segunda-feira, março 19, 2007

Muito antes de João de Patmos, o profeta Daniel foi o expoente máximo da literatura apocalíptica judaica. Como seria de esperar, Daniel viveu num período muito conturbado para os judeus, quando, uma vez mais, estavam a ser oprimidos por uma potência estrangeira que lhes coarctou até a liberdade de culto e exilou milhares deles para a Babilónia. (O que os clérigos costumam sonegar é que a bíblia se refere a Daniel, não como um líder revolucionário operando na clandestinidade, mas como ocupando um lugar de destaque na corte do tirano Nabucodonossor, onde era tido como um especialista na interpretação de sonhos...) Os crentes estão convencidos de que Daniel previu com acuidade a vinda de Cristo e que 3 membros da tribo Magi (ou seja, os magos, seguidores do zoroastrismo e que se dedicavam à astrologia, à interpretação de sonhos, à adivinhação e à magia/encantamentos) terão ido ao encontro do menino Jesus porque seguiram as indicações do livro de Daniel.


Por volta de 175 a.C., os seleucidas da Síria, liderados por Antioco IV, tomaram Jerusalém. Antioco tinha como prioridade helenizar os judeus. A ofensa mais grave que cometeu contra estes últimos foi ter-se assumido como um deus, exigindo ser venerado pelos adoradores de Jeová no seu Templo.

Em 167 a.C., os judeus revoltaram-se, tendo a resistência armada durado vários anos. Daniel surgiu então como um profeta que prometia aos seus sofridos pares a ajuda divina, enquanto demonizava os inimigos de Israel ao longo dos séculos (metaforicamente representados como bestas do mar). Provavelmente antecipando o desfecho da insurreição judaica, Daniel descreve como o seu campeão libertador, Judas Macabeu, derrota Antioco, numa versão que não tem correspondência com a verdade histórica (apesar de, efectivamente, os judeus terem vencido o referido conflito em 154 a.C., sendo comandados por Judas Macabeu.) As suas terríveis visões escatológicas influenciaram os evangelhos (até Cristo se baseou nelas) e João de Ptamos.

Paulo acreditava que, durante o seu tempo de vida (antes do reinado de mil anos de Jesus Cristo), iria ser testemunha do fim do mundo. E assim decepcionou e confundiu muitos crédulos nos primórdios do cristianismo. Mas devemos ilibar Paulo pelo seu erro de cálculo escatológico, já que se baseou numa falsa promessa que Jesus Cristo (colando-se ao profeta Daniel) terá feito aos seus discípulos no Monte das Oliveiras, mesmo na véspera da sua crucificação (Mateus 24:34).

O João autor do Livro do Apocalipse (que, ao contrário do que acredita a maior parte dos cristãos, o mais certo é que não era a mesma pessoa que o seu homónimo apóstolo) foi condenado ao exílio na ilha de Patmos. Nesse ermo semi desértico teve muito tempo para urdir estórias que, através de rebuscadas e medonhas metáforas, expressavam a sua frustração o seu ódio ao império romano. Por volta de 95 a.C. (uma data vagamente estimada), João de Patmos enviou cartas a 7 igrejas da Ásia Menor (na actual Turquia).

No desfile de horrores escatológicos que a sua mente perturbada conjura e estiliza no Livro do Apocalipse (palavra que significa revelação) João recorre a um código numérico bem conhecido dos judeus para se referir à “besta” que é a encarnação máxima do mal. O seu número é o 666. A maioria dos investigadores acredita que este n.º equivale ao nome «Nero César», tal como era escrito em grego (a língua original do Novo Testamento). Mas existe um problema de desfasamento cronológico, já que João de Patmos terá escrito o livro em causa depois da morte de Nero (no ano 68 d.C.), quando o mundo romano estava dirigido pelo Imperador Domiciano. A explicação talvez seja tão prosaica quanto o facto de que todos os épicos exigem um confronto final entre titãs. O herói da estória deve possuir predicados superiores ao comum dos mortais, assim como um nemésis cujo poder destrutivo quase se equipare ao seu. O nome de Nero ainda provocava frémitos de terror e de cólera entre os cristãos. Muitos destes esperavam que Cristo regressasse em breve para repor uma nova ordem mundial ajustada ás suas convicções e conveniências, salvando-os da brutalidade ímpia dos romanos. Assim, João de Patmos parece insinuar que Nero iria igualmente erguer-se da tumba como a antítese perfeita do Messias, permitindo a Cristo e á sua legião de anjos mostrar todo o seu poder esmagando a pior das criaturas que alguma vez já tinha vivido. O governo de terror imposto pelo Imperador Nero granjeou-lhe uma reputação sobrenatural, num contexto verdadeiramente demoníaco. Tal como acontece na actualidade, as “super estrelas” (mediáticas), independentemente dos valores morais que as norteiam, adquirem um estatuto de “imortalidade” (ex.: Drácula/ Vlad Tepes, Hitler, Elvis Presley, etc, etc…). O fascino (mesmo que traumático) que provocam às multidões faz com que muitos se recusem a acreditar que são vencidos pela morte.

Os manuscritos do Mar Morto (também conhecidos como os manuscritos de Qumran) referem-se à nação judaica durante o período helénico, e , mais
concretamente, à seita dos essénios, que foi muito poderosa na Palestina no
primeiro e segundo século antes de Cristo. Esses textos dão-nos uma clara
ideia da doutrina escatológica que já dominava parte daquele povo atormentado
e belicoso. A comunidade de Qumran tinha objectivos apocalíptico–messiânico, ou seja, ansiavam por um fim do mundo apocalíptico (o "dia do
juízo final") protagonizado por um deus vingativo e cruento, enquanto se
empenhavam numa guerrilha contra os opressores romanos (até que estes
últimos, no ano 68 da nossa era, conseguiram descobrir os refúgios dos
rebeldes no deserto, aniquilando a oposição). Não era só contra os romanos
que a referida seita hebraica assestava os seus ódios; dominados por um
fundamentalismo/ortodoxia férre@, renegavam as orientações espirituais dos
seus ancestrais (nomeadamente o judaísmo "rabínico") e todos os seus
patrícios que não os seguissem incondicionalmente. Os líderes essénios
pretendiam o controlo absoluto das vidas dos seus seguidores por forma a
assegurar uma "pureza imaculada". Na sua doutrina podemos identificar um
ascetismo que repudiava a liberdade de pensamentos tanto quanto a harmonia com o meio silvestre, incluindo a animalidade humana (ex.: proibiam a defecação ao Sabbath, condicionavam a prática sexual e a alimentação), que viria a ser consolidada por alguns dos homens mais influentes do início do cristianismo :(S.) Paulo e (S.) Agostinho. (James Kugel, 1998;
Albert Baumgarten, 1998; Hank Roth 1999)
Os essénios acreditavam que o juízo final purgaria o mundo de toda a iniquidade
e, finalmente, o seu deus dar-lhes-ia a vida eterna repleta de prazeres
pietistas (começando pela ausência de todos os que pensavam e agiam de modos diferentes). Séculos mais tarde, os cristãos seguiram por esta senda de utopia intolerante, que os conduziu a um deserto espiritual...
«As noções apocalípticas podem ser encontradas (por volta do séc. IV a.C.)
no Livro de Daniel, no Livro de Enoch I e no Jubileu. Foram chamadas de
escatológicas porque prevêem o fim de uma velha era e o início de uma nova
era onde a justiça e a bondade triunfariam.»- Hank Roth 1999
as raízes destas visões apocalípticas não são fáceis de determinar com
exactidão, mas remontam pelo menos a um período compreendido entre o séc. XV a.C. e o séc. XII a.C., quando foram escritas
pelo profeta iraniano Zoroastro (na época em que o Irão estava sob domínio
persa) .
E, face ao fim do mundo, quais são os desideratos máximos dos extremistas
afectos às religiões abraâmicas? Os islamitas e o seu povo mais oprimido, os
palestinianos, sonham com a
destruição dos judeus e de Israel, para além de um califado de todas as nações
árabes, onde vigore a lei xaria, tendo o Corão como Constituição.

(Alguns destes fanáticos FDPs que chegaram ao topo do poder político-religioso nos nossos dias, têm-nos dado esclarecedores exemplos do cariz desses “paraísos” terrenos para islamitas. Veja-se o caso da Arábia saudita, do Afeganistão dos talibãns e do Sudão dos janjauides…)

Os cristãos ambicionam converter e
preparar para a segunda vinda de Jesus Cristo todas as outras confissões religiosas, bem como os ateus. (Os evangelistas estado-unidenses que têm dominado a Casa Branca durante a administração George W. Bush, reconhecem a prerrogativa bíblica de que os judeus são o povo eleito por Jeová, bem como a origem étnica de Jesus. Com arrogância paternalista, estão convencidos de que os judeus acabaram por se “desviar do caminho certo para a salvação”, mas que acabarão por reconhecer Cristo como o seu Messias no deflagrar do Armagedon. )

E os judeus pretendem reapossar/reconquistar
todo o antigo reino de Israel, honrando o pacto que os patriarcas bíblicos fizeram com Jeová e preparando a vinda do seu aguardado Messias.
Todos os que se opõem a estes objectivos "sagrados" deverão ser eliminados, pois agem contra "a vontade de Deus" e dos seus "escolhidos iluminados".

É por isso que os judeus extremistas estão dispostos até a
recorrer aos atentados terroristas e aos franco atiradores para mostrarem a sua relutância em abandonar os colonatos na Faixa de Gaza. A mesma motivação político-religiosa levou o israelita Yigal Amir a assassinar (em 1995) o seu Primeiro Ministro Yitzhak Rabin porque este último, por forma a consumar as negociações de paz, mostrou-se disposto a devolver terras aos palestinianos, o que foi considerado como uma traição inaceitável por parte dos israelitas.

Quando estes fundamentalistas assassinam civis (incluindo
os que pertencem à sua religião), o seu objectivo principal não é o de chamar à atenção para a sua causa, nem é respeitar integralmente os seus
textos sagrados (que, com todas as suas contradições, condenam essas acções
de extrema violência), pois julgam ter um objectivo político e messiânico
maior.


E não se trata apenas de uma luta pela sobrevivência étnico-cultural ou a
apropriação de recursos naturais; o que eles desejam é uma nova ordem
mundial/cósmica imposta pela destruição maciça do fogo apocalíptico - ao
qual apenas sobreviverão, purificados, os valores intemporais dos
sectários que, ao darem o seu contributo em vidas sacrificadas, se
sentem como se fossem os punhos de Deus e acreditam que serão recompensados
por apressarem o dia do juízo final.
Esta ideia já era apadrinhada por grupos hebreus da antiguidade; os fanáticos zelotes
eram demasiado impacientes (como) para esperar, e tentaram
«despoletar a redenção final forçando a mão de Deus.» (Arthur Hertzberg)

«A segregação é o plano de Deus!» Era um dos slogans mais populares nos
estados sulistas (norte americanos) durante a década de (19)60.

«Quem não é comigo é contra mim (…) -S. Mateus 12:30

O apoio incondicional da Casa Branca e do evangelismo fundamentalista que vigora nos EUA à política de apartheid israelita, obviamente que não se deve só a interesses geopolíticos e económicos. A recuperação da nação de Israel é uma das principais profecias do dogma escatológico pelo qual guiam as suas aspirações mais elevadas (a vida eterna no paraíso – interdito a todos os que pensem de modo diferente). Mas o milenarismo cristão, tal como é defendido por esses fundamentalistas, trata-se de uma doutrina (escatológica) anti-semita, pois exige aos judeus a aceitação de Jesus Cristo como o seu Messias, ou a extinção no Armagedão (Livro do Apocalipse).

