Nero levaram o Senado romano a decretar que o ensandecido Imperador era um inimigo público e, como tal, deveria ser detido pela força; arrastado pelas ruas de Roma completamente nu; chicoteado e, finalmente, arrojado da rocha Tarpeia.
Ao perceber que não tinha escapatória, Nero decidiu frustrar os seus algozes, escolhendo a forma como morreria. Assim, suicidou-se esfaqueando-se no pescoço – muitos investigadores estão convencidos de que é a esse ferimento na “cabeça” (sic) que João de Patmos alude quando descreve a sua “besta” apocalíptica.
Sem uma base factual sólida que o corrobore, para a posteridade ficou registado que as últimas palavras de Nero foram: «que grande artista morre comigo!...»


PB

sábado, junho 14, 2008

Em 2007 a ONU anunciou que, pela primeira vez na história da humanidade, as pessoas urbanizadas no mundo tornaram-se maioritárias. Um bilião delas vive em condições indignas e insalubres sem conseguirem escapar à extrema pobreza.
Por ex., na África subsariana as crianças que vivem em cidades de barracas estão muito mais vulneráveis a contraírem doenças fatais devido à ingestão de água contaminada, bem como doenças respiratórias, do que as que vivem no campo.
O êxodo rural já alcança anualmente os 27 milhões de pessoas (fenómeno que se verifica com maior expressão na China).
A ONU prevê que no ano de 2050 a população mundial seja composta por 9 a 12 biliões de pessoas, a maior parte das quais concentrada em grandes centros urbanos rodeados por uma crescente devastação ambiental. Assim domesticados (do latim domus, que significa casa) e arregimentados em malsãs dependências, cujas bases económicas pouco ou nada têm a ver com as leis naturais (economia de casino e de exploração insustentável). As consequências desta situação só poderão ser desastrosas a uma escala sem precedentes…

*PB

sexta-feira, junho 13, 2008



A China acabou de se tornar no 1º país do mundo a proibir os sacos de plástico. Muito bem!

sábado, junho 07, 2008



A pretexto de mais uma oportunidade de expor o seu port-folio, não posso deixar de expressar aqui o meu apreço pelo Ricardo Hipólito.
(Deve ser mais um motivo de frustração para os que querem – de forma patológica – o poder absoluto e Alpiarça, que nenhum dos fotógrafos minimamente interessantes que por cá se encontram, alinhe com eles. Aliás, nem fotógrafos nem ninguém realmente talentosa e idealista...)
Os textos do Ricardo Hipólito são, há muito tempo, os únicos que eu leio no pasquim papa-hóstias cá deste triste burgo.
Parece-me que já pouco ou nada tem a provar sobre as suas competências e amor desmedido por Alpiarça e pelo seu povo que ainda guarda uma réstia da honestidade, a camaradagem e a dignidade que as lutas político-partidárias têm negado. Muito nos tem dado este homem! Daria um bom presidente desta autarquia, mas, feliz ou infelizmente, não parece interessado em, por ora, seguir por essa estrada tortuosa sobretudo porque tem a inteligência e o bom senso de não bailar sob a batuta dos partidos políticos, nem cobiçar sinecuras e negociatas.

quinta-feira, junho 05, 2008





Um Portugal que os políticos querem ocultar… o desordenamento do território nacional tem enchido criminosamente os bolsos aos industriais que têm os políticos a comer-lhes nas mãos… É assim que se hipoteca o futuro! A “democracia” passa a ser o direito à escravidão assalariada para podermos todos andar de automóvel, enquanto a televisão nos desvia a atenção para o facto de andarmos a envenenar os próprios filhos…



sexta-feira, maio 23, 2008

Se tiverem a sorte de encontrar uma cria de veado, NÃO LHE TOQUEM!!
Elas ficam escondida – confiando no seu mimetismo – enquanto as mães se vão alimentar não muito longe. Quando as progenitoras voltam para amamentar esses “Bambis” indefesos, se sentirem nas crias o cheiro de humanos, há sérios riscos de as abandonarem!
Devemos sempre resistir à tentação de tocar em animais selvagens, bem como de os alimentar.

quarta-feira, maio 07, 2008

Seguindo uma dica de alguém que tb costuma andar pelo Paul dos Patudos, dei com esta águia-de-asa-redonda abatida. Consegui identificar um par de orifícios no seu peito que são típicos de chumbada…Ainda por cima, tratava-se um exemplar que estava anilhado e, como tal, fazia parte de um estudo científico. Mais um paradigma do “civismo” e “consciência ambiental” típica de Alpiarça e Ribatejo em geral…
Se o nosso reizinho maçon em vez de, numa atitude tão covarde e de provocação prepotente como de intimidação, colocar gorilas à porta das vozes discordantes, arranjasse guardas com a missão de controlar os abusos no noso paul, outro galo cantaria! E as águias poderiam, talvez, voar em paz...

sexta-feira, maio 02, 2008


Rosa-albardeira, a maior flor silvestre da Europa encontrada nas nossas matas.