Assim como muitas facções de extrema direita judaica que reivindicam uma “pureza ideológica, espiritual e racial”. Alguns deles tentam recrear um estilo de vida que julgam corresponder ao período anterior à diáspora; um regresso à terra num ambiente pouco propício para a almejada auto-suficiência. Da tecnologia moderna, o que consideram indispensável são as armas (incluindo os engenhos explosivos que usam em atentados terroristas++++) … Os grupos extremistas que aí habitam (geralmente associados aos colonatos, tais como «A Juventude do Cume» e os seguidores da ideologia Kahanista) por vezes organizam-se com objectivos escatológico-imperiais, que passam por atentados terroristas. Ou seja, pretendem causar o máximo de distúrbio na sociedade, ao ponto de deflagrar uma guerra final entre judeus e árabes, com extermínio total destes últimos e a reconquista integral da “terra prometida”. Para estes arautos do fim do mundo, não basta o “renascimento” do Estado de Israel tal como foi definido em 1948 (à custa de uma vil traição aos árabes que ajudaram os ingleses a derrotar o império otomano e os alemães); eles anseiam ardentemente pelo Grande Israel bíblico. Por isso é que os evangélicos estado-unidenses têm dispendido avultadas verbas no apoio à constituição de colonatos judeus em territórios palestinianos.

Alguns dos seguem piamente as profecias escatológicas estão convencidos de que a segunda vinda de Cristo, ou a chegada de outro Messias para os judeus, só poderá acontecer se for restaurado o Templo de Salomão (Apocalipse 11:1) ~~. O grande problema é que no local onde outrora existiu esse edifício emblemático agora existe a mesquita da Cúpula do Rochedo, cuja destruição através de algum atentado terrorista certamente colocaria (pelo menos) todo o Médio Oriente em guerra. Essa perspectiva catastrófica é prelibada por muitos tresloucados que empunham textos sagrados, vendo neles o que querem ver, com uma fidelidade agressiva a dogmas anacrónicos - e o Talmude está cheio de salmos / versos que enaltecem a vingança, como se isso fosse uma das maiores virtudes do povo de Jeová…

~~ A lenda diz que Templo de Jerusalém foi mandado edificar pelo rei Salomão .

No séc. VI a.C. o exército de Nabucodonossor toma Jerusalém e destrói o seu templo.

Este edifício sagrado conheceu o seu máximo esplendor arquitectónico, bem como o auge da afluência das massas, com o (romanizado e extremamente impopular) rei Herodes.
Em 70 d.C. os romanos voltariam a destruí-lo.

Em 638 os muçulmanos invadiram a cidade santa e, como fazem conquistadores, construíram os seus templos sobre as ruínas dos locais de culto do povo que subjugaram.

Talvez o que estes fanáticos judeus odeiam com mais intensidade do que os árabes/muçulmanos, são os seus compatriotas [israelitas] que procuram encontrar soluções convivenciais, ou mesmo harmoniosas, com os palestinianos.

Deste modo, os terroristas judeus continuam a tentar ataques de extermínio em massa e/ou alvos estratégicos muito sensíveis (do ponto de vista político-religioso e humanitário), como, por exemplo, escolas muçulmanas e as mesquitas do Monte do Templo.

++++Em Israel, o fácil acesso às armas é uma consequência da intensa militarização que caracteriza essa sociedade. (Quase toda a gente tem que fazer serviço militar, e os soldados, quando vão passar os fins-de-semana a casa junto dos seus familiares, são obrigados a levar com eles as armas de guerra – mesmo não passando de garotos…)

Alguns dos maiores atentados terroristas que a polícia israelita conseguiu abortar, estavam a ser elaborados por judeus fundamentalistas com recurso a material bélico roubado ao exército.


Com frequência ouvimos os israelitas justificarem o seu regime de apartheid e
de ocupação de terras dos palestinianos, com o argumento de que «Deus deu
esta terra aos judeus, não aos árabes!» É extremamente difícil contra
argumentar com um crente que se barrica nos seus textos sagrados, pois estão
convencidos de que são o veículo de palavras sacrossantas. Mas neste caso é
fácil perceber que estão a manipular grosseiramente (sonegando
tendenciosamente, para construírem uma meia verdade, as partes que não lhe
interessam) as "palavras de Deus" registadas nos livros do Levítico e do Êxodo. Segundo esse
texto, Deus avisou aos homens da casa de Israel de que só teriam direito às
terras de Canaã , que lhes concedia por graça, se estes cumprissem
escrupulosamente os seus mandamentos - que incluíam a não pressão dos
"estrangeiros" (ou seja, os naturais não israelitas) que aí residam,
devendo mesmo amá-los como a si mesmos. Com pertinência, lembrou aos seus
eleitos que estes também foram estrangeiros (tratados com soberba) no Egipto e
por isso tinham a obrigação de agir com justiça e com respeito na vida que
começavam a construir numa pátria nova. (Lev. 19:33-36)

Protecção aos estrangeiros)

Êxodo 22:21 ; Levítico 19: 33-37


Jeová deixa claro que a terra a Ele pertence, não passando os habitantes de
Canaã de estrangeiros e colonos/rendeiros Seus. (Lev. 25 : 23) Aquela terra já
teria vomitado outros habitantes que se mostraram indignos das dádivas divinas,
e voltará a fazê-lo com os israelitas se estes a contaminarem com
«abominações», e deus encarregar-se-á de extirpar do seu povo as almas
prevaricadoras. (Lev. 18: 28-30)
«Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás (…)» (Lev. 19:13)
«Não fareis injustiças no juízo: não aceitarás a pobreza, nem adularás os
poderosos; com justiça julgarás o próximo.» (Lev.19:15)
«Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás
o próximo como a ti mesmo.» (Lev.19:18)
« Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra» S. Mateus 5:39
»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»
«Há perturbantes paralelismos entre a conquista dos ameríndios pelos colonos
euro-americanos e a conquista da Palestina pelo judeus zionistas [assim como em quase todas as manifestações de colonialismo]. Ambos os
conquistadores tenham "boas razões", desde o seu ponto de vista, para
praticar a opressão e o genocídio.»
Talvez seja verdade que «o direito das pessoas às suas terás em parte deriva
da sua habilidade em defendê-las da inevitável intrusão de outras pessoas.
(...) Os euro-americanos provinham de uma Europa empobrecida e comummente
repressiva, e sentiam que mereciam algo (de) melhor. Havendo milhões deles e,
comparativamente, tão poucos indígenas, parecia, no mínimo, um desperdício
deixar um vasto continente só para uma mancheia de caçadores-recolectores.
Devido ao sofrimento dos judeus (mesmo antes do holocausto), os zionistas
sentiram que a sua necessidade por uma pátria superava os direitos de uns
árabes subdesenvolvidos. Afinal de contas, nenhum povo alguma vez possuiu os
seus territórios desde o início da humanidade. As pessoas de todas as
nações são descendentes de conquistadores.**» - Ronald Goetz
**Isto é verdade, tal como é verdade que o sedentarismo desde os primórdios
da nossa espécie foi sempre privilégio dos mais fortes e inclementes, tendo a
nossa espécie conquistado o globo porque havia sempre grupos mais fortes que
empurravam os derrotados para longe dos melhores territórios, ou porque os
recursos naturais começavam a escassear perigosamente. Os novos
conquistadores-colonialistas dizem seguir orientações divinas, mas no plano
espiritual/religioso o que realmente os difere dos povos que oprimem e exploram
é o facto de terem um deus
ex machina, pois é a superioridade tecnológica,
não moral & teológica, que dita o rumo dos acontecimentos.


Antes da al Qaeda, das cruzadas dos Bush, do apartheid genocida que Israel
impõe aos palestinianos, e da resposta do Hamás, já a história estava
abarrotada de exemplos de líderes que inspiraram os seus seguidores
(intoxicados com promessas de recompensas eternas para si e para os seus entes
queridos) a abdicarem do seu instinto de auto-preservação, da liberdade de
pensamento crítico e da oportunidade de tentarem construir uma vida estável e
feliz, quando esta estava ao seu alcance, a fim de se engajarem em projectos
assassinos que exigem o martírio messiânico, como a única maneira de
alcançar algum tipo de paraíso. A transcendência ideológica da missão
genocida é especialmente convincente quando os seus profetas acumulam as
funções de líderes religiosos e militares, bem de acordo com os heróis
bíblicos.

Para os que acalentam as visões apocalípticas, os compromissos mundanos da
convivencialidade idiossincrática e multicultural estão fora de cogitação.
A realidade é demasiado penosa para os que se sentem impotentes para impor as
suas ideologias a toda a sociedade, e não nutrem o menor respeito por aqueles
que pensam e agem fora dos seus parâmetros fundamentalistas. Assim, acreditam
que só deus os poderá vingar, redimir e recompensar. A vida que desejam só é
possível através da purificação apocalíptica - e eles querem ser os seus
arautos, sentindo o gosto de uma parcela da omnipotência destruidora que
atribuem às suas divindades.



A ressurreição purificante é um mito muito recorrente em quase todas as
culturas, suponho que desde que os nossos antepassados tiveram capacidades
cognitivas para questionar o sentido da vida. Este mito é fruto do nosso medo
da morte, mas sobretudo de que a vida não seja uma contingência cósmica,
cujo sentido não seja outro além do que escolhemos acreditar. Ninguém
encontra conforto na ideia de que existimos ao acaso excluídos de um plano
cósmico concebido por poderosas entidades metafísicas(mas antropomórficas), que acabarão por
corrigir injustiças (em que incluem as nossas limitações físicas
impostas pela natureza) e perpetuar a nossa existência e os valores morais e
espirituais que temos em mais lata consideração. Assim, a morte (ou o fim da
nossa consciência individual) deixa de ser um fim aleatório, mas inevitável,
podendo tornar-se num legítimo instrumento de redenção para os mártires.

Nas religiões abraâmicas, a expiação pela dor - cujo zénite é o martírio apocalíptico – sempre foi encarada como uma parte essencial do processo de elevação espiritual. Se os seus profetas, Messias e apóstolos sofreram horrores pela sua fé, então o sofrimento dos seus seguidores aproximam-nos da santidade – e esta só poderá ser alcançada através da renúncia aos ditames da natureza.

Cristo sacrificou a sua humanidade para obedecer aos desígnios do seu pai celeste (apesar de muito confuso, é suposto que esse sacrifício trouxe benefícios à humanidade, tendo sido cometido em nome dos nossos pecados ?!?)
«Mas alegrai-vos no facto de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.» (I Pedro 4:13)

«Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.» (Paulo, Aos Gálatas 6:17)~~~



~~~~Paulo terá sido a primeira pessoa da Igreja a auto publicitar a sua dor por forma a dar credibilidade à sua fé.
Como as mulheres eram mais ligadas à natureza (ex.: por a menstruação, a
fertilidade e a gravidez serem pontuadas pelos ciclos lunares; por terem fama
de manipuladoras; por conhecerem "estranhas" mezinhas, com as quais curavam
os seus filhos, etc...), muitas freiras foram consideradas "agentes
infiltrados" ao serviço de Satanás. Ainda por cima, apesar de S. Francisco
de Assis (que morreu em 1226, sendo canonizado apenas dois anos depois) ter
sido o primeiro caso documentado de um devoto a apresentar os "estigmas de
Cristo", este raro fenómeno tinha uma predominância claramente feminina (de
7 para 1 em relação aos homens). O sacerdócio podia estar interdito às
mulheres, mas o povo geralmente via as freiras como ainda mais devotas e menos
hipócritas do que os sacerdotes. E quando estas mostravam "manifestações
do divino"(ex.: a capacidade de curar outras pessoas e os estigmas)
tornavam-se perigosos alvos de devoção.
A Igreja nunca viu com bons olhos quaisquer manifestações de mitologia vivas
fora da sua orgânica hierárquica. Era uma época em que o exacerbado fervor
religioso de um povo desiludido com a Igreja procurava novos caminhos
diferentes dos impostos por Roma. Sempre que os devotos tinham experiências
religiosas directas, em que reforçavam a fé de cada indivíduo interagindo
com as suas entidades (místicas) de culto, estavam a declarar que não
necessitavam da intermediação da Igreja.

O professor Gary Burge dá aulas de religião/teologia na Universidade de
Wheaton (Illinois). Tal como outros evangélicos fanáticos, em 1991, quando o
seu país partiu para a guerra no Golfo Pérsico, mostrou assim o seu
entusiasmo belicoso: « Se a guerra significa que se aproxima a 2ª vinda de Jesus, então que se iniciem as hostilidades! Se a guerra significa a aceleração do relógio escatológico, então vamos a isso!»
Mas quando este académico (que costumava dizer aos seus alunos «Deus é um
zionista bíblico»...) percebeu que a guerra em causa tirara a vida a mais de
200 mil iraquianos e que os subsequentes embargos impostos pela ONU ao Iraque condenavam à morte 500 crianças por dia, repensou a sua posição e acabou
por renegar o seu fundamentalismo religioso, xenófobo e imperialista.


George W. Bush & Cª LDA empunham a bíblia, inspirados por avatares
fundamentalistas e reivindicando o monopólio dos "valores cristãos",
quando as suas acções e o que predicam nada tem a ver com o que Cristo
defendeu/doutrinou e o seu exemplo de vida que sobreviveu às numerosas
manipulações deturpantes que as religiões ocidentais fizeram na
bíblia. (Bem, no fundo, acreditamos sempre no que queremos acreditar.)
O profeta andarilho da Galileia (cuja mitologia parece ser uma súmula
de mitos mítricos e budistas), tal como nos é retractado na bíblia (o único registo “histórico” que atesta a sua existência) era um rebelde cínico (na verdadeira asserção da palavra, que remete à escola filosófica de Diógenes) e
corajoso, indómito perante os poderes instituídos; agitador de
consciências oprimidas; defensor de um movimento social que, segundo
a actual cosmovisão e os respectivos valores sócio-políticos, poderia
inscrever-se no socialismo primitivista e libertário, (re)creando um
sistema moral que se integre na amoralidade igualitária e generosa da
natureza, onde a aceitação pluralista pelos cultos religiosos, o
pacifismo humanista e solidário (à excepção daquela passagem polémica encontrada em Lucas 19:27, em que Cristo ordena aos seus seguidores que assassinem os que não o aceitam como Rei dos judeus…), a humildade, a pobreza voluntária e a integridade entre o discurso e a acção eram pontos de honra. Defendia o desenvolvimento de vínculos espirituais espontâneos; e essa
espiritualidade deveria ser tão holística quanto idiossincrática, sem
mediações entre o homem e o sagrado, considerando todas as pessoas
como parcelas desse sagrado.

PB


Que bem que se está no campo em Alpiarça!...

terça-feira, março 13, 2007

Quem foi o pai da Igreja Católica? O apóstolo Pedro? O teólogo Paulo? Não, foi o Imperador Constantino.

O romano Constantino (que muito apreciava dar sermões sobre as virtudes do cristianismo e da sua pessoa aos membros do Senado, intimidando-os a seguir o seu exemplo, ou a enfrentarem os eternos suplícios do inferno…) declarou o cristianismo como a religião do Estado, consolidando a imposição de rígidas hierarquias em instituições político-religiosas que se apresentam como indispensáveis intermediárias entre Deus e os crentes – para melhor explorar e manter sob controlo os socialmente mais desfavorecidos.++
Mas vários séculos antes de Constantino já o Estado romano tentava andar de mãos dadas com a religião, fazendo do panteão de deuses um exército com capacidades de coerção e manipulação tão eficaz quanto os legionários na manutenção da “pax romana”.
Alguns exemplos de imperadores que seguiram essa estratégia:
- Júlio César afirmava-se com filho dos deuses Eneias e Vénus, e manteve a religião sob a rédea curta do Estado, chegando a auto proclamar-se Pontifex Maximus ;
- Augusto não teve o menor pudor em se promover como um deus ;
- Adriano foi ao cúmulo de completar o panteão romano com a deificação (por decreto imperial) de um seu amante morto por afogamento no rio Nilo! Nem Calígula se atreveu a ir tão longe, ao nomear o seu cavalo favorito (Inquitatus) como um sacerdote de pleno direito...
Assim, podemos concluir que Constantino, como líder do império, ao reformar a religião teve objectivos semelhantes aos de Josias (séc. VII a.C., Judá) com a implementação forçada do culto monoteísta a Jeová.




++ As prédicas de S. Paulo foram-lhe extremamente úteis nesses objectivos. (De um modo semelhante, a filosofia de Confúcio (5 séc. antes de Cristo) serviu o totalitarismo/despotismo das sucessivas dinastias chinesas, como doutrina de subordinação à autoridade (apesar de o primeiro imperador da China ter tentado erradicar o confucionismo). Confúcio defendia um respeito incondicional aos mais velhos e à unidade
familiar, como disciplina para o povo obedecer aos governantes. A família ideal para este filósofo-político tinha um forte cariz patriarcal (reservando
para as mulheres um estatuto idêntico aos dos servos) e todos deveriam honrar o soberano da nação, mesmo que se tratasse de um tirano. Era esta a forma
como Confúcio pretendia manter a ordem e a paz na sociedade.

Até o reformador cristão Calvino (1509 - 1564), um dos maiores ideólogos protestantes, durante muitos anos defendeu a ideia de que a obediência às
autoridades civis era um dever cristão. Só quando sentiu que essas autoridades ameaçavam a sua vida e a dos seus irmãos de fé devido à intolerância religiosa, é que mudou o discurso apelando à desobediência civil, argumentando que as autoridades (a monarquia, neste caso) que perseguem a religião que Calvino considerava a verdadeira, perdem o direito a ser obedecidas.





Na qualidade de verdadeiro pai da Igreja Católica Apostólica Romana, Constantino dotou o cristianismo de uma ideologia política imperialista. O crescimento desse culto foi conseguido pelo favorecimento (em detrimento das outras religiões) através do mecenato imperial e de legislação que fez aprovar especificamente para esse propósito; subornou e recompensou com postos na hierarquia imperial os neófitos mais ambiciosos e oportunistas; e a sua obsessão pela ostentação de poder e de riquezas, levou-o a mandar construir numerosas igrejas decoradas com pedras preciosas e outros luxos deslumbrantes. Assim, a popularidade do seu cristianismo cresceu (proporcionalmente ao esvaziar das virtudes que esse culto já possuíra quando os seus devotos tentavam agir de forma coerente com as principais mensagens e qualidades de Jesus Cristo) até acabar por se tornar a religião unificadora do império e a principal garantia de estabilidade política de Constantino. Por esse motivo, os imperadores que se lhe seguiram viram-se forçados a continuar a defender o cristianismo, ou melhor, a política dinástica cristã.
Constantino era um homem tão patologicamente agarrado ao poder que, entre as muitas atrocidades que cometeu para o conservar, foi o responsável pelo desencadear de uma guerra civil desnecessária e nem a sua própria família escapou às suas vingativas e paranóicas suspeitas de conspirações e de infidelidades, tendo mandado assassinar a sua cunhada, a sua esposa e o seu filho mais velho.
Como naquele tempo ainda não estava instituído o ritual expiatório da confissão, Constantino esperou até sentir que estava às portas da morte para se fazer baptizar, acreditando que tal abluiria todos os seus pecados, enviando-o directamente para o reino de deus puro como
um anjo.

O terceiro Concílio de Latrão (realizado em 1179) consolida a política de unificação da Igreja com o Estado iniciada com/por Constantino e Teodósio (este último tornara a Igreja Católica como a religião oficial do império, ao ponto de conversão passar a ser obrigatória). No seu cânone 27 aponta a obrigação dos príncipes em ajudar a Igreja a reprimir a heresia (assim como a Igreja ajudava a legitimar o poder – “concedido por Deus” – dos monarcas). Os senhores da guerra acudiram ao apelo, fornecendo os meios para assegurara protecção dos clérigos bem como para implementar as decisões eclesiásticas, por mais impopulares que fossem. A partir daí, o crime contra a fé foi oficialmente considerado crime contra o Estado.

PB

segunda-feira, março 12, 2007

Aquando dos primeiros contactos entre a expedição de Cortés e os nativos da Mesoamérica, a cupidez dos espanhóis engendrou um esquema puerilmente freudiano para roubar os seus anfitriões com a concordância destes últimos. Cortés e os seus guerreiros pediram aos nativos (que os receberam ricamente ornamentados) que lhes trouxessem ouro pois essa era a única medicina eficiente para a sua alegada doença de coração…
A versão caucasiana que se tornou na história oficial impingida nas nossas salas de aulas enaltece o feito militar de Cortés (Cortez) quase como se um punhado de espanhóis gananciosamente impiedosos e traiçoeiros tivesse poderes sobrenaturais que lhes permitiu destruir um império apenas pelos seus meios. Assim, enfatizam a ideia de uma extraordinária superioridade étnico-cultural face a uns ameríndios subdesenvolvidos, que foram vítimas da sua estupidez e medo supersticioso. Há uns 5 séculos que essa propaganda execrável pretende que acreditemos que nenhum povo ou nação entregue às trevas do paganismo e dos “genes inferiores” poderá ser páreo para a religião, a tecnologia de guerra e , aparentemente, também a divina providência que protegem o cancro ideológico eurocêntrico.
Na verdade, os espanhóis teriam pouca esperança de sobreviver a essa empreitada militar sem a ajuda de várias tribos rebeldes que estavam cansadas do jugo dos mexican (aztecas) e conheciam bem os pontos fracos destes últimos.
As doenças trazidas da Europa (com destaque para a varíola, gripe e várias doenças do gado) dizimaram mais indígenas do que o aço espanhol.
Após a conquista de Tenochtitlan (a capital-ilha dos mexican) em 1521, e tendo deitado mão a uma enorme quantidade das almejadas pedras preciosas, não tardou muito a que os espanhóis se tornassem sorumbáticos, entregues ao álcool e, por fim, presas fáceis das enfermidades fatais ( a maioria das quais levaram consigo para o “Novo Mundo”).
Até os líderes destas expedições militares colonialistas (começando por Colombo), apesar de terem conquistado um lugar de destaque nos livros de história e a sua anatomia reproduzida em monumentos, caíram em desgraça ainda em vida, morrendo consumidos pela frustração e pelo ódio de terem sido “injustiçados” pelos seus superiores hierárquicos.
À semelhança do que tinha feito (em 1454) o Papa Nicolau V, dando ao Rei português Afonso V a aprovação do Vaticano à política de saque, genocídio e escravatura que se esperava tivesse como ponta de lança o Infante D. Henrique, logo que se soube da descoberta do Continente Americano (que ainda se julgava tratar-se da Índia), o Papa Alexandre VI foi expedito em exarar um édito [papal] cujas intenções podem ser resumidas no seguinte parágrafo (extraído do documento original): «A Fé Cristã e a Religião Católica será especialmente exaltada no nosso tempo, espalhada e engrandecida por todas as partes do mundo, a salvação está ao alcance de todas as almas, as nações bárbaras serão subjugadas e conduzidas à [verdadeira] fé.» (Wayne Ellwood, 1991)
Na obra «Breve História da destruição das Índias», da autoria do padre Bartolomé de Las Casas (que remava contra a corrente ideológica que conduziu o colonialismo europeu), pululam descrições tão pungentes quanto abomináveis dos massacres perpetrados pelos espanhóis – com o aval do poder secular e do poder temporal. O fanatismo religioso desta força invasora assumia contornos grotescos. Mesmo antes das fogueiras da Inquisição começarem a queimar indígenas em massa com o intuito de purificar pelo fogo os seus corpos e almas de pagãos, já o grupo de Cortez passou dias a enforcar mexicans separados em grupos de 13 – que, de alguma forma, para os algozes simbolizava uma infame homenagem a Cristo e aos 12 apóstolos!...


Quando Pizarro e os seus (180) homens conseguiram aprisionar o imperador inca Ataualpa, este último negociou o seu resgate fazendo-lhes uma proposta irrecusável: em troca da sua liberdade ordenaria aos seus súbditos que trouxessem de todo o império ouro e prata em quantidades suficientes para encher duas divisões (uma delas era onde se encontrava aprisionado, e marcou a quantidade acordada até à altura em que conseguia esticar o braço em direcção ao teto). Demorou 7 meses, mas, ao contrário dos espanhóis, os incas cumpriram a sua parte do acordo.
Ao verem aquela imensa fortuna em ouro e prata – num total calculado em 24 toneladas, das quais 6 eram de arte sacra e de raros objectos de adorno-, os espanhóis extasiaram e descreveram-na como «saída de um sonho! Os objectos pareciam demasiado belos e resplandecentes (como) para terem sido feitos por mãos humanas!» (sic) Mas como a sua ganância rapace e o pragmatismo administrativo não podiam fazer concessões à sensibilidade estética e, menos ainda, ao respeito pela liberdade de culto, todo aquele ouro foi logo derretido e convertido em barras (das quais apenas um quinto foi enviado para Espanha…). Numa das maiores e mais explicitas demonstrações formais de xenofobia e de prepotência colonialista, Ataualpa foi executado (em 1583) sob a acusação de «ser um inca»(sic)… Como demonstração de “clemência magnânime”, os espanhóis revogaram a traiçoeira sentença de matar o imperador queimando-o vivo, contentando-se em estrangulá-lo...

Neste contexto, a hecatombe subsequente era inevitável. ( só no Brasil, em 500 anos de ocupação europeia, uma população estimada em 5 milhões de ameríndios ficou reduzida aos 200 mil actuais…)
PB

sexta-feira, março 02, 2007

Pouco importa a quantidade de informações acumuladas, sem a capacidade de formular, discutir e ensaiar novas ideias. Esta asserção é tão válida para os indivíduos como para as civilizações em ascensão.


“Entramos na cadeia de produção aos cinco anos, por vezes antes. Separam-nos por idades, em grupos manejáveis. (…) Não podemos seguir o velho modelo de educação industrial: eficiência, controlo, coação. O sistema é uma máquina que se tornou obsoleta.” – Carlos Fresneda (2002)



a UNESCO aponta Portugal como não investindo mais que 5% do PIB na educação (instrução), o que é próximo da média europeia, mas fica muito aquém da Suécia e da Dinamarca. Na Europa dos 25, apenas malta fica abaixo do nosso país no que toca à percentagem de jovens que completa o ensino secundário. Com a facilidade de trânsito que irão usufruir as populações (em média com maiores qualificações e desejosos de emigrar e/ou de acolher fábricas à procura de mão de obra barata) dos novos países aderentes (à U E), a disputa por empregos irá agravar as tensões sociais.
90% do orçamento para a educação/instrução é gasto nos ordenados dos professores, sendo principalmente as famílias dos estudantes (através das propinas) que têm arcado com o grosso das despesas de manutenção das universidades (Cabrito, 2004).



O governo exige que os departamentos de investigação das universidades se auto-financiem, o que se traduzirá na total dependência de apoios externos, nomeadamente de empresas. E assim se estrangula a pouca investigação independente de que beneficiávamos. Mas tal não é nenhuma surpresa, pos há muito que grande parte dos estudos efectuados pelas universidades são estudos de mercado destinados a permitir mais penetrações na vulnerabilidade consumista dos crédulos e eternamente insatisfeitos cidadãos.
(Como uma solução de compromisso pontual, os novos laboratórios da Universidade de Coimbra são patrocinados por uma instituição bancária.)
O Dr. Jorge Paiva é provavelmente o nosso maior botânico no activo. Mas é muito mais do que um investigador e catedrático (cujo trabalho é reconhecido internacionalmente), e um livro que aborde a educação ambiental em Portugal não poderá deixar de falar sobre ele .
É já lendária a sua entrega e capacidade de trabalho, e não há ninguém que tenha sido seu aluno que não o admire profundamente.
Manteve-se sempre fiel aos seus ideais ambientalistas com uma integridade e dignidade como quase não se vê em lado nenhum. Emprestou, de forma totalmente abnegada, os seus conhecimentos e o seu prestígio a várias ONGAs e campanhas, mas nunca lhe interessou o protagonismo mediático e sempre conseguiu esquivar-se às manipulações que o queriam submeter o poder político. Com lucidez e coragem, tem enfrentado quaisquer poderes instituídos, tendo sofrido vários atentados à sua vida quando (na década de 80) se empenhou em denunciar os interesses das celuloses e dos medeireiros.
No final dos anos 90, reformou-se do ensino para poder dedicar-se mais à investigação (no Instituto Botânico de Coimbra) e para atender a imperativos de consciência que o impelem para uma maratona de visitas a quase todas as escolas do país, tentando disseminar poderosas mensagens ambientalistas. Durante esse périplo (que ainda não findou) nunca recebeu quaisquer apoios. Até o combustível do seu automóvel (um modelo caro que se viu obrigado a comprar com o principal fito de aguentar tanta estrada) e as refeições teve que pagar do seu bolso. Prescinde ainda de receber honorários das suas acções de formação de professores promovidos pelas ONGAs e é a pessoa que mais tem investido na sensibilização ambiental dos nossos juízes.
O seu empenho como activista da ecologia é tanto mais admirável quando percebemos que o faz sem sequer nutrir esperanças de que a actual crise ambiental e social mude para melhor, e nunca perdendo o sentido de humor.
A sua actividade tem-no levado aos pontos mais remotos do globo, de onde traz sempre, a par de volumosos herbários, uma mancheia de estórias do mais fascinantes e divertidas que se possa imaginar.
É ainda colaborador de vários institutos botânicos estrangeiros, da Flora Ibérica, participando dos inventários taxonómicos de tantas outras floras por todo o mundo (ex.: Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Malawi, Zimbabué, Timor Leste, Brasil, …).
Para mim tem representado o melhor de Portugal com um mérito inspirador só comparável ao trabalho de medicina humanitária protagonizado pela AMI (Assistência Médica Internacional, presidida pelo Dr. Fernando Nobre), que quase me restituem a fé na humanidade. Bem hajam.
Peço que o Dr. Paiva me perdoe a inconfidência, mas sinto-me na obrigação de aqui transcrever um pequeno excerto de uma das suas cartas a mim dirigidas, para que tenham consciência do tipo de consideração que o governo e as universidades reservam aos idealistas mais competentes.
« (…) Já dormi muitíssimas vezes ao relento por não ter dinheiro para uma pensão sequer. Ainda o ano passado [2003] o fiz em Timor e fi-lo muitas vezes na Plaza Mayor de Madrid, quando lá vou trabalhar para a Flora Ibérica, pois Portugal está de tanga e nunca me deram dinheiro para cobrir as minhas despesas inerentes a esse trabalho, quanto mais para os trabalhos ambientais. É o país que temos. Nas viagens que faço para a colheita de plantas nos trópicos (…) pagam-me apenas as viagens.»




As marcas e a escola
No que toca às influências culturais externas, cá vamos cumprindo o nosso triste fado de sermos espelhos (distorcidos) do que pior se passa por terras do “tio Sam”. Estou curioso para ver quanto tempo demorará até termos as escolas patrocinadas por marcas, ou se, por outro lado, os educadores portugueses saberão marcar uma fronteira de decência e dignidade, recusando-se a debicar as migalhas na mega liça comercial.
O fantasma do deficite patrocina/apoia/impulsiona as privatizações e o proxenetismo. Os Estados concedem benesses fiscais e outras regalias aos “tubarões” da economia (que esfregam as mãos de contentes ante as recessões por eles criadas, enchendo os bolsos à custa da miséria alheia e, ainda por cima, sendo aclamados pelos seus “milagres económicos” baseados na absoluta precariedade do sector dos serviços), enquanto que reduz os gastos do erário público em sectores fundamentais como a educação, a saúde e o ambiente. Mas não há político que se abstenha de alardear sobre a imprescindibilidade de equipar as escolas com programas de softwar educativo. E as associações de pais concordam entusiasmadas. E o espaço virtual da Internet vai ganhando uma preponderância maior do que as salas de aulas. E a pedagogia de carregar botões vai-se afirmando como um fim em si, tornado obsoletos/anacrónicos os restantes auxiliares pedagógicos, apesar de muitos renomados pedagogos questionarem os seus exacerbadamente propalados benefícios (ainda por comprovar)


As crianças ainda mal sabem falar e já os pais insistem em medir-lhes a inteligência pela habilidade que eventualmente tenham em reconhecer caracteres e em manipularem um teclado de computador.
Foi essa obsessão pela tecnologia de ponta que abriu as portas das escolas e estendeu uma passadeira vermelha às marcas, permitindo que estas tomassem de assalto tão cobiçado bastião – fervilhante de consumidores ávidos e ingénuos.
Como muitas escolas (mesmo desviando verbas anteriormente atribuídas à educação , ao teatro, à literatura e até ao desporto, ente outros exemplos) carecem de fundos de maneio necessários à aquisição de uma parafernália de áudio visuais, cederam ao assédio chantagista das corporações. Estas últimas fornecem-lhes os brinquedos caros, e em troca as escolas têm que prestar vassalagem às suas marcas. E não lhes chega estarem presentes em cartazes, nos autocarros, nos equipamentos desportivos, na cantina, etc…; exigindo entronizar os próprios programas educativos. Assim, aos alunos é-lhes pedido que utilizem todos os seus conhecimentos multidisciplinares para que concebam campanhas publicitárias e pesquisas de mercado tendo como figura central uma determinada marca. Esses alunos poderão (ou não) receber vários brindes adicionais (às notas académicas) e até a possibilidade de estagiarem nessas empresas.
Um dos casos que no final dos anos (19)90 fez correr mais tinta pelo seu carácter anedótico e ao mesmo tempo extremamente perturbador, foi o de um finalista da Escola Secundária de Greenbriar (Geórgia, E.U.A.) chamado Mike Cameron. Ora este adolescente foi suspenso pelo concelho directivo por ter cometido o infame atrevimento de vestir uma T-shirt com o logótipo da Pepsi no dia em que o seu liceu declarou como “Dia Oficial da Coca-Cola”!...
Mas as instituições públicas (ex.: escolas, câmaras municipais, …), pelas avultadas verbas que desembolsam podem e devem ter uma atitude de integridade musculada exigindo às empresas fornecedoras de bens e de serviços um mínimo de moralidade na sua conduta. A ética empresarial (sob vigilância independente) terá que começar a fazer parte dos contratos de trabalho.



Um ambiente “pedagógico” uniformizante , opressivo e contra natura, será sempre um terreno demasiado árido para medrarem valores mais democráticos, mais conscienciosos, mais respeitosos, mais solidários e mais felizes, que sejam os pilares de um novo humanismo ecológico. «Uma nova política de educação/instrução teria que dar prioridade à formação de uma geração de cidadãos possuindo as competências e as qualificações que as novas lógicas requerem: as da economia social, da economia solidária, da economia local, da economia cooperativa. Daria igualmente uma importância primordial à cooperação com outras comunidades, regiões e povos do mundo, no sentido de fazer recuar a actual tendência para a apropriação privada dos conhecimentos, colocando estes últimos ao serviço da promoção de um estado de bem-estar mundial que garantisse a todos o direito a uma vida digna» (Ricardo Petrella, Le Monde Diplomatique 2001)
Ao invés de os laboratórios bioinformáticos da procreática brincarem com as hélices duplas do ADN, como se estas fossem serpentinas de carnaval que alguns desejam comercializar na feira das vaidades, se queremos melhorar como indivíduos e como espécie, teremos que parar de destruir o meio ambiente e recuperar habitats; adoptar hábitos saudáveis; investir numa correcta educação e miscigenarmo-nos.


Um crescente número de pais tem vindo a discutir os postulados morais e éticos de entregar ao Estado a educação dos seus/nossos filhos, sentindo que, se não reivindicarem um papel mais activo e responsável, correm o sério risco de se tornarem meros proprietários absentistas dos seus descendentes. Como poderão desfrutar e conhecer bem as crianças entregando-as – logo a partir dos três meses! – a terceiros para que cuidem deles, mal os vendo nas sobras dos seus dias apressadamente desventurados. Se é verdade que uma nação de crianças subnutridas e carentes de educação vão construir sociedades necessariamente débeis, parece-me igualmente óbvio que as crianças que crescem num estado de semi-abandono por parte dos seus pais entregues a um mundo materialista e competitivo, não poderão tornar-se adultos equilibrados e felizes. Esse estado de orfandade afectiva (que os técnicos denominam de “défice parental”) poderá dar uma nova relevância ao papel dos avós, mas por mais disponíveis e carinhosos que estes sejam, não podem substituir o papel dos pais e dificilmente conseguem colmatar esse “síndroma do ninho vazio” (quando os pais estão fora todo o dia).

A opção pelo ensino doméstico (homeschooling) parece excessivamente contra-a-corrente para alguns pais “tresmalhados” e com demasiadas preocupações económicas poderem levar a cabo. Indubitavelmente, este é um sistema alternativo que necessita estar ligado a uma rede de apoio bem estruturada e competente. Não se pretende um isolamento pristino/imaculado das crianças, apenas se considera que deverão estar adunadas por reais interesses num ambiente não competitivo, não por uma fatalidade comum e aleatória. Estimular a criatividade e os valores solidários e ecológicos tampouco significa excluir do programa de ensino tudo o que se relacione com as disciplinas formais do currículo académico.
Provavelmente o melhor sistema de ensino doméstico que tive conhecimento (aqui no ocidente) é/foi o afecto à pedagogia Montessori.

Waldorf
A pedagogia Waldorf parece-me mais interessante pela metodologia prática+++++ do que pelos fundamentos teóricos (doutrinas algo esotéricas e cristocêntricas, onde abundam estorietas bíblicas e mitos nórdicos). Mas o que realmente me constrange e entristece é o facto de os escassos exemplos que conheço em Portugal (tanto as escolas já em funcionamento, como diversas tentativas para a implantação das mesmas que eu tenho tido a oportunidade de acompanhar) estarem pouco abertos às crianças portuguesas, sendo um privilégio (discriminatório) quase exclusivo de cidadãos de origem germânica, algo relutantes em se integrarem na nossa cultura.
Felizmente, para salvaguarda do que há de melhor na referida filosofia pedagógica, na Casa de Santa Isabel (em S. Romão, no sopé da Serra da Estrela) existe uma comunidade terapêutica (orientada pelos princípios de Rudolf Steiner~~~~~~~~~~~~) vocacionada sobretudo para crianças deficientes, que bem merece uma visita e o nosso apoio.

+++++trata-se de um sistema não competitivo que prescinde de exames regulares, pois as crianças são (se tudo correr bem) acompanhadas pelo mesmo professor ao longo dos anos. Como tal o conhecimento mútuo é suficiente. As crianças são reunidas em pequenos grupos num ambiente familiar. Nos primeiros anos, são elas que vão elaborando os seus próprios livros de estudo, como registo das experiências de aprendizagem mais marcantes, e também é-lhes dada a liberdade para escolher os temas sobre os quais irão desenvolver as actividades criativas e de investigação. Aliás, a componente prática e artística(ex.: trabalhos manuais, música, pintura, dança, ginástica,…) jogam um papel preponderante.com frequência celebram festivais sazonais.
línguas estrangeiras fazem parte do currículo logo desde o início. ~

~~~~~~~~~~~Rudolf Steiner foi um notório filósofo austríaco ( inventor da antroposofia), igualmente bem sucedido como cientistas (apologista da ciência-espiritual), pedagogo, escritor e pai da agricultura biodinâmica. É precisamente na Áustria que encontramos a maior concentração europeia de agricultores (certificados) afectos à agricultura biológica.

Nos estados Unidos brotam (e florescem!) alguns exemplos interessantíssimos que merecem a nossa atenção. Comecemos pelas “charter schools”. Tratam-se de projectos concebidos e levados a cabo pela acção conjunta de professores, pais e alunos. Estes pedem ao Estado a concessão temporária de uma escola para aí desenvolverem os seus projectos educativos alternativos. Havendo concordância de ambas as partes, as autoridades estatais outorgam-se o direito de avaliar (com uma periodicidade de 3 ou 5 anos) o sucesso destas iniciativas.
As escolas livres (free schools, no original) são de cariz libertário e, nesse país, abarcam já mais de três mil centros educativos.
Ensino doméstico (Home schooling) mais de um milhão e meio de jovens (não escolarizados, mas perfeitamente legais) estão afectos a este sistema. Os seus resultados, em termos de aquisição de conhecimentos teóricos e práticos, têm surpreendido pela positiva até os seus detractores mais ferozes. O que é mais importante é que estes jovens mostram-se mais realizados, mais felizes e mais maduros que o maralhal perdido no ensino formal.
Pais/educadores ligados pela net
Web sites úteis:
www.paideiaescuelalibre.org
www.newhorizons.org
www.rethinkingschools.org
www.selfeducation.org
www.great-ideias.org/paths.htm
www.schumachercollege.org
www.eduscol.education.fr/



centro Fernano Bernaldez Gonzalez
Ceneam

(Mas atenção que os cabos de fibra óptica não podem substituir o calor
humano; as informações que melhor se assimilam são aquelas partilhadas
pessoalmente.)
Centros de aprendizagem
Juntas escolares – inclusive algumas escolas públicas (convencionais) permitem que essas crianças se matriculem apenas em algumas disciplinas que elas e os seus pais julguem convenientes
Grupos desportivos e artísticos; actividades ar livre, intercâmbios com outras famílias,…


Respondendo a uma das perguntas que mais aflige os pais indecisos por seguir estas vias alternativas de ensino, devo deixar claro que os jovens que decidem completar os seus estudos ingressando no ensino formal costumam passar os testes de admissão com distinção.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O País vai mal... é verdade! É preciso continuar a pedir sacrifícios aos portugueses. Mas como é que chegámos tão fundo? Não há dinheiro, dizem...
Já agora, talvez seja bom verificar em que condições e nível de vida andam aqueles que pedem sacrifícios ao português médio e ao que vive com o salário mínimo.
É isso que este texto pretende: abrir os olhos de todos para a hipocrisia dos nossos governantes.

Isto é apenas uma gota
no OCEANO chamado Portugal!

Tudo o que vai aparecer neste texto não é ficção! Acontece em Portugal. País com regime democrático à beira mar plantado. Vamos lá...

Demorou até um pouco para ver se não dava nas vistas. Mas a Festa continua...

Segundo a revista Focus (pág.25), a EDP conta com um novo assessor jurídico. Foi nomeado pelo ex-Ministro António Mexia (actual presidente executivo da EDP) e vai ganhar cerca de EUR 10.000/mês


Quem é ele? Perguntam vocês...


Pensem um pouco... Mais um bocadinho...

Não era fácil:

- Pedro Santana Lopes (MAIS UM JOB)

A opinião pública é fabricada por quem? Pela COMUNICAÇÃO SOCIAL.

E porque é preciso ter os jornalistas na mão.... O subsistema de saúde "dos fazedores de opinião" é INTOCÁVEL!!!

A Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas é dirigida por uma comissão administrativa cuja presidente é a mãe do ministro António Costa (PS) e do Director-Adjunto da Informação da SIC, Ricardo Costa.
Maria Antónia Palla Assis Santos - como não tem o "Costa", passa despercebida...

O Ministro José António Vieira da Silva (PS) declarou, em Maio último, que esta Caixa manteria o mesmo estatuto!
Isso inclui regalias e compensações muito superiores às vigentes na função pública (ADSE), SNS e os outros subsistemas de saúde.

Um quadro superior da GALP, admitido em 2002, saiu com uma indemnização de 290.000 euros, em 2004. Tinha entrado na GALP pela mão de António Mexia (PSD) e saiu de lá para a REFER, quando Mexia passou a ser Ministro das Obras Públicas e Transportes.

O filho de Miguel Horta e Costa (CDS-PPD), recém-licenciado, entrou para lá com 28 anos e a receber, desde logo, 6600 euros mensais.

Freitas do Amaral foi consultor da empresa, entre 2003 e 2005, por 6350 euros/mês, além de gabinete e seguro de vida no valor de 70 meses de ordenado.

Manuel Queiró (CDS - “o braço direito do Algarve”, casado com a Celeste da Caixa Geral de Depósitos Cardona), do PP, era administrador da área de imobiliário (?) 8.000euros/mês.
A contratação de um administrador espanhol passou por serem-lhe (ao Manuel) oferecidos 15 anos de antiguidade (é o que receberá na hora da saída), pagamento da casa e do colégio dos filhos, entre outras regalias.
Guido Albuquerque, cunhado de Morais Sarmento, foi sacado da ESSO para a GALP. Custo: 17 anos de antiguidade, ordenado de 17.400 euros e seguro de vida igual a 70 meses de ordenado.

Ferreira do Amaral, presidente do Conselho de Administração. Um cargo não executivo (?) era remunerado de forma simbólica: 3.000 euros por mês, pelas presenças. Mas, pouco depois da nomeação, passou a receber PPRs no valor de 10.000 euros, o que dá um ordenado "simbólico" de 13.000 euros...

Outros exemplos avulsos, ainda na GALP:
- Um engenheiro agrónomo que foi trabalhar para a área financeira a 10.000 euros por mês;
- A especialista em Finanças que foi para Marketing por 9800 euros/mês...
- Neste momento, o presidente da Comissão executiva ganha 30.000 euros e os vogais 17.500.
- Com os novos aumentos, Murteira Nabo passa de 15.000 para 20.000 euros mensais.
Assim, este dream team à moda de Portugal, pode dar cobertura a um bando de sanguessugas que não têm outro mérito senão o cartão de militante. Ou o pagamento de um qualquer favor político...

PESO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS NA POPULAÇÃO ACTIVA (Dados de 2004)

(Fonte EUROSTAT, publicado no Correio da Manhã)

Suécia---------------- 33,3%
Dinamarca----------- 30,4%
Bélgica---------------- 28,8%
Reino Unido--------- 27,4%
Finlândia------------- 26,4%
Holanda-------------- 25,9%
França---------------- 24,6%
Alemanha------------ 24%
Hungria--------------- 22%
Eslováquia------------ 21,4%
Áustria---------------- 20,9%
Grécia---------------- 20,6%
Irlanda---------------- 20,6%
Polónia---------------- 19,8%
Itália------------------- 19,2%
República Checa--- 19,2%
PORTUGAL--------- 17,9%
Espanha-------------- 17,2%
Luxemburgo---------- 16%

Não há pois funcionários públicos a mais. Há sectores em falta e outros em excesso.

A reforma administrativa deverá começar por mudar o seguinte:

- Cada ministro deste e de outros governos tem, para seu serviço pessoal e sob as suas ordens directas, uma média de 136 pessoas (entre secretários e subsecretários de estado, chefes de gabinete, funcionários do gabinete, assessores, secretárias e motoristas) e 56 viaturas, apenas CINCO vezes mais que no resto da Europa.


E a verdade que saiu do programa «Prós e Contras» da RTP de 22 de Maio foi que temos uma comunicação social corrupta e ao serviço de quem tem muito dinheiro.
Nestes dias, a ideia que mais uma vez a comunicação social vendeu à opinião pública, foi a da necessidade de 200 mil despedimentos na função pública.
Resulta que somos o 3º país da U.E. com menor percentagem de funcionários públicos na população activa.


Assim se informa e se faz política em Portugal.

Em Setembro de 2002 foi publicada na II Série do Diário da República a aposentação do Exmº. Senhor Juiz Desembargador Dr. José Manuel Branquinho de Oliveira Lobo, a quem foi atribuído o número de pensionista 438.881.
De facto, no dia 1 de Abril de 2002 o Dr. Branquinho Lobo havia sido sujeito a uma “Junta Médica” que, por força de uma doença do foro psiquiátrico, considerou a sua incapacidade para estar ao serviço do Estado, o que foi determinante para a sua passagem à aposentação.

O Dr. Branquinho Lobo passou a auferir uma pensão de aposentação no montante
de € 5.320,00.

Contudo, por resolução proferida no dia 30 de Julho de 2004, o Conselho de Ministros do Governo do Dr. Pedro Santana Lopes nomeou o Dr. Branquinho Lobo como Director Nacional da Polícia de Segurança Pública.
Desde então, o Dr. Branquinho Lobo acumula a sua pensão de aposentação por incapacidade com o vencimento de Director Nacional da P.S.P!!!!!

ANíBAL CAVACO SILVA

Actualmente recebe três pensões pagas pelo Estado, distribuídas da seguinte forma:

- € 4.152,00 - Banco de Portugal.

- € 2.328,00 - Universidade Nova de Lisboa.

- € 2.876,00 - Por sido primeiro-ministro.

Podendo acumulá-las com o vencimento de P.R. !

Porque será que, o Expresso, o Público, o Independente, o Correio da Manhã e o Diário de Notícias, não abordaram este caso, mas trataram os outros conhecidos, elevando-os quase à categoria de escândalos, será que vão fazer o mesmo que fizeram com os outros???

Não será por coisas destas a falência da Segurança Social?

Li, há semanas, numa pequena notícia do Expresso, que prescreveu uma dívida de 700.000 Euros, de IRS de António Carrapatoso, figura de proa da Telecel/Vodafone e destacado dirigente do PSD. Porque razão prescreveu esta dívida? Porque razão não se procedeu à cobrança coerciva, dado que o contribuinte em causa não tem, nem nunca teve, paradeiro desconhecido?
Aliás, António Carrapatoso nunca deixou de aparecer, com alguma frequência, nos écrans da televisão para entrevistas e comentários, onde sempre defendeu as virtudes do "sistema" em que vivemos e que nos é imposto (pudera!!!!!!). Esta dívida não pode prescrever porque se trata de dinheiro devido ao Estado, ou seja a TODOS NÓS.

Os CTT pagaram 19 mil euros a Luís Felipe Scolari por uma palestra de 45 minutos, que teve como tema algo do tipo «Como fortalecer o espírito de grupo» no dia 14 de Janeiro de 2005, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, durante um Encontro dos Correios de Portugal.
A decoração custou mais de 430 mil euros e havia dois carros de luxo. A despesa efectivamente facturada entre 8 de Julho de 2002 e 31 de Maio de 2005, com a decoração do gabinete do presidente do Conselho da Administração dos CTT, Carlos Horta e Costa, bem como a sua sala de visitas e ainda das salas de visitas e refeições custou 430.691 euros. Carlos Horta e Costa teve à sua disposição, entre 2002 e 2005, um Jaguar S Type (a renda para o adquirir custou cerca de 50.758 euros) e um Mercedes Benz S320CDI (comprado em Abril de 2004 por 84 mil euros). Assim, o Relatório da Inspecção-Geral das Obras Públicas conclui haver «indícios de má gestão» e «falta de contenção de uma empresa que gere dinheiros públicos», pelo anterior Conselho de Administração que liderou os CTT entre 8 de Julho de 2002 e 31 de Maio de 2005.

Sabe-se dia 27 no Público que a advogada Vera Sampaio foi contratada como assessora pelo membro do Governo Senhor Doutor Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira, Ministro da Presidência.
Como a tarefa não é muito cansativa foi autorizada a continuar a dar aulas numa qualquer universidade privada onde ganha uns tostões para compor o salário e poder aspirar a ter uma vidinha um pouco mais desafogada.
O facto de ser filha do Senhor ex-presidente não teve nada a ver com este reconhecimento das suas capacidades, juro pela saúde do Engenheiro Sócrates.
Há famílias a quem a mão do Senhor toca com a sua graça. Ámen.
Neste caso soube-se há tempos que o filhote depois de se ter formado foi logo para consultor da Portugal Telecom, onde certamente porá toda a sua experiência ao serviço de todos nós.
Agora, como já ontem se disse, calhou a sorte à maninha e lá vai ela toda lampeira em part-time para o desgoverno, onde certamente porá toda a sua experiência ao serviço de todos nós.

Com apenas 50 anos de idade e gozando de plena saúde, o socialista Vasco Franco, número 2 do PS na Câmara de Lisboa durante as presidências de Sampaio e de Soares, está já reformado com uma pensão de 3.035 euros, um valor bastante acima do seu vencimento como vereador. Foi aposentado como técnico superior de 1ª classe – apesar de as suas habilitações literárias serem equivalentes ao 9º ano.
Entrou para o Ministério da Administração Interna em 1972 e dos 30 anos passados só ali cumpriu sete de dedicação exclusiva; três foram para o serviço militar e os restantes 20 na vereação da Câmara de Lisboa, doze dos quais a tempo inteiro. Vasco Franco diz que a lei o autoriza a contar a dobrar 10 dos 12 anos como vereador a tempo inteiro: triplicar o salário.
Já depois de ter entregue o pedido de reforma, Vasco Franco foi convidado para administrador da Sanest (uma sociedade de capitais públicos), com um ordenado líquido de 4000 euros mensais. Foi convidado pelo presidente da Câmara da Amadora, cuja mulher é secretária de Vasco Franco na Câmara de Lisboa.
A acumulação de vencimentos foi autorizada mas o salário de administrador é reduzido em 50% – para 2000 euros – a partir de Julho, mês em que se inicia a reforma, disse ao EXPRESSO Vasco Franco.
A somar aos mais de 5000 euros da reforma e do lugar de administrador, Vasco Franco recebe ainda mais 900 euros de outra reforma, por ter sido ferido em combate (!?) em Moçambique já depois do 25 de Abril (????????) e cerca de 250 euros em senhas de presença pela actuação como vereador sem pelouro.
Contas feitas, o novo reformado triplicou o salário que auferia no activo, ganhando agora mais de 1200 contos limpos. Além de carro, motorista, secretária, assessores e telemóvel.

Nem tudo vai mal nesta nossa República (Pelo menos para alguns!) Com as eleições legislativas de 20/Fevereiro, metade dos 230 deputados não foram eleitos. Os que saíram regressaram às suas anteriores actividades sem, contudo saírem tristes ou cabisbaixos. Quando terminam as funções, os deputados e governantes têm o direito, por Lei (deles) a um subsídio que dizem de reintegração (coitados, tem de voltar para esta selva que é a luta pelo pão de cada dia nos seus antigos lugares de administração ou de profissionais liberais tão mal pagos, como sabemos):
Um mês de salário (3.449 euros) por cada seis meses de Assembleia ou governo.

Desta maneira um deputado que o tenha sido durante um ano recebe dois salários (6.898 euros). Se o tiver sido durante 10 anos, recebe vinte salários (68.980 euros). Feitas as contas e os deputados que saíram, o Erário Público desembolsou mais de 2.500.000 euros!

No entanto, há ainda aqueles que têm direito a subvenções vitalícias ou pensões de reforma (mesmo que não tenham 60 anos!). Estas são atribuídas aos titulares de cargos políticos com mais de 12 anos.

(Segue Lista)

Entre os ilustres reformados do Parlamento encontramos figuras como:

Almeida Santos........................ 4.400, euros;
Medeiros Ferreira..................... 2.800, euros;
Manuela Aguiar......................... 2.800, euros;
Pedro Roseta............................ 2.800, euros;
Helena Roseta........................... 2.800, euros;
Narana Coissoró . .................... 2.800, euros;
Álvaro Barreto........................... 3.500, euros;
Vieira de Castro..........................2.800, euros;
Leonor Beleza . ........................ 2.200, euros;
Isabel Castro............................. 2.200, euros;
José Leitão................................ 2.400, euros;
Artur Penedos............................1.800, euros;
Bagão Félix............................... 1.800, euros.

(Vêem? Tadinhos destes "desconhecidos",
que se não fosse esta esmola estavam a comer na Mitra)

Quanto aos ilustres reintegrados , encontramos os seguintes:

Luís Filipe Pereira 26.890, euros / 9 anos de serviço;
Sónia Fortuzinhos 62.000, euros / 9 anos e meio de serviço;
Maria Santos 62.000, euros /9 anos de serviço;
Paulo Pedroso 48.000, euros / 7 anos e meio de serviço
(e ainda vamos ver se não vai receber indemnizações pelo processo Casa Pia);
David Justino 38.000, euros / 5 anos e meio de serviço;
Ana Benavente 62.000 , euros / 9 anos de serviço;
M.ª Carmo Romão 62.000, euros / 9 anos de serviço;
Luís Nobre Guedes 62.000 , euros / 9 anos e meio de serviço.
A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram lá somente na última legislatura, isto é, 3 anos, o suficiente para terem recebido cerca de 20.000 euros cada !

É ESTA A CLASSE POLÍTICA QUE TEM A LATA DE PEDIR SACRIFÍCIOS AOS PORTUGUESES PARA DEBELAR A CRISE!!!!!!

Serão os políticos os únicos malandros?
Não! 9 em cada 10 aposentados com mais de 5.000 euros mensais foram juízes !!!
Lista de Aposentados no ano de 2005 (Janeiro a Novembro) com pensões de luxo:
São os seguintes os valores em Euros:
Janeiro
Ministério da Justiça
5380.20 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Março
Ministério da Justiça
7148.12 procurador-geral Adjunto Procuradoria-Geral República
5380.20 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5484.41 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Empresas Públicas e Sociedades Anónimas
6082.48 Jurista CTT Correios Portugal SA
Abril
Ministério da Justiça
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5338.40 Procuradora-Geral Adjunta
Procuradoria-Geral República - Antigos Subscritores
6193.34 Professor Auxiliar Convidado
Maio
Ministério da Justiça
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
5460.37 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5338.40 Procuradora-Geral Adjunta Procuradoria-Geral República
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura

Junho
Ministério da Justiça
5663.51 Juiz Conselheiro Supremo Tribunal Administrativo
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
Julho
Ministério da Justiça
5182.91 Juiz Direito Conselho Superior Magistratura
5182.91 Procurador República Procuradoria-Geral República
5307.63 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República

Agosto
Ministério da Justiça
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservadora Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notário Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5043.12 Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5027.65 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Notário Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5159.57 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Ajudante Principal Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Notário 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notária Direcção Geral Registos Notariado

Vítor Constâncio governador do Banco de Portugal
ganha 272.628 € por ano, ou seja quase 3.894 contos MENSAIS, 14 meses/ano.

Outros ordenados chorudos do Banco de Portugal :

O Vice-governador, António Pereira Marta - 244.174 €/ano
O Vice-governador, José Martins de Matos - 237.198 €/ano
José Silveira Godinho - 273.700 €/ano
Vítor Rodrigues Pessoa - 276.983 €/ano
Manuel Ramos Sebastião - 227.233 €/ano

O Vice-governador, António Pereira Marta até acumula com o seu salário com a sua pensão como reformado … do Banco de Portugal.

Aliás, o Vítor Rodrigues Pessoa, também tem uma reforma adicional de 39.101 €/ano
Total 316.084 €/ano

e o José Silveira Godinho também acumula com uma pensão do BP, mais 139.550 €/ano
Total 413.250 €/ano

Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças recebeu durante os dois meses em que esteve no Executivo 4600 euros mensais de ordenado e uma reforma de 8.000 euros do Banco de Portugal.

Mira Amaral saiu da Caixa Geral de Depósitos (CGD) com uma reforma de gestor 18.000 euros. Na altura acumulava uma pensão de 1,8 mil euros, como deputado e 16.000 euros como líder executivo da CGD.

O que me choca não é o valor da reforma. É o facto de Mira Amaral poder auferir desta reforma - paga pelos contribuintes - ao fim de apenas um ano e nove meses!!!!!!
Esta situação é profundamente escandalosa e tem repercussões que afectam a própria credibilidade do regime democrático.
Esta forma aparentemente ligeira como é gasto o dinheiro dos contribuintes é grave pelo acto em si e pelo seu impacto na legitimidade do Estado para impor novas formas de captar receita.

Quando os juízes dizem que vão para a greve, nós começamos a perceber porquê...

António Marinho (Jornal Expresso 17 de Setembro) refere os seguintes privilégios dos magistrados :

1) Recebem um subsídio de renda de casa no valor de 700 EUR mensais, mesmo que residam em casa própria. E, se forem casados com outro magistrado, habitando em casa própria cada um deles recebe esse subsídio (logo, 1400 EUR). A situação atinge mesmo o absurdo já que até os magistrados aposentados ou jubilados incorporam esse subsídio nas suas reformas (!?), nas mesmas condições dos que se encontram no activo. Mais ainda: O subsídio de renda de casa dos magistrados está isento de IRS, após acórdão do STA, ou seja, decisões dos magistrados. Será possível que alguém possa auferir uma remuneração permanente, que essa remuneração entre no cálculo da reforma, mas que esteja isenta de IRS?????
2) Os magistrados do Supremo Tribunal Administrativo, do Supremo Tribunal de Justiça e do Tribunal Constitucional que residam fora da área da Grande Lisboa recebem ajudas de custo precisamente quando se deslocam para o seu local de trabalho. A situação torna-se tanto mais incompreensível quanto é certo que os referidos magistrados usufruem de viagens totalmente gratuitas em todos os transportes públicos terrestres e fluviais, incluindo os comboios Alfa.

Aeroporto da Ota
(por Miguel Sousa Tavares)

Uma história de 2 aeroportos:
Áreas:
Aeroporto de Malaga: 320 hectares
Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.
Pistas:
Aeroporto de Malaga: 1 pista,
Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.
Tráfego(2004):
Aeroporto de Malaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7% a 8% ao ano.
Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento 4,5% ao ano.
Soluções para o aumento de capacidade:
Malaga: 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20 milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista.
Lisboa: 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a 40Km da cidade.
E o que dá sermos ricos com o dinheiro dos outros e pobres com o próprio espirito. Ou então alguém tem de tirar os dividendos dos terrenos comprados nos últimos anos. Ninguém investiga isto? E preciso fazer alguma coisa.

Pelo menos divulguem estes documentos,
ou faremos parte de um grupo de "Otários" silenciosos.

Depois de apresentar este texto só posso dizer que tenho vergonha
de ser português em Portugal.

Gostava de viver numa verdadeira Democracia!

Todos com o mesmo sistema de saúde;
Todos a pagarem impostos;
Todos a terem reformas merecidas e justas;
Todos com o mesmo sistema de Justiça
e não um para os ricos (intocáveis) e outro para os pobres.

Peço a quem ler esta mensagem que a divulgue e que se tiver conhecimento de mais casos que me envie para eu compilar tudo para mostrar a todos o país onde vivemos

tiago.lab@gmail.com

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Na nova agenda cultural a nossa vereadora prova que agarrou com unhas e dentes a carreira política, optando pelo típico “nim” dos políticos no que respeita ao referendo para a despenalização (até às 10 semanas) do aborto. (Às vezes pergunto-me se a mulherzinha tem algum macaco escondido na sua casa que esteja treinado para escrever lhe aqueles textos imbecis?...) Nem sequer tem coragem para seguir as directrizes do seu partido (que, a contra gosto dos guterristas, optou pelo SIM) e, falando sem dizer nada (como é seu apanágio), indica-nos que detém o monopólio de um tal “bom senso” institucionalizado que é a solução para esta celeuma em relação ao aborto. Dá vontade de lhe colocar junto à janela do seu quarto e a altas horas da noite (como acontece com o alarme da CMA…) um altifalante repetindo a música «Senhas» da Adriana Calcanhoto…
Realmente, até agora a tipa só mostrou alguma competência em roubar diapositivos…
Já agora, deixem-me dizer-vos que não é forçando mulheres a levar avante gravidezes indesejadas que vamos equilibrar a taxa de natalidade com a de mortalidade, invertendo a tendência para o envelhecimento da população europeia. (Para tal, devemos apostar na saúde, na educação e na recuperação ambiental, para além de deixarmos entrar mais emigrantes jovens, apostando no emprego digno para todos; reduzir as assimetrias sociais e combater a sinistralidade nas estradas,...)
Até compreendo que os papa-hóstias se indignem ante a perspectiva de que os seus impostos sirvam para custear abortos legais. Mas, desde quando é que o Estado nos dá a opção de decidirmos (para além da quase inutilidade do voto pontual) sobre a aplicação do dinheiro que nos exturque?! Creio que cerca de 99% dos meus impostos serve para financiar coisas que se situam nos antípodas dos meus ideais. Ademais, já todos custeamos com os nossos impostos as intervenções de emergência de abortos clandestinos que correram mal. (E ainda há médicos filhos-da-puta que denunciam à polícia essas desgraçadas!! Bem sei o que eles mereciam…)
Votar “Não” é patrocinar a continuação do lucrativo negócio dos abortos clandestinos, onde as mulheres estão totalmente desamparadas perante uma sociedade hipocritamente repressiva. Até vos dou um exemplo. A Clínica de Oiã (perto de Aveiro) é a que mais abortos “de luxo” faz em Portugal. É gerida por um casal. Ela é uma bimba asquerosa que até no Verão anda de casacos de pele e coberta de ouro e de pedras preciosas. É assim que vai trabalhar para a sua clínica (sempre em carros de luxo topo de gama) e despacha as mulheres (a maioria das quais ainda garotas) que recorrem aos seus serviços, cuspindo nos dedos gordos enquanto conta as notas (claro que não aceitam cheques, transferência bancária; as clientes nem sequer têm direito a uma ficha clínica, por forma a parecer que nunca ali estiveram). O marido dela é o cirurgião que faz o trabalho sujo. É um idoso já devia estar aposentado há pelo menos 20 anos e está farto de dar cabo de mulheres com intervenções mal feitas. As frequentes vítimas desses “acidentes” têm depois de escolher entre morrer de infecções e/ou de hemorragias, ou então ir a um hospital e arriscar serem denunciadas à policia…
Pois bem, a manda-chuva da clínica de Oiã anda a fazer campanha pelo “Não”… Pois claro, não vá a concorrência estragar-lhe o negócio. (refiro-me às novas clínicas da especialidade, não às “parteiras” de vão de escada.)
O “Não” vai impedir que haja uma oportunidade de dar o devido apoio às mulheres aflitas com gravidezes indesejadas, a fim de que possam melhor decidir (sob orientação de profissionais de saúde, incluindo psicólogos e assistentes sociais) sobre o que fazer com o seu corpo.
A propósito da gripe aviária...

Comunicado de Imprensa
31 de Outubro 2006
Mais informações em www.spea.pt

Proibição de importação de Aves na Europa
deve ser mantida

A 27 de Outubro celebrou ]se a proibição, pela Comissão Europeia, da
importação de aves selvagens para a União Europeia (EU). A SPEA,
representante portuguesa da BirdLife International, apela à Comissão para
que esta proibição se torne permanente dadas as suas implicações
conservacionistas, na Europa e nos países de onde as espécies são
originárias.

A UE importa 90% de todas as aves selvagens transaccionadas
internacionalmente – 1 a 2 milhões de aves por ano, e a SPEA / BirdLife
mantém que deverá haver uma proibição na importação de todas as aves
capturadas na natureza, salvo se forem apresentados benefícios para a
conservação da espécie em causa. O comércio de aves contribuiu para o
declínio de pelo menos 88 espécies de aves ameaçadas a nível internacional, e
mais de 3000 espécies são capturadas para venda como animais de estimação.
Aves como os papagaios do Senegal, araras, e mesmo o Tucano de Toco
(famoso pela publicidade à cerveja Guinness), são capturados, transportados
durante grandes distâncias em más condições e depois vendidos. Sem o
controlo adequado ou uma efectiva proibição, este comércio também põe em
perigo a saúde da vida selvagem nativa da Europa, do gado e mesmo das
pessoas!

Segundo Luís Costa, “a SPEA acredita que com a revisão da proibição prevista
para Dezembro, e com o aumento da pressão dos comerciantes de aves para a
levantar, é agora tempo para uma análise séria da questão do tráfico de aves
selvagens. A Comissão deve ter em conta a ameaça às espécies de aves, a falta
de avaliações e estudos científicos, e o facto de, apesar de investigação e
monitorização sobre o assunto, não haver histórias relacionadas com o
comércio de aves selvagens com final feliz, nem sinais de comércio sustentável.
Pedimos à Comissão que mantenha, por isso, a proibição permanentemente
por razões conservacionistas.”

O sistema actual de regulação do comércio de aves selvagens exige que sejam
apresentadas provas de que este não causa danos às populações selvagens
antes da suspensão das importações, e o número de espécies a que estas
regulações se aplica é reduzido, em comparação com o número actual
transaccionado. Com a falta de informação científica vigente, as
regulamentações estão sempre desactualizadas face à realidade do mercado, e
assim, apesar das espécies poderem estar a diminuir a um ritmo acelerado, a
sua comercialização continua a ser legal. Se a proibição for levantada sem a
necessária informação científica, as espécies de aves estão em sério perigo de
extinção.

Factos simples que contam a história:
• A excessiva exploração (para alimentação, animais de estimação, etc)
tem contribuído fortemente para a extinção de 52 das 133 (40%)
espécies de aves consideradas Extintas nos últimos 500 anos, e ainda
contribui para a quase extinção de 63 entre 179 (35%) espécies de aves
Criticamente em Perigo (em Estado Crítico, segundo o Livro Vermelho
da UICN de 2004)
• O comércio mundial de aves, ao nível nacional e internacional,
contribui também para o estatuto de ameaça de 169 das 1988 (10%)
espécies de aves Ameaçadas ou Quase Ameaçadas.
• Mais de 60 por cento de algumas espécies de aves capturadas para o
comércio como animais de estimação, morre antes de chegar ao seu
destino, significando um aumento na captura de aves, para sustentar a
procura.
• A Lista Vermelha da UICN de 2006 apresenta 36% de todos os
papagaios como Ameaçados ou Quase Ameaçados e 49 das 94 espécies
em risco (52%) são comercializadas.

“Alguns dos opositores a qualquer proibição dizem que esta vai fomentar o
comércio clandestino, mas não temos visto qualquer evidência desta situação,
mas antes constatado que o tráfico tem diminuído após a proibição temporária
por parte da UE”.

Mais uma vez, os factos suportam os nossos argumentos:
• Na Itália, o Corpo Regional Florestal do Nordeste relatou recentemente
que o comércio legal de aves não listadas na CITES estava a encobrir o
tráfico, e que tem havido uma redução significativa das importações
legais e ilegais, desde a proibição da UE.
• Na Hungria, a autoridade que regula a CITES relatou não ter realizado
mais apreensões de aves selvagens após a proibição total, concluindo
que o comércio não se tornou clandestino.
• Na Bélgica, foram apreendidas 2865 aves em 2003, 476 em 2004 e 3117
em 2005, mas não houve nenhuma desde Novembro de 2005.
• No Reino Unido o Governo afirmou que “Não há evidências que
sugiram o aumento das apreensões de aves selvagens importadas
ilegalmente para o RU”


A SPEA acredita que as aves poderiam ser importadas para a UE se os
comerciantes provassem que as suas aquisições eram parte integrante de um
programa de gestão baseado em conhecimentos científicos, e que como tal seria
benéfico para a conservação das espécies. O uso legítimo de aves importadas
poderia também incluir actividades como a educação ambiental e conservação
em jardins zoológicos, e investigação. Se a proibição for levantada sem o
controlo apropriado a funcionar, espécies como o Papagaio ]cinzento, já
dizimados no seu estado selvagem, poderão chegar ao ponto de declínio da
arara ]azul, já extinta na natureza, em especial devido ao comércio de aves.
Existe apoio popular para deslegitimar o insustentável comércio de aves
selvagens. Há poucas justificações para tal, pois aves criadas em cativeiro são
animais de estimação muito mais dóceis e milhares de aves selvagens seriam
salvas de mortes lentas e completamente evitáveis. Os lucros do tráfico ficam
nas mãos de intermediários e importadores, não impulsionando as economias
locais, não sendo assim sustentado o argumento de que as comunidades locais
sofreriam com a proibição deste comércio. Muitos países em todo o Mundo,
incluindo o Brasil, os EUA, a Índia e a Austrália, proibiram o comércio de aves
selvagens, por forma a proteger as suas próprias espécies, e já é tempo de a UE
deixar de ficar para trás e apanhar o “comboio pela conservação”.

A SPEA / BirdLife espera que quaisquer discussões sobre a proibição vejam
mais além do que o argumento actual da “gripe das aves” – que embora
válido, não é crucial para a proibição total do comércio de aves selvagens para
dentro da UE.


O risco de extinção para todas as espécies de animais e plantas é
avaliado segundo um padrão definido pela Comissão de Sobrevivência
de Espécies da UICN. Detalhes em http://www.iucn.org/themes/ssc/.
• O estatuto de conservação das espécies de aves divide ]se nas seguintes
categorias: Extinto, Extinto na natureza, Criticamente em perigo, Em
Perigo, Vulnerável, Dependente de Conservação e Quase Ameaçado.
• As aves globalmente ameaçadas estão distribuídas de forma desigual e
encontram ]se principalmente na região neo ]tropical e no sudeste
asiático. Contudo, a responsabilidade política para a conservação das
espécies ameaçadas é partilhada, havendo 219 territórios com pelo
menos uma espécie de ave ameaçada.
• Numa revisão bibliográfica, a RSPB constatou que poucas crias de aves
são retiradas do seu ninho quando as espécies são protegidas, e que o
sucesso reprodutor aumenta, pois sofrem menor perturbação humana
(Animal Conservation). Num segundo estudo, sobre a cacatua ]de ]crista ]
amarela – uma espécie existente na Indonésia – verificou ]se que a sua
população duplicou após a proibição de comercialização da espécie
(Cahill et al – Oryx: 40 (2)).
• O Papagaio ]cinzento ]africano é um dos animais de estimação mais
popular, sendo apreciado pelas suas capacidades de mimo, bem como
pela sua atractiva plumagem. Os registos da CITES mostram que
quase 360.000 papagaios desta espécie são exportados ilegalmente ou
morrem antes de chegarem às lojas de animais de estimação. Devido
ao tráfico de animais de estimação, as populações desta espécie estão a
diminuir na maior parte dos 23 países em que se encontra. Estas aves
estão à venda por mais de €750/casal.
• A captura de jovens crias não é a única razão para o declínio das
populações de aves exóticas, utilizadas como animais de estimação. A
perda de habitat, o comércio de penas e uma época de reprodução com
más condições climatéricas também são relevantes para este declínio.
No entanto, os cientistas consideram que populações vulneráveis pelo
tráfico de animais poderão sofrer mais facilmente com os outros
factores.
• O Wild Conservation Act de 1992 fez reduzir o número de papagaios
importados para os EUA, de 100.000 para poucas centenas em 1996. A
quantidade de importações de aves não aumentou em outros países,
sugerindo que esta legislação teve maior efeito na redução na captura
de crias no ninho, do que na procura de outros países, por parte dos
comerciantes de aves, para a sua venda.
• Resultados de um estudo de 2001 na América do Sul, mostram que a
proibição da importação de aves raras para os EUA em 1992, fez
diminuir significativamente a captura ilegal de papagaios selvagens
nesta região, ao invés de motivar o seu comércio clandestino.
• O Estudo de Mercado realizado pela RSPB concluiu que 92 por cento
dos inquiridos no Reino Unido e na Alemanha, desaprovavam o
comércio de aves selvagens em oposição a 1% e 2% de aprovação no
RU e na Alemanha respectivamente. O estudo foi conduzido pela
BMRB International, e realizado no Reino Unido nos dias 17 e 18 de
Junho de 2006, com uma amostra de 1003 indivíduos, com idades
iguais ou superiores a 16 anos, e na Alemanha nos dias 17 e 23 de
Junho do mesmo ano, com uma amostra de 1000 pessoas com idades
de iguais ou superiores a 14 anos.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Há mais de 500 anos, Leonardo da Vinci, um dos maiores génios de todos os tempos (e que era também vegetariano), vaticinou que chegaria o dia em que matar um animal (por divertimento) seria considerado tão grave quanto matar uma pessoa. O mestre renascentista, apesar de ser algo misantropo, depositou demasiada fé na evolução da nossa sociedade…
No primeiro domingo de Setembro fui até ao Paul dos Patudos com o intuito de observar como se comportariam os caçadores na abertura da época cinegética. (Na verdade, estes tipos nunca dão tréguas aos animais silvestres, limitando-se a trocar as cana de pesca pelas espingardas. Muitos antes de poderem disparar a tudo o quase mexo no chamado regime desordenado, são ainda sócios de zonas de caça onde caçam o resto do ano.) Ao fim de tantos anos a assistir a matanças gratuitas, penso sempre que já tenho o estômago suficientemente calejado para estas merdas, mas nunca é assim. Invariavelmente, Fico por demais transtornado.
Um grupo de energúmenos limitou-se a esperar junto aos dormitórios das aves aquáticas e dos estorninhos. Os disparos intensificaram-se ao crepúsculo e seguiram noite adentro, quando mal dava para ver sombras no céu, quanto mais para identificar espécies. A matança foi covardemente fácil e estupidamente inútil. Nem sequer têm a menor intenção de ir buscar os corpos das suas vítimas! Cerca de uma dúzia de espingardeiros conseguiram, ininterruptamente, disparar pelo menos 2 centenas de vezes (e, que eu saiba, os cartuchos não são à borla – mas as vidas de espécies que a todos nós pertencem, são…). O massacre é o seu único divertimento. Uns quantos estavam à volta de ETAR (do lado de fora da cerca) disparando para os patos (algumas das espécies são “protegidas” por Lei…) que já estavam pousados ou se preparavam para o fazer. Um monte de cadáveres ficou a boiar literalmente na merda. Suponho que estes filhos da puta se devem sentir orgulhosos destas manifestações de pseudovirilidade, estando-se a cagar para tudo o que seja responsabilidade social e ambiental. Cheguei a falar com um deles quando se preparava para partir ao volante o seu automóvel. Apenas queria saber se ele conhecia as espécies que tinha acabado de matar – para nada! Previsivelmente, o tipo respondeu-me com ameaças de violência física. O costume. Mas deu para notar que, se eu lhe tivesse chegado um fósforo ao pé da boca, o imbecil converter-se-ia num lança-chamas vivo, tal era o evidente estado de alcoolémia!
Há quem enalteça a caça, como um “desporto” que privilegia a convivência masculina (claro que tb existem mulheres espingardeiras, mas por cá geralmente essas são projectos de tias que se limitam a ir às batidas aos javalis e/ou aos veados em herdades de luxo). O que eu por lá vi foi um bando de barrigudos a disparar junto dos carros, confraternizando mais com as cervejas e com os cigarros de que entre os “irmãos de armas”. (Uma das coisa de que eu gostava mais quando vivia na Serra da Lousã, era que raramente se ouvia um tiro. Teoricamente, estava disponível para qualquer caçador lá ir fazer misérias, mas a porra é que a orografia é mesmo íngreme e nos sítios onde existe uma maior riqueza de fauna, não dá para lá ir de carro – nem com um jipe. Assim, estes desportistas –matadores da zona preferiam ir até ao Alentejo dar tiros em perdizes e em coelhos de galinheiro, do que puxar pelas pernas serra acima… Agora que reintroduziram os veados e os corços, a caça passou a ser muito mais elitista por aquelas bandas; qualquer idiota com a carteia bem nutrida e com uma carabina de mira telescópica com infravermelhos pode abatê-los sem mexer outros músculos para além dos indispensáveis para carregar no gatilho.)
Da Direcção Geral das Florestas não vale a pena esperar nada de bom, mas porque raios o SEPNA de Santarém ou de Almeirim nunca vão até ao nosso paul fiscalizar estes - e muitos outros – atentados ambientais?! Será que ainda não perceberam que o paul dos Patudos é a maior e mais ameaçada jóia ambiental desta região? Porque é que sempre que lhes telefono à hora em que são consumadas estas carnificinas (em que se cometem muitas ilegalidades), nunca estão disponíveis?! Como é que é possível que o referido paul se converta num importante (à escala europeia) santuário para a vida selvagem, se basta um punhado de parvalhões para manter os bichos aterrorizados, fugindo para longe? E o que dizer das muitas espécies protegidas que por lá continuam a ser chumbadas?
Durante décadas os caçadores fizeram do paul um acmpo de extermínio sem tréguas. A sociedade, nomeadamente a comunidade local, não pode continuar a permitir esse triste “espectáculo” ! Temos que pressionar as autoridades “competentes” a fim de acabarmos com esta guerra contra a natureza que a todos prejudica (até aos caçadores). E não pensem que eu vou conseguir fazer isso sozinho.

A caça, nas nossas latitudes, tornou-se numa caricatura grotesca e perversa de uma actividade que outrora contribuiu não só para a mera sobrevivência da nossa espécie, mas também para o nosso desenvolvimento físico, intelectual e social.
«O amor inteligente, simultaneamente cordial, ao campo, é um dos mais refinados produtos da civilização e da cultura. Quem verdadeiramente ama a natureza nela não vê peças de caça.» – Miguel Unamuno

«Existe uma diferença fundamental entre animais a preço e apreço pelos animais. O apreço é incompatível com tornar vítimas os objectos queridos.»- Carlos Herrera
Em Portugal os critérios “selectivos” do morticínio gratuito continuam a basear-se, em grande medida, num sobejamente conhecido lema (em jeito de remoque de mau gosto) dos caçadores:” acima de mosquito, abaixo de guarda”… Nada disto deveria surpreender num país que consagra mais direitos de usufruto do território aos caçadores do que aos restantes cidadãos – que são a esmagadora maioria.
demasiados séculos de perseguição implacável (com um notório acréscimo de violência a partir de 1974) fizeram com que os animais que habitam estas paragens estejam sujeitos a um stress elevadíssimo, permanentemente aterrorizados com a nossa presença; a sua sobrevivência depende sobretudo da capacidade de se esquivarem aos humanos (no caso mais agudo dos mamíferos, o sigilo fantasmal que os caracteriza é o seu melhor segurode vida). E não é para menos, só na Península ibérica são chacinados anualmente entre 50 a 90 milhões de animais – um bem comum a todos - para deleite de apenas 2% dos cidadãos! Este holocausto cinegético, nos últimos quatro séculos já levou à extinção 270 espécies de vertebrados! E há ainda que considerar as milhares de mortes obscuras devido ao plumbismo (ou envenenamento causado pelo chumbo